
Perfil
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Laboratório visualpor Mônica Pupo
Irmãos Grimberg combinam despojamento e arte nas roupas, objetos e acessórios da grife Q-Vizu
Mais do que uma loja, pode-se dizer que a Q-Vizu é uma espécie de laboratório visual, onde todos são convidados a criar. “Sempre quisemos construir nossa própria história e nunca nos baseamos em nenhuma outra marca”, afirma Renata Grimberg. Uma das propostas da grife é convidar artistas – ligados ou não à moda – para desenvolverem peças exclusivas. A primeira foi a estilista Rita Wainer, que criou uma série de camisetas. O próximo será o humorista e cartunista Danilo Gentili, que está desenvolvendo estampas que serão lançadas ainda em setembro – e prometem se tornar o hit da estação. Ao contrário do que faz a maioria das marcas, a Q-Vizu evita coleções sazonais. Inquietos, Renata e Alan preferem apostar em novidades constantes em vez de lançamentos pontuais. “Temos muitas ideias. Se deixar a gente lança um produto novo por dia”, conta Renata. Em nome da exclusividade, também faz parte da filosofia da empresa produzir um número reduzido de peças e nunca, em hipótese alguma, reeditar as estampas. “Por mais que o produto seja um sucesso e esgote em uma semana, nós não refazemos.” Decididos a entrar em ação, eles colocaram o sonho no papel e apresentaram o projeto da loja à administração do Shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro. “Fomos com a cara e a coragem”, relembra Renata. “Quando viram os pilotos das primeiras peças, eles acharam tão inovador que decidiram nos dar uma chance.” Inaugurada em outubro de 2004, a primeira unidade da Q-Vizu logo caiu no gosto da clientela. O que os lojistas nem sequer podiam imaginar era que, entre seus primeiros – e mais assíduos – clientes, figuravam alguns dos principais produtores de moda e figurinistas da cidade. Assim, em pouco tempo, a marca ganhou fama entre os descolados de plantão – hoje em dia, é comum ver peças da grife sendo usadas por celebridades e artistas. O sucesso quase instantâneo, na opinião dos irmãos, é reflexo do trabalho árduo, mas, principalmente, da paixão pelo que fazem. “Quando você trabalha com verdade e amor, o público acaba sentindo isso de alguma maneira”, acredita Renata. Novatos no varejo, Renata e Alan tiveram que se desdobrar para dar conta da criação, produção e venda dos produtos. Nos primeiros dois anos da loja, eles ficaram literalmente “com a barriga atrás do balcão”, com o objetivo de identificar as necessidades e as críticas da clientela. Com as dicas obtidas “in loco”, foi possível não só aprimorar a modelagem e o acabamento das peças, mas também obter ideias para o desenvolvimento de novos produtos e planejar a ampliação do mix. No início, com uma estrutura bem enxuta, a loja só oferecia camisetas masculinas e femininas. Mas, apenas seis meses após a inauguração do ponto-de-venda, os irmãos decidiram investir numa linha de produtos infantis que tivesse a mesma “pegada irreverente” da marca. “As pessoas nos desencorajavam, apontando as dificuldades de trabalhar com modelagem de roupas infantis”, conta a lojista. Apostando na intuição, os irmãos arriscaram todas as fichas no lançamento de uma linha de bodies e camisetas infantis em cores vibrantes e com estampas de rock’n’roll. E deu certo, tanto que o mix de produtos infantis só cresce e, atualmente, abrange a faixa etária de zero a 10 anos. Além de roupas, é possível encontrar também acessórios – como babadores e porta-fraldas – e até mesmo CDs exclusivos para os pequenos, como o que traz clássicos do rock transformados em canções de ninar. Com o tempo, os comerciantes perceberam que havia espaço no ponto-de-venda para outros segmentos além do vestuário. Acessórios, objetos de decoração e utilidades domésticas foram então incorporados ao mix. Itens inovadores – como a calça jeans unissex, lançada há três anos, muito antes da moda das chamadas calças boyfriend, ou o vestido com capuz de orelhas de coelho – também são presenças garantidas nas araras. “O único pré-requisito é que sejam produtos inusitados e bem-humorados”, define Renata. Uma das apostas da loja é a coleção de toy-art. Elaboradas em parceria com um artista plástico de São Paulo, as peças fazem alusão aos principais ícones da cultura pop, caso da recém-lançada miniatura de Michael Jackson. Apesar de toda a produção ser terceirizada, os lojistas fazem questão de cuidar pessoalmente do desenvolvimento dos produtos. Responsável pela gestão da marca, Alan Grimberg também é o desenhista responsável por várias estampas da Q-Vizu. Já Renata dedica-se à criação e pesquisa de novas peças, além de ser responsável pelo layout do ponto-de-venda e pela atualização do blog e twitter – que têm contribuído para tornar a grife conhecida nacionalmente.
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