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Lúcia Pumar Cantini

Fábrica pioneira de guarda-chuvas revoluciona conceito do produto e supera a concorrência chinesa

Por Mônica Pupo 24/10/2013
Lúcia Pumar Cantini
Por Mônica Pupo 24/10/2013

Cinco anos. Foi esse o tempo que Lúcia Pumar Cantini levou para revolucionar a empresa fundada há mais de oito décadas pelo avô. Ao assumir a direção da fábrica de guarda-chuvas Pumar, localizada no Rio de Janeiro, ela não só deu novos rumos ao negócio como vem transformando o mercado com o conceito de proteção contra intempéries, nicho até então inédito no Brasil. “O papel do gestor é o de engendrar mudanças que possibilitem à empresa estar sempre antenada com as últimas tendências e necessidades do consumidor”, diz a empresária.

Fundada em 1927, a Pumar é considerada pioneira na fabricação de guarda-chuvas no Brasil. Natural da Espanha, Serafim Pumar – avô de Lúcia – iniciou o negócio consertando guarda-chuvas numa barraquinha nas ruas do bairro carioca de Rio Comprido. Com o aumento da demanda, o empreendedor passou a produzir algumas das peças de reposição. Até o fim da década de 1930, todas as armações eram importadas da Alemanha, e o tecido costurado artesanalmente. “Mas como a matéria-prima era o ferro – elemento abundante no País –, era viável a fabricação das armações por aqui”, conta Lúcia. O negócio era tão promissor que, até a mudança definitiva da fábrica, em 1944, a companhia se dedicava integralmente à produção de armações. “Naquela época, fabricar o produto completo significava entrar em concorrência com a própria clientela.”

Nos tempos áureos, em meados dos anos 1980, a Pumar chegou a ter 900 funcionários e produção mensal de 360 mil armações e 100 mil guarda-chuvas. Durante o período, quem comandava a empresa era Paulino Pumar, filho do fundador e pai da atual gestora. “Infelizmente meu avô faleceu antes do término das obras da fábrica”, conta Lúcia, referindo-se à construção da unidade fabril com 8,5 mil metros quadrados de área localizada em Mesquita, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Tudo ia muito bem até que, no início da década de 1990, a abertura para as importações e a invasão dos chineses afetaram de modo definitivo a atuação da Pumar – não apenas ocasionando uma queda brusca na produção, mas alterando completamente o conceito do produto perante os consumidores. “O guarda-chuva passou a ser visto como algo muito barato, praticamente descartável, que você usa uma ou duas vezes e joga fora, pois não tem a menor qualidade”, aponta Lúcia.

A marca tem conceito inédito no Brasil de proteção com moda: é possível encontrar uma capa de chuva que combina com a bolsa ou um guarda-sol que combina com chinelo Para sobreviver, foi preciso se reinventar e encontrar novos segmentos de atuação – no caso, o corporativo, com a fabricação de guarda-chuvas e guarda-sóis personalizados para hotéis, restaurantes, bares e empresas em geral. “Para que pudéssemos fabricar os itens completos, foi preciso incorporar uma estamparia e uma confecção à estrutura da fábrica”, relembra Lúcia, que assumiu a direção da empresa após a morte do pai, há cinco anos. Antes, a empresária – que possui formação tripla em marketing, psicologia e inglês – já tinha sido dona de uma franquia de escola de inglês e de uma fábrica de acessórios de cabelo, ambas no Rio de Janeiro.

O segmento corporativo ainda é dos lucros da empresa, mas já não é o único. Dentre as mudanças propostas pela gestão de Lúcia estão a criação de uma marca própria e a entrada no varejo. “Éramos praticamente uma fábrica metalúrgica, que tinha contato apenas no segmento B2B. Não tínhamos uma marca ou sequer uma identidade que nos representasse no varejo”, reflete a empresária.

Após a total reestruturação da fábrica, reforma das instalações, investimento em maquinário e contratação de pessoal, a companhia ingressou numa fase de crescimento acelerado. Mas Lúcia não se contentou em aprimorar apenas a infraestrutura e decidiu revolucionar o conceito do produto, elevando o guarda-chuva ao status de acessório fashion. “O brasileiro precisa parar de encarar o guarda-chuva como algo descartável e perceber que se trata de um objeto de moda, tanto quanto uma bolsa, um sapato ou um cinto”, atesta a empresária, que para se diferenciar dos chineses investe em estampas exclusivas. “Os similares chineses são geralmente lisos ou com estampas padronizadas, além da já tradicional péssima durabilidade; então nosso diferencial é a personalização e as matérias-primas de primeira qualidade.”

Disposta a driblar o que chama de “concorrência conceitual”, Lúcia foi em busca de parceiros no mundo da moda, com o objetivo de transformar os produtos em objetos de desejo. Foi assim que a Pumar passou a produzir guarda-chuvas e guarda-sóis personalizados para marcas descoladas como Salinas, Blue Man, Osklen e Animale, além de também fornecer para companhias de segmentos diversos, como TAM, TV Globo, Dupont, Roche e Schering Plough, entre outras.

Mas uma das maiores transformações ocorridas na Pumar foi a entrada definitiva no varejo. Em maio de 2011, a empresa inaugurou sua marca própria, a Maria Pumar, com o lançamento de um showroom de atacado e varejo em Copacabana, no Rio. Para dar conta da operação, o mix de produtos foi ampliado, incluindo linhas de coordenados para chuva, com guarda-chuvas, bolsas, sapatilhas, capas de chuva e chapéus que interagem entre si e com o todo. E para os dias de sol entram em cena guarda-sóis, travesseirinhos de cabeça, cadeiras de praia, bolsas impermeáveis e chinelinhos que se complementam. “Trabalhamos com um conceito até então inédito no Brasil, o de proteção com moda. Em nossas lojas é possível encontrar uma capa de chuva que combina com a bolsa ou um guarda-sol que combina com chinelo ou chapéu”, exemplifica Lúcia.

Atualmente, a marca conta com três lojas: um showroom no Rio de Janeiro e dois quiosques em shoppings de São Paulo. De acordo com a empreendedora, a expansão da rede para os outros estados começou pela capital paulista por ser o maior mercado consumidor do País, além de famosa como a “Terra da garoa”. O próximo passo é investir no franchising, com a meta de inaugurar 50 unidades, no formato de loja ou quiosque, até o ano que vem. Entre os estados mais cotados para receber pontos de venda da grife estão Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará e Sergipe. Os planos da empresa também incluem a internacionalização da marca e o lançamento do site de e-commerce.