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Claudio Nasajon

Paixão por TI fez empreendedor construir uma das 200 maiores empresas da área no País

Raquel Rezende 04/06/2014
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Raquel Rezende 04/06/2014

por Raquel Rezende (raquel@empreendedor.com.br)

A inspiração para criar o próprio negó­cio chegou cedo na vida de Claudio Nasa­jon. Com apenas 17 anos, em uma visita a uma feira de computação, ele descobriu o que queria fazer na vida. A partir daí, Nasa­jon batalhou para conquistar um lugar no mercado de TIque começava a se desenvol­ver no início dos anos 80. E com o pouco dinheiro que tinha, Nasajon deixou a estabi­lidade do funcionalismo público e fundou a Nasajon Sistemas, que fornece software de gestão para pequenas e médias empresas. Atualmente, a Nasajon Sistemas é uma das 200 maiores empresas de TI do País.

Nasajon conta que se apaixonou pelo conceito de programar computadores e poder ver o resultado do trabalho realizado muito mais rapidamente do que nos proje­tos da faculdade de engenharia, curso que ele fazia. O primeiro passo para ele entrar na área foi dado quando conseguiu uma bolsa para aprender programação. Logo depois, Nasajon começou a atuar como estagiário. E quando se sentiu mais experiente, ofereceu seus serviços como programador freelancer e, a partir disso, foi planejando a criação da Nasajon Sistemas. Ele afirma que o empre­endedorismo está no seu sangue e se tives­se cem oportunidades para repetir a sua trajetória, faria tudo novamente. “Quando penso que eu poderia ser um empregado público, como fizeram muitos dos meus colegas, simplesmente não me reconheço”, afirma.

Na época que ele começou a empresa tudo foi muito difícil. “Não existiam progra­mas de capacitação empreendedora, ace­leradoras de negócios ou capital de risco. Investidor-anjo ou fundos de investimento em startups não faziam parte nem da ficção científica. Tive que pedir dinheiro no ban­co a juros não muito diferentes do que são hoje. Vendi carro, fiz biscates e virei muitas noites para atender aos clientes”, relata. Se­gundo ele, quando olha para trás e pensa naqueles dias do início do negócio, sente-se um sobrevivente. Nasajon lamenta que, ain­da atualmente, as estatísticas de sobrevivên­cia dos negócios não evoluíram muito. Mas, na visão dele, pelo menos há muito mais oportunidade e mais apoio para quem quer empreender, aumentando as chances de ser bem-sucedido.

Para Nasajon, comandar uma empre­sa é sempre difícil. “O mar nunca é calmo. Sempre tem concorrentes, mudanças de legislação, de ambiente, de cultura. Não dá para você ficar parado, mesmo se quiser. O mercado sempre cuida para você nunca fi­car na zona de conforto. Mas eu diria que os primeiros anos são sempre os mais difíceis. É preciso passar da “arrebentação” para que as ondas não te levem de volta à praia”, ana­lisa. Nasajon explica que a empresa quando atinge o equilíbrio operacional, as receitas recorrentes superam as despesas fixas e cada nova venda é para crescer, melhorar produto, aumentar a empresa. “Mas até chegar essa fase, cada dia tem que caçar um elefante para poder sobreviver e aí é difícil pensar em crescimento”, destaca. Ele avalia que as empresas têm o mesmo problema hoje, só que uma startup, por exemplo, pode vender uma parte do capital para um investidor e garantir a sobrevivência de uma forma mais tranquila até atingir o equilíbrio.

Apesar dessa possibilidade que dá apoio ao negócio no início, Nasajon observa que a chance é oferecida para muitas empresas também. “Assim, tem mais gente correndo atrás do mesmo tesouro”, constata. Ele re­corda que quando começou, há 31 anos, não existia tanta facilidade. Mas quem con­seguia sobreviver era visto com respeito e referência no mercado. “Muita gente co­meçava e fechava um ou dois anos depois. Hoje, se você tiver um bom projeto na mão, pode conseguir aporte de capital com certa facilidade. Isso não quer dizer que vá fazer sucesso, mas pelo menos consegue remar tranquilo até passar as ondinhas”, compara. Em seus anos de experiência, Nasajon con­clui que sempre será difícil abrir e gerir um negócio. “Se quiser moleza, arrume um em­prego”, afirma.

E para quem não quer ficar na zona de conforto de um emprego, Nasajon aconse­lha a começar logo a se movimentar. “Não guarde segredo da ideia, todos têm ideias o tempo todo, o que importa não é a ideia e sim a execução”, alerta. Ele comenta que é pouco provável que num planeta com qua­se 8 bilhões de seres pensantes, uma pessoa só tenha uma fantástica ideia. E mesmo se ti­ver, se for o único ser humano vivo a pensar nessa inovadora e fantástica ideia, se conse­guir de fato manter o segredo a sete chaves esperando o momento oportuno para reali­ zar o sonho, a pessoa terá que ter a certeza de que no momento em que vender a pri­meira unidade do que for, todo mundo vai saber e o seu segredo acabará. “Aí, em três meses já haverá concorrentes que oferece­rão algo semelhante, melhor e mais barato. Ideia não vale nada! Se quiser empreender, empreenda. Imperfeito mesmo. Fazendo na mão, sem esperar o motor perfeito, sem ter o design ideal, sem nada do que imagina. Simplesmente faça”, incentiva. Nasajon en­fatiza que o aspirante a empreendedor deve estar sempre atento, buscando clientes po­tenciais, fornecedores e parceiros. “Sinta o que eles pensam e vá modificando a oferta para atendê-los. Em algum momento, você terá sentido o mercado e estará pronto para mostrar a ideia para um investidor con­seguir capital e aí fazer um protótipo para vender de verdade. Não espere, faça. A vida recompensa a ação”, destaca.

A ação para consolidar a marca foi inten­sa para a Nasajon Sistemas ao longo dos úl­timos 30 anos. Com foco em atender micro e pequenas empresas, que são a maioria no País, Nasajon releva que não é fácil atender esse nicho empresarial. “Quem trabalha com MPEs está sempre entre a cruz e a es­pada”, diz. Segundo ele, as MPEs são mais acessíveis, é possível falar com o dono da empresa ou alguém muito perto dele. O ciclo de venda é mais curto, mais ágil. Por outro lado, analisa Nasajon, por definição, MPE é micro e pequena, que é outra forma de dizer que não tem muitos recursos. “En­tão, briga por centavos. Cada real precisa ser justificado, discutido, negociado. Isso desgasta os dois lados. Você precisa sempre brigar pelo preço, o que não é uma estra­tégia de marketing muito interessante sob qualquer aspecto que se estude”, pondera. Nasajon acrescenta também que é necessá­rio estar constantemente de olho nos cus­tos, o que não é fácil quando se estabelece padrões altos de atendimento e qualidade do produto.

E para atender essa dupla demanda, a Nasajon Sistemas planeja atuar no cloud computing (computação nas nuvens). “Va­mos todos para a nuvem. Aí, nesse espaço tão peculiar onde todos se misturam, a ideia é permitir que as MPEs e as grandes empresas possam usufruir de algo básico, mas que é difícil de conseguir: a confiança e a excelência no atendimento”, afirma. A ideia, explica Nasajon, é investir no lança­mento de sistemas na nuvem e criar canais localizados nos diversos municípios para ajudar a instalar e dar suporte técnico com a excelência e o atendimento que fizeram a Nasajon se consolidar ao longo dos anos. Na visão do empresário, quem começa uma nova empresa, uma startup, por definição, tem recursos limitados, então não consegue abraçar o mundo, fazer de tudo, e precisa selecionar bons parceiros. “A Nasajon tem investido em relacionamentos de confian­ça desde a sua fundação e hoje somos re­conhecidos com prêmios como Melhores Empresas para se Trabalhar, mantendo bom relacionamento interno e Melhor Solução de Negócios da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (As­sespro)”, justifica.

A Nasajon Sistemas também faz parte da TIAngels, uma organização que investe e apoia startups de tecnologia (www.tian­gels.com.br), oferecendo vários programas de capacitação profissional, sobretudo, no setor contábil. Além disso, o programa for­nece software gratuito para universidades e capacitação de professores com o intuito de favorecer o empreendedorismo e o desen­volvimento de quem quer criar e desenvol­ver uma empresa. Nasajon conta que, recen­temente, a organização trouxe para o Rio de Janeiro o programa do Founder Institute (www.fi.co), maior programa de aceleração de empresas “idea stage” (estágio de ideia) do mundo. O FIjá formou mais de 800 em­presas de 40 cidades de cinco continentes. “Estou participando de esforços para esta­belecer no Rio de Janeiro o primeiro capí­tulo do FIno Brasil e a Nasajon participará ativamente com oferta de software para os formados”, conta Claudio.

O empresário de TItambém tem um blog (www.claudionasajon.com.br) em que divulga uma ‘Lista de Ferramentas para Em­preendedores’ com o propósito de facilitar a vida de quem lança um novo negócio. “Veja na aba Empreendedores e Ferramentas. Mas acompanhe com frequência, porque a lista é viva, cresce um pouco a cada dia.”

4 Comentários

  • carla lyra5 de fevereiro de 2015

    Adoro seus comentários empreendedores. Estou interessada em fazer o download do novo livro que você indicou hoje na JB FM. Como posso obter?
    Estou abrindo uma loja de café com 2 sócios em Las Vegas, e estou muito interessada em ter um bom diálogo com os novos clientes. Por isso o meu interesse em seu livro.
    Grata

  • carla lyra5 de fevereiro de 2015

    Adoro seus comentários empreendedores. Estou interessada em fazer o download do novo livro que você indicou hoje na JB FM. Como posso obter?
    Estou abrindo uma loja de café com 2 sócios em Las Vegas, e estou muito interessada em ter um bom diálogo com os novos clientes.
    Grata

  • Zenilda Araujo25 de março de 2015

    Boa tarde, gostaria mt de adquirir seu novo livro, como faço para ter essa grande obra em minhas mãos o mais rápido possivel? Muito obrigada, zenilda Araujo.

  • leticia alexandre1 de abril de 2015

    Gosto muito dos seus comentarios na jb-fm ,tenho20 anos, como acabei d ser mamae quero fazer alguma como autonomo,me da algumas dicas quero ter tempo p o bebe tambem…beijos, e muito obrigado!

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