Aprende, Brasil!

Por Alexsandro Vanin 16/10/2012
Por Alexsandro Vanin 16/10/2012

Sem inovação não há competitividade. Mas sem educação não há inovação. Sem educação tampouco há mão de obra qualificada, problema que atinge a economia brasileira devido à histórica falta de investimentos na formação educacional de pessoas. A falta de trabalhadores qualificados afeta 69% das empresas, segundo pesquisa elaborada em 2011 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Um estudo recente do Instituto Global McKinsey mostra que, com a redução da força de trabalho no País, que crescia 2,5% ao ano na década passada e passará a crescer menos de 1% ao ano nos próximos anos, e a falta de profissionais altamente qualificados, o Brasil corre o risco de sofrer uma grave estagnação nos níveis de produtividade.

Para mais da metade (52%) das empresas do setor industrial consultadas pela CNI, a má qualidade da educação básica é uma das principais dificuldades para qualificar os funcionários. Os números demonstram isso: 15% das crianças com oito anos ainda não estão alfabetizadas; 9,7% da população com mais de 15 anos é analfabeta; e 31% da população com 35 a 49 anos é analfabeta funcional. O Programa Internacional de Avaliação do Estudante (Pisa) de 2006 listou o Brasil em 49º lugar no teste de leitura e em 52º lugar em ciências, entre 57 países. Em matemática, a situação foi pior: o Brasil ocupou a 54ª posição. Os dados da CNI ainda mostram que o investimento por estudante nos três ciclos da educação básica representa apenas 20% do investimento médio dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde). E, no total, investimos menos do que eles (5,1% do PIB contra 5,3%), que já superaram boa parte dos obstáculos que o Brasil tem pela frente.

Mas não dá para esperar a formação de uma nova geração, pois o problema é contemporâneo. Para se ter uma ideia, a falta de mão de obra qualificada no Brasil tem gerado um aumento significativo nas autorizações de trabalho para estrangeiros. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nos primeiros três meses de 2012, os vistos concedidos a profissionais qualificados em caráter temporário cresceram 33% na comparação com o mesmo período do ano passado. Como reverter essa situação e recuperar décadas de atraso em poucos anos?

A solução para o problema pode estar na ampliação e fortalecimento do ensino técnico e profissionalizante e das graduações de curta duração, que rapidamente podem colocar no mercado profissionais aptos a preencher as vagas existentes. Nos países da Ocde, por exemplo, a média é que 54% dos estudantes do ensino médio estão matriculados em cursos profissionalizantes ou pré-profissionalizantes. No Brasil, esse percentual não chega a 10%. Aqui, as matrículas em cursos superiores de curta duração correspondem a 10% das matrículas nos cursos superiores tradicionais, enquanto na média da Ocde essa proporção sobe para 25%. E, com o auxílio das tecnologias de ensino a distância, o alcance desses cursos torna-se significativamente maior, tanto pela questão geográfica quanto pela liberdade de horários proporcionada aos estudantes. Aprende, Brasil!

Saiba mais sobre este problema e estratégias para superá-lo lendo a reportagem Ponto críticoe conheça as oportunidades decorrentes na reportagem A solução do problema.

Autor

  • Alexsandro Vanin

    Editor-executivo da revista "Empreendedor", função que já desempenhou em outras publicações, como a "Dirigente Lojista" e a "Nexus Ciência & Tecnologia". Como repórter, já trabalhou na "Gazeta Mercantil" em Santa Catarina e, entre outros veículos, também na "Empreendedor", na qual publicou trabalho que recebeu Troféu Destaque no 7º Prêmio Ethos de Jornalismo e outro que venceu o Prêmio Fiesc de Jornalismo de 2014. Colaborou na produção da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2010 e 2011 como especialista brasileiro em empreendedorismo.

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