Potencial aumento na Selic não teria impacto forte no setor de construção

O período de fartura do setor imobiliário está com seus dias contados? Qualquer leitura mais superficial da questão acima encontraria embasamento na provável elevação da taxa básica de juro brasileira. Resposta negativa: para os analistas, ainda é cedo para falar em restrição na demanda por imóveis do Brasil.

Para o mercado, sim. A ameaça de aumento da Selic fez investidores se anteciparem e já venderem seus papéis de construção civil. As perdas de dois dígitos dominam as ações de incorporadoras e construtoras em 2008. A reação é um efeito prático a um risco que, no entanto, não representa um perigo relevante ao setor, na opinião de analistas.

Em linha com os contratos do mercado de juros futuros, os analistas do UBS Pactual prevêem uma alta de 2 pontos percentuais na taxa básica de juro brasileira em 2008. E eles mesmos, assim como outros especialistas, concordam não ser esse um fator efetivamente capaz de tornar inviável o financiamento de imóveis.

Demanda

"A demanda é tamanha e o alongamento de prazos é tão significativo que os lançamentos continuarão saindo. Não espero uma retração na demanda por imóveis", afirma o analista chefe da Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa. "É um movimento muito tímido para frear essa indústria", acrescenta.

"A longa trajetória de avanços na estrutura de financiamento através de taxas de juros mais baixas produziram um ambiente confortável, que pode ofuscar temporária e moderadamente um incremento na Selic", avalia o UBS, que vê como excessiva a recente derrocada nos ativos das incorporadoras.

A Selic não é o parâmetro para este tipo de taxa. "E outra, o acréscimo de renda da população de baixa renda – classe C e D -, de certa forma, compensa. A prestação cabendo no orçamento, o cara segue adiante em qualquer desejo de consumo", completa o estrategista da Coinvalores.

Vale destacar que o financiamento imobiliário praticamente não é afetado pela alta de juros, e sim à poupança que é atrelada a TR (Taxa Referencial). Então, o custo de financiamento vai continuar baixo. Em suma, as companhias com maior exposição a clientes da categoria econômica estariam mais protegidas.

Consolidação

Todo esse imbróglio relacionado ao potencial aumento no juro e seu efeito nas ações já acelerou outro debate: consolidação setorial. "A dispersão de múltiplos causada pelas condições atuais do mercado pode facilitar esse fenômeno", interpreta o UBS.

Isso porque uma retração natural em fornecimento de recursos dentro do mercado de capitais cria oportunidades para empresas dotadas de melhor capitalização. A equipe do banco suíço aposta em fusões entre companhias consideradas pequenas e médias.

O desempenho acionário do ramo imobiliário na Bovespa em 2008 tem sido amplamente negativo. O setor é mais sensível à volatilidade nos mercados financeiros e a preocupação sobre crédito em nível mundial. A reduzida liquidez das ações de algumas empresas exacerba a situação adversa. Analistas acreditam na recuperação.

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