Energia para crescer bem

Por Alexsandro Vanin 04/10/2012
Por Alexsandro Vanin 04/10/2012

O Brasil possui a matriz energética mais renovável do mundo industrializado com 45,3% de sua produção proveniente de fontes como recursos hídricos, biomassa e etanol, além das energias eólica e solar, conforme dados do Ministério de Minas e Energia (MME). Vale lembrar que a matriz energética mundial é composta por 13% de fontes renováveis no caso de países industrializados, caindo para 6% entre as nações em desenvolvimento. Mas, com o crescimento econômico, populacional e também do acesso à energia, a demanda – tanto empresarial quanto residencial – tem se ampliado consideravelmente. Uma projeção da Agência Internacional de Energia (AIE) estima que até 2035 o consumo brasileiro de energia primária cresça 78%.

Além disso, é preciso diminuir os custos da energia para que as empresas tenham mais competitividade. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) informam que, ao preço médio de R$ 330 por megawatt/hora (o triplo da taxa dos Estados Unidos e Canadá e o dobro da cobrada na China, Coreia do Sul e França), a tarifa de energia elétrica para a indústria no Brasil é a quarta mais cara do mundo – inferior apenas à da Itália, Turquia e República Tcheca. Para Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, uma redução entre 10% e 15% no valor da energia elétrica é um bom número para ajudar a recuperar a competitividade da indústria brasileira.

Tudo isso gerando desenvolvimento social e sem comprometer o meio ambiente, reduzindo significativamente a emissão de gases de efeito estufa. O Brasil, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Copenhague no ano passado, a COP15, se comprometeu a reduzir essas emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020, em relação ao que emitia em 1990. Atualmente o setor energético, da produção ao consumo, responde por 23% dessas emissões no Brasil, índice inferior apenas ao do desmatamento e agropecuária (70%), segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A pergunta que fica é: como superar este desafio? E ainda: que oportunidades de negócio surgem deste desafio? É o que a Revista Empreendedor vai procurar responder. Segundo o livro Perspectivas tecnológicas de energia 2012: caminhos para um sistema de energia limpa, elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE), os investimentos em energias limpas deverão ser duplicados até 2020 para limitar a 2?C o aumento da temperatura global em longo prazo. Os estudos do Plano Decenal de Energia 2020 indicam uma expansão média anual de 12% das fontes alternativas renováveis. Essas fontes e as usinas hidrelétricas são prioridade no horizonte de planejamento, não havendo indicação da utilização de combustível fóssil, destaca o MME – diretriz reafirmada pelo preço competitivo demonstrado nos últimos leilões de energia. De acordo com Moacir Bertol, secretário adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do ministério, a perspectiva do governo para 2020 é que a participação das fontes renováveis evolua para 47,7%, mantendo os altos níveis de uso de hidreletricidade e, simultaneamente, com o crescimento de biomassa, biocombustíveis e energia eólica.

As reportagens da série Energia para crescer bem mostrarão o atual panorama do setor e as perspectivas de desenvolvimento, com base nas políticas e ações do governo e tendências de mercado nacionais e mundiais. O trabalho terá como foco as vantagens sociais, ambientais e econômicas de cada fonte energética e destacará as empresas inovadoras que atuam neste mercado. A primeira parte aborda a energia eólica, fonte alternativa que mais cresce no Brasil. Nas seis edições seguintes serão analisadas a energia solar, biomassa, energia do mar e outras fontes alternativas em pesquisa, energia hidráulica, biocombustíveis e, para finalizar, eficiência energética e redução do desperdício.

Confira a primeira reportagem da série: Campo de gigantes

Autor

  • Alexsandro Vanin

    Editor-executivo da revista "Empreendedor", função que já desempenhou em outras publicações, como a "Dirigente Lojista" e a "Nexus Ciência & Tecnologia". Como repórter, já trabalhou na "Gazeta Mercantil" em Santa Catarina e, entre outros veículos, também na "Empreendedor", na qual publicou trabalho que recebeu Troféu Destaque no 7º Prêmio Ethos de Jornalismo e outro que venceu o Prêmio Fiesc de Jornalismo de 2014. Colaborou na produção da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2010 e 2011 como especialista brasileiro em empreendedorismo.

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