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Roberto Alcântara

Dentista descobre potencial de seus inventos e cria produtos para odontologia

Por Raquel Rezende 21/05/2014
Dentista Roberto Alcântara sorrindo
Por Raquel Rezende 21/05/2014

No período de 10 anos que o dentista Roberto Alcântara trabalhou em seu próprio consultório, frequentemente se incomodava com a maneira com que alguns procedimentos eram feitos. Na opinião dele, era tudo muito artesanal. Diante disso, Alcântara começou a criar produtos e componentes para uso próprio. Ele seguia a rotina de trabalho utilizando seus inventos somente para melhorar o atendimento aos pacientes do consultório. Em um revés da vida, uma amiga de Alcântara sofre um acidente e, por conta disso, entra em dificuldades financeiras. Para tentar superar essa crise, sua amiga passa a vender alguns dos produtos criados por Alcântara. A ideia dá certo, culminando com a abertura da Angelus, especializada em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de produtos com alta tecnologia para a odontologia. Hoje, a empresa tem em sua história um currículo de sucesso em inovação com patentes registradas, exportação para inúmeros países, parcerias bem-sucedidas com universidades e a estruturação de um departamento interno de P&D, possibilitando a captação de fomentos para inovação.

Alcântara tinha 17 anos quando começou o curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, em 1980. Deixou os pais na cidade de Paranavaí (PR), onde nasceu e cresceu, que já haviam migrado da Bahia para o Sul do País, pois vislumbraram melhores oportunidades de trabalho. E, assim, Alcântara seguiu para Londrina com a mesma intenção: buscar crescimento profissional e financeiro. Para suportar os custos exigidos pelo curso, o quase dentista começou a atuar em um consultório popular de bairro, dois anos antes de se formar. Depois de formado, Alcântara se casa, em 1986, com Sônia Madi, que também é sócia da Angelus. Oito anos depois, fundam a Angelus. “Era o ano de 1994 e a Angelus começou nos fundos do meu consultório odontológico. O primeiro produto que saiu foi um núcleo pré-fabricado de resina, usado como suporte para próteses dentárias”, relata.

Alcântara conta que permaneceu por mais 10 anos dividindo atividades entre consultório e empresa. Em 1999, a concretização de algumas parcerias com universidades e centros de pesquisas públicos e privados permitiu a primeira mudança de patamar do faturamento da empresa. O Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro Técnico da Votoran Cimentos foram algumas das instituições que abriram espaço para transformar as ideias de Alcântara em novos produtos.

Com o avanço dos negócios, no ano de 2003, Alcântara foca sua atenção exclusivamente na Angelus. Um dos desafios do empreendedor é expandir com credibilidade em um mercado de atuação muito novo no Brasil e extremamente controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele relata que a distribuição é realizada por dentais – empresas especializadas em vender os produtos para os dentistas – que estão pulverizadas pelo País. “Existem um grande número de importadores, pois a indústria nacional é ainda um fenômeno recente”, afirma. Diante disso, a vontade de inovar de Alcântara foi crescendo. Assim, ele buscava nas atividades diárias alternativas que tornassem os processos clínicos mais confortáveis para o paciente e menos morosos a ele como dentista. Por seu trabalho, é escolhido, neste mesmo ano, como um dos Empreendedores do Novo Milênio pela Revista Você S/A.

O reconhecimento do trabalho de Alcântara impulsiona a Angelus para um novo crescimento, em 2006, com o lançamento de produtos tecnológicos de alto valor agregado. Em 2009, por apresentar todo um panorama de inovação na área odontológica, a Angelus recebe o Prêmio Finep de Inovação. Alcântara conta que, para explorar da melhor forma seu segmento de atuação, trabalha diariamente com foco na inovação dos produtos e serviços da empresa, pensando em atender às necessidades dos seus 300 clientes no Brasil e 100 no mercado externo. “Nossos clientes finais são os dentistas e protéticos, porém negociamos ainda com os distribuidores que são chamados de dentais”, explica. Fazer investimentos no processo de inovação com foco na área de serviços, firmar parcerias para o desenvolvimento tecnológico e comercial com empresas estrangeiras que tenham produtos e serviços de cunho tecnológico e investir em estruturas comerciais em regiões estratégicas no mercado externo como Estados Unidos, América do Sul e Ásia integram as ações de trabalho da Angelus, conforme relata Alcântara.

Além disso, o dentista empreendedor afirma que a empresa busca o bom e constante relacionamento com a equipe de liderança. “A visão de longo prazo, persistência no processo de inovação e principalmente investimentos em pessoas são as bases da Angelus”, enfatiza. A partir deste ano, a empresa começou a ser apoiada por um conselho consultivo que coordena, com os empreendedores, projetos de expansão. E, atualmente, exporta para 65 países e investe 5% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores. Alcântara afirma que, através de sua empresa, quer deixar o legado das inovações na área odontológica para pessoas e comunidades ao redor do mundo.