Última edição Edição 262 January 2017 Assine

Jimmy Cygler

O americano deixou as guerras israelenses para começar vida nova no Brasil, onde enfrenta com resiliência as dificuldades de empreender

Raquel Rezende 02/06/2015
Raquel Rezende 02/06/2015

As vivências e experiências do empreendedor Jimmy Cygler demonstram que ele não tem medo. Pelo menos, medo de começar de novo. Depois de ter mudado de país algumas vezes na vida e ter lutado em quatro guerras em Israel, Cygler veio para o Brasil ser empresário. Aos 65 anos de idade, Cygler comanda a empresa Proxis, especializada em contact center multicanal. Mas, até conquistar essa posição, Cygler percorreu um caminho cheio de adversidades, chegou ao Brasil nos anos 1990 com dinheiro suficiente para comer e dormir por apenas 30 dias. Mais tarde, aprendeu português assistindo à novela Tieta, tornou-se professor do MBA Executivo ESPM e ainda escreveu o livro “Quem Mexeu na Minha Vida”, editado pela Campus/Elsevier. Com ousadia e resiliência, valores que acredita que inspiraram sua vida, Cygler fez a sua empresa ser uma das que mais cresce no País.

A vida de Cygler era mesmo para ser intensa. Filho de pai polonês e mãe brasileira, ele nasceu em Nova York (EUA) e chegou a morar cinco anos no Brasil durante a sua infância. Quando completou 13 anos, seu pai revelou que tinha origem judia e mandou Cygler a Israel para trabalhar e juntar dinheiro. No país, Cygler fez faculdade de administração de marketing pela Universitá Haptuhá, foi empresário, casou duas vezes, teve filhos e lutou em quatro guerras. Cansado dos conflitos, decidiu deixar Israel e começar uma vida nova no Brasil.

Cygler lembra que chegou ao Brasil em janeiro de 1990 em uma situação totalmente desfavorável. Ele não tinha diploma universitário expressivo, falava muito pouco português e dispunha de dinheiro suficiente para comer e dormir por 30 dias. Mesmo assim, Cygler – que diz que a necessidade é a “mãe” de todas as soluções – foi pedir emprego a uns empresários que havia conhecido quatro anos antes, quando veio de visita ao Brasil. Esses empresários eram donos da Dynacom, empresa de videogame e eletrônicos, e também de uma subdivisão desta empresa chamada Dynasoft, especializada em software. E, assim, Cygler começou a trabalhar nesta empresa, mesmo sem entender nada de software.

Ele conta que os empresários confiaram a ele a gestão desta microempresa apenas por ele ser judeu e por isso entender muito bem de negócios. Os empresários estavam certos, pois após 16 meses na empresa, Cygler conseguiu elevar o número de clientes de 22 para 70. Porém, mesmo com os resultados positivos, os donos da Dynasoft decidiram fechar a empresa. Diante disso, Cygler fez uma oferta e comprou a empresa. Como empregado da Dynasoft, Cygler recebeu dinheiro da rescisão do contrato de trabalho e com esse dinheiro deu “entrada” na compra da empresa e pagou o restante em 17 parcelas. Dessa maneira, começou a trajetória empresarial de Cygler no Brasil em 1991.

O empreendedor lembra que nessa época, quando começou o negócio no País, ele só via oportunidades. Ele acredita que pelo fato de ser imigrante e estar totalmente fora da sua zona de conforto, não conseguia ver riscos, mas somente perspectivas de crescimento. Com esse pensamento, Cygler partiu para a ação e rebatizou a empresa com o nome Resolve! e difundiu o lema de uma gestão democrática, na qual tinha somente dois cargos: resolvedor ou rua. E até hoje todos os funcionários da sua atual empresa, a Proxis, têm no cartão de visitas o cargo de “resolvedor” registrado. Inclusive, Cygler fala que o funcionário tem a liberdade de escolher entre ser resolvedor ou ir para rua. Com essa atitude, Cygler comanda a Resolve! com êxito e, em 2005, compra outra empresa. Desta vez, a Proxis, empresa de relacionamento de contact center. E hoje, a Proxis por três anos consecutivos figura entre as empresas que mais crescem no Brasil.

Cygler atribui a sua história de sucesso à ousadia e visão. Além disso, ele acredita em trabalhar duro e ter capacidade de execução. “Se existe uma fórmula é esta, não conheço atalhos”, afirma o empresário. Em média, ele realiza 35 reuniões semanais e conta que várias vezes acorda entre três e quatro horas da madrugada para trabalhar. Cygler, que se considera um empreendedor nato, garante que empreender só por necessidade não é uma boa ideia. Pois, segundo ele, o empresário precisa ter muita resiliência e, para isso, necessita ter um espírito empreendedor.

Especialmente, se for empreender no Brasil, que no conceito de Cygler é como “dançar o samba do crioulo doido”, demonstrando completa compreensão da língua e cultura do País. Para Cygler, o empresário no Brasil vive duas situações, uma boa e outra ruim. De um lado, existem grandes oportunidades para quem é bom e sério e de outro existe a gigantesca carga tributária que obriga o empreendedor a fazer um esforço enorme para pagar todos os impostos e se manter dentro da lei. “Empreendedor brasileiro que consegue ter sucesso corretamente passa por uma via dolorosa e só tendo muita resiliência”, destaca.

O que um empreendedor deve fazer: acreditar no sonho, persistir e saber pivotar.

O que não deve fazer: não desanimar jamais, não relaxar e não permanecer na zona de conforto.

1 Comentário

  • elias gonçalves4 de julho de 2015

    perseverança …

Comentar

Os itens com asterisco (*) são obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.