Empreendedorismo feminino: Dá para escalar propósito?

Patricia travassos prosa press
*Por Patrícia Travassos é diretora de criação da Prosa Press

Você sabia que mais da metade dos novos negócios abertos no Brasil são criados por mulheres? Mas apenas 4,7% das startups têm uma mulher entre os fundadores? Essa discrepância me intriga, principalmente porque, estudando inovação corporativa há anos, afirmo sem medo de errar que a tecnologia é a maior aliada para o sucesso de qualquer empresa.

Mas o que impede que a mulher se aproxime da tecnologia? E o que o mundo perde com isso? Certamente, perdemos em diversidade de ideias, mas o mundo desperdiça, principalmente, desenvolvimento social. Estudos mostram que quando se investe numa mulher (ou num negócio feminino), cria-se um círculo virtuoso em que a educação dos filhos, o cuidado com os idosos e o bem-estar da família e da comunidade ao redor saem ganhando.

Quanto às razões que afastam a mulher da tecnologia, é fácil encontrar uma lista no Google. Por isso, durante a pré-produção do nosso próximo documentário, “Inovar é um Parto”, nós decidimos investigar justamente o contrário: como as ainda pouco numerosas fundadoras de startup brasileiras se aproximaram de ferramentas digitais para inovar nos seus negócios? E mais: já que o nosso intuito é mostrar exemplos de mulheres que usam a tecnologia para impulsionar seus resultados, decidimos selecionar empreendedoras que têm propósitos transformadores. Nesse processo, conhecemos mulheres que lançam mão da convergência digital para combater da fome à pobreza menstrual.

Sabemos que toda startup nasce para resolver um problema, usando a potência da tecnologia para dar escala e distribuir a solução para o maior número de pessoas possível. Quando essa solução abraça uma causa maior do que o lucro para os acionistas, surge uma energia diferente, que transforma as empreendedoras em verdadeiras ativistas.

A plataforma @Comida Invisível, criada pela advogada Daniela Leite, conecta por geolocalização quem quer doar sobras de alimentos (in natura ou prontos) com ONGs auditadas e cadastradas para receber e distribuir as doações. A iniciativa é certificada pela FAO/ONU, com o selo Save Food.

A @Yuper e a @Fertilid são duas plataformas de educação sobre a saúde íntima feminina que propõem uma mudança cultural. A primeira, criada pela biotecnóloga Elisa Spader, vende e ensina a usar coletores menstruais (feitos de material cirúrgico reciclado) e a segunda, fundada pela publicitária Amanda Sadi, criou um autoexame para a mulher conhecer sua condição ovariana e poder planejar o momento certo para engravidar.

Os exemplos são dos mais variados. Algumas usam inteligência artificial aliada a recursos complexos de programação, mas muitas empreendedoras, como a estilista indígena Day Molina, criadora da marca Nalimo, conseguiram viabilizar suas ideias e espalhar seus discursos (em forma de produto) com o poder do e-commerce e o alcance das redes sociais.

Em comum, essas empreendedoras tinham um incômodo e por meio da tecnologia conseguem ser ouvidas por mais gente, provando que, sim, é possível escalar propósito!
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