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Marcelo Ponzoni

Mesmo vivendo situações desfavoráveis empresário não deixou se abater

Por Raquel Rezende 02/10/2013
Marcelo Ponzoni
Por Raquel Rezende 02/10/2013

Os reveses da vida e as dificuldades nunca representaram obstáculos para o empreendedor Marcelo Ponzoni. O fundador da agência de publicidade Rae,MP de São Paulo teve que conseguir emprego e morar sozinho aos 16 anos e por isso mesmo aprendeu cedo como funcionava a vida real e, assim, começou a buscar o que queria. Hoje, a Rae,MP completa 25 anos com 65 colaboradores para atender 15 clientes ativos, muitos com mais de 10 anos de casa. O microempresário, que se autodefine como um sonhador com os pés no chão, diz que jamais parou de sonhar e, para concretizar o sonho, procura ter foco e disciplina no dia a dia.

Ponzoni conta que após dificuldades familiares que provocaram um sério rompimento, ele teve que morar sozinho no único imóvel da família que restou em Guarulhos (SP). E sem recursos para sobreviver, ele foi trabalhar como ajudante de mecânico. Após seis meses, Ponzoni conseguiu seu primeiro emprego de vendedor em uma confecção de jeans no bairro do Brás. “Aquele ambiente imediatamente me fascinou, pois me expôs às situações de grande movimento, comunicação e prazer. Sem saber, já estava fazendo aquilo que um dia identifiquei como sendo o que mais gostava de fazer na vida: vender”, relembra. Ponzoni confessa que foi nesse ambiente de rua com aproximação, contato e negociação com as pessoas que ele teve parte dos grandes aprendizados da vida.

E a primeira pista de qual caminho Ponzoni seguiria em sua vida veio por meio da venda de embalagens de papelão ondulado numa época em que se iniciava a produção de displays publicitários em pontos de venda. “Imediatamente pedi para trabalhar com o produto, podendo, assim, visitar agências e departamentos de marketing de grandes empresas. Aquele universo fez com que os meus olhos brilhassem e, ali, identifiquei o meu caminho”, recorda Ponzoni. Aos 20 anos, ele fez vestibular e entrou no curso de Propaganda e Publicidade da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). E logo ao entrar em férias, depois de ter cursado o primeiro semestre, Ponzoni conheceu Ronaldo Arthur Esperança, o Rae, que trabalhava há muito tempo no mercado automotivo e foi grande incentivador e apoiador de Ponzoni para abrir a Rae Publicidade. E, assim, nasceu a agência em 1988.

Sessenta e cinco colaboradores atendem 15 clientes ativos

O foco da agência no início foi o mercado automotivo e um diferencial da empresa era fazer uso de tecnologia avançada para a época. “Não tinha contato com a tecnologia. Em 1988 ainda desconhecia por completo qualquer tecnologia voltada ao segmento. Foi só em 1989 que me foi apresentada por um profissional uma estação gráfica, composta por um computador 386. Vi a ‘letrinha’ trocar de tipo, fonte, crescer e diminuir, duplicar e trocar de cor. Aquilo tudo fez com que em minha cabeça disparassem ideias e possibilidades”, relata Ponzoni. No mesmo dia que Ponzoni conheceu a nova máquina já quis comprá-la e para isso colocou seu carro à venda. E a consequência disso foi ficar sem carro, com uma máquina que não sabia operar, mas, para ele, essa compra mostrava nitidamente o caminho do futuro. “Com muita curiosidade e horas de trabalho comecei a soltar os primeiros layouts do fantástico Corel Draw. Ali começou algo que mudaria a minha vida para sempre”, revela.

Tudo fluía para Ponzoni quando veio outro revés. Ronaldo Arthur Esperança, o Rae, sofreu um grave acidente de carro e faleceu. “Em 1991 perdi aquele que era motivo, inspiração e apoio. O nome Rae,MP permanecerá para sempre em memória dele, que acreditou no meu potencial”, afirma Ponzoni. E como que para compensar essa perda, nessa mesma época Ponzoni conheceu sua esposa que seria também sócia e mãe do seu filho.

Após a morte de Rae, Ponzoni lembra que sentiu mais vontade ainda de trabalhar para fazer a agência crescer. “O empenho todo foi para construir um conjunto que tivesse capacidade de enfrentar os concorrentes e entregar algo positivo e duradouro ao mercado”, diz. Pensando dessa forma, Ponzoni buscou desenvolver uma empresa independente, livre e com fortes valores e convicções. Segundo ele, um projeto sólido foi estruturado com a visão voltada ao longo prazo. “Construímos nesses 25 anos algo para se orgulhar e capaz de suportar os grandes desafios da atualidade”, define.

Ponzoni acredita que o cumprimento dos prazos e a entrega real das promessas credenciaram a agência como sendo verdadeira, autêntica e solícita. “Procuramos ao máximo iniciar e concluir de maneira honesta e com foco nos resultados. Sabemos que não há nada que nos proteja, a não ser a fé e a coragem de enfrentar os desafios diários.” E essa condução dos trabalhos também se refletiu no relacionamento com os colaboradores ao longo dos anos, fazendo com que a empresa apresente baixo índice de rotatividade. Conforme relata o empresário, os ganhos com o baixo “turnover” são grandes, mas para que isso seja uma realidade há um trabalho árduo desde a seleção, identificação de capacidades, habilidades e comportamento. “Para que isso seja bem claro, brincamos que toda a contratação é para sempre e sendo assim a decisão necessita ser a mais assertiva possível”, afirma.

Ponzoni conta ainda que na empresa há muitos casos de crescimento profissional interno, pois, segundo ele, os esforços da gestão são grandes para responder com a melhor exatidão às expectativas dos profissionais. “Procuramos também deixar bem claro o que esperamos dos profissionais e onde queremos chegar. Neste ponto, nossa definição de missão, visão e valores é muito trabalhada e vivenciada, não ficando apenas num pequeno quadro da recepção”, destaca. Para Ponzoni, essa postura na condução dos negócios, em sua essência, se concretiza como o diferencial da agência.

O empreendedor observa que conquistar contas publicitárias nunca foi uma tarefa fácil nem rápida. Ele conta que a agência tem um trabalho contínuo de prospecção, com avaliação de mercados potenciais e percepções de aderência à empresa. “Existe um tempo e etapas a serem vencidas, aproximação, permissão, percepção, empatia, adequação, conhecimento, viabilidade e tantos outros quesitos que andam praticamente numa fila indiana, que muitas vezes demoram meses ou até anos”, explica. Ponzoni revela que por anos não teve resultados financeiros, mas cresceu em percepção de marca, em credibilidade, em crédito, em percepções importantes de profissionais do mercado. “E isso para mim é lucro. Com ele, tenho a possibilidade de continuar, de crescer e avançar apoiado em conquistas reais e morais”, justifica.

Ponzoni avalia sua trajetória até agora afirmando que não acertou muito na vida, apenas deixou de errar bastante. “É um trocadilho que vai ao encontro de minha ótica sobre o mercado. Sou um observador silencioso, sinestésico e curioso. Adoro aprender com os profissionais mais experientes ou mesmo com jovens talentosíssimos que hoje em dia encontramos por aí”, explica. Para ele, o sucesso é efêmero, mas as conquistas do coração e da alma são eternas.