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Frank Bollmann

Criada em 1971 por um pequeno grupo de empreendedores, um deles ainda estudante, a Tuper hoje é uma das principais empresas do segmento metalúrgico do Brasil

Por Raquel Rezende 09/10/2013
Por Raquel Rezende 09/10/2013

Em 1971, um pequeno grupo de empreendedores, entre eles o estudante de engenharia Frank Bollmann, decidiu começar um negócio em um segmento diferente para a época na região de São Bento do Sul (SC). Escapamentos automotivos para o mercado de reposição foi o primeiro produto fabricado pela empresa que acabava de nascer. Hoje, comercializando mais de 1,3 mil itens para veículos da frota brasileira, a Tuper é líder nacional neste ramo com 40% de participação no mercado. Ao longo de quatro décadas, outras frentes de negócios foram implantadas e os produtos fabricados pela empresa atendem 30 segmentos de mercado, com destaque para os setores da construção civil, automotivo, sucroenergético, indústria naval, mercado de óleo e gás, máquinas e implementos rodoviários e agrícolas, óleo e gás, entre outros. Todo o empenho e visão empreendedora deste grupo fizeram da Tuper a segunda empresa do setor metalúrgico no Estado e a terceira dentro deste segmento na Região Sul, com crescimento anual médio de 22% nos últimos 10 anos.

O êxito na condução do empreendimento foi se confirmando ao longo dos anos e motivou o surgimento de outras unidades industriais, configurando a estrutura atual da Tuper, que é formada por oito unidades de negócios, distribuídas em mais de 116,5 mil metros quadrados de área industrial construída. Com sede em São Bento do Sul e unidade industrial também em Xanxerê (SC), a empresa possui presença física em 26 pontos de distribuição, localizados em cidades estratégicas do País. A expansão dos negócios teve início em 1981, com a inauguração da unidade Tubos, para atender à demanda interna de matéria-prima para os escapamentos. E esse foi o começo para a empresa se tornar uma das maiores fabricantes de tubos de aço do Brasil, considerada pelo Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço (Inda) a quinta maior processadora de aço do País, com uma capacidade anual de 480 mil toneladas por ano. Dando continuidade ao plano de crescimento, em 1989 nasceu a unidade Telhas e Perfis, conhecida atualmente como Sistemas Construtivos, que também está entre as líderes nacionais no desenvolvimento de sistemas para coberturas metálicas.

A Tuper expandiu também sua atuação para o segmento de sistemas de exaustão para o mercado original (OEM), em 2000, e atualmente detém 48% de participação no setor. A unidade fornece para as maiores montadoras do País e teve significativa participação na introdução dos modernos sistemas de pós-tratamento de gases de exaustão para veículos comerciais para o atendimento das normas do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve P-7), que entrou em vigor no ano passado. Em 2008, a Tuper adquiriu a Vanzin Automotive, indústria de escapamentos para o mercado de reposição localizada na cidade catarinense de Xanxerê, na época uma das principais concorrentes da empresa. A negociação envolveu ainda a Vanfix Plásticos e a Transpeças, responsável pela distribuição dos produtos.

A corporação inaugurou uma fábrica de galvanização em 2010 e começou a produzir também tubos galvanizados. No ano passado, a Tuper Óleo e Gás entrou em operação. A nova unidade de negócios atua com tubos de condução API (American Petroleum Institute) e tubos estruturais voltados para o mercado de óleo e gás. Instalada numa área total de 34,5 mil metros quadrados, a fábrica exigiu investimento de R$ 198 milhões para ser equipada com o que há de mais moderno em termos tecnológicos no mundo. Com esta unidade, a Tuper passou a ser a única empresa de capital 100% nacional a produzir tubos de aço API, reconhecidos pela indústria de petróleo internacional com as especificações técnicas necessárias para suas atividades produtivas. Na nova unidade são produzidos tubos de condução em aço carbono e microligados com diâmetros de até 12 polegadas e espessura de 16 milímetros, utilizados no transporte de óleo, minerais, gases e combustíveis. Também são fabricados tubos casing em aço carbono e microligados de até 13 polegadas, que são usados para revestimento de poços de petróleo ou gás associados a variados graus e padrões de rosca. Além de tubos estruturais para obras de construção civil em geral e também para jaquetas e torres de perfuração “onshore” e “offshore”.

Para cumprir toda a demanda da empresa, a Tuper emprega atualmente cerca de 2,5 mil profissionais. Segundo Bollmann, a empresa entende que as pessoas fazem a diferença para o bom desempenho da companhia. “Por isso, buscamos manter uma gestão moderna, participativa e com forte vínculo de confiança para os colaboradores encontrarem na empresa um ambiente favorável ao crescimento pessoal e profissional”, afirma.

Outro conceito que sustenta a filosofia de trabalho da Tuper, conforme explica Bollmann, é a prática do desenvolvimento com consciência ambiental e responsabilidade social. O sistema de gestão ambiental, certificado pela ISO 14001, coordena ações que buscam o melhor equilíbrio possível entre os processos industriais e os recursos naturais. E a prática da responsabilidade social é percebida no apoio e na promoção de atividades que envolvem especialmente a educação, a cultura e o esporte. “A empresa tem consciência de sua importância para o desenvolvimento de toda a comunidade. É com esse espírito de crescimento sustentável, que se mantém vivo há 41 anos, que a Tuper projeta o amanhã”, diz Bollmann.

A Tuper pratica o desenvolvimento sustentável e procura incorporar o conceito da sustentabilidade em todas as etapas dos processos industriais. Para isso, utiliza cisternas que permitem armazenar águas pluviais, que são tratadas e utilizadas nos processos industriais. Dessa forma, somente com a cisterna atual 750 mil litros de água das reservas do município de São Bento do Sul deixam de ser consumidos. Há outras três cisternas em projeto, com capacidade de armazenamento de 500 mil litros de água da chuva cada uma. Além disso, conta Bollmann, toda a água utilizada nos processos industriais é tratada para ser reaproveitada ou para retornar à natureza corrigida em seu PH, sem prejuízo ao meio ambiente. Os resíduos gerados nos processos produtivos têm destino adequado, com encaminhamento dos materiais para aterros industriais ou empresas de reciclagem. A matéria-prima utilizada, que é 100% reciclável, contribui para que toda a sucata seja reaproveitada na fabricação de mais aço. Ainda, como forma de conscientização, no dia a dia da empresa são incentivadas a redução da utilização de papéis e a preferência pelo uso do papel reciclado. Bollmann destaca também que o processo de vistoria do órgão ambiental responsável é utilizado como ferramenta de melhoria, desencadeando ações preventivas dentro e fora das instalações da empresa.

Bollmann conta que a Tuper aliou realismo, visão de futuro e espírito empreendedor em seu caminho para se tornar referência no mercado. Com a perspectiva de faturamento na ordem de R$ 1,55 bilhão para 2013, a empresa segue investindo em tecnologia, inovação, formação dos profissionais e mantém ações de conduta baseadas no estreito relacionamento com os parceiros.