O empreendedor que planeja: do suor à vitória, em quatro ciclos

Adonai Zanoni 26/02/2019
Adonai Zanoni 26/02/2019

A percepção de empreender faz parte do DNA humano, como forma de legado, de construir uma história que seja referência para futuras gerações. Para muitas pessoas, a definição de um propósito de vida como forma de transformar o que está à sua volta é a fonte motivadora dos seus desejos e sonhos.

Compreendemos que uma história de sucesso, invariavelmente, leva os empreendedores a desafiarem a si mesmos, superando barreiras na modelagem de projetos, nos limites de conhecimento a respeito do negócio e do mercado, para colocar uma ideia de pé, para vencer a escassez de recursos financeiros ou para executar estratégias consistentes economicamente para convencer investidores, e por vezes, para superar a falta de um time de pessoas qualificado e impregnado de competências básicas para iniciar as demandas planejadas. Para a montagem de um negócio, além de muita inspiração e transpiração – mão na massa – vale também o jargão que o mundo empresarial conhece bem: “não existe almoço grátis”, atribuída ao economista Milton Friedman.

Depois de 25 anos atuando na área de mentoria empresarial, percebi que as empresas passam por períodos de desenvolvimento bem similares, conhecidos por ciclos de maturidade organizacional. Cada ciclo tem um grau de exigência, ferramentas e metodologias de gestão apropriadas, que oferecem sustentabilidade, controle e clareza aos objetivos desenhados na concepção de uma boa ideia. Vamos conhecer estes quatro ciclos e quais os instrumentos adequados para sua implantação.

Ciclo Discovery – Momento de Inspiração

A inspiração é ponto de partida para colocar os seus pensamentos e ideias em prática. Uma ideia inspiradora surge de várias maneiras e cada pessoa é inspirada por alguma motivação específica. Muitas vezes o desejo de contribuir com as pessoas, com o desenvolvimento da sociedade, serve de fonte inspiradora para um empreendedor decidir começar um negócio e a compreender a descoberta de uma oportunidade real. Quanto maior o número de premissas realistas levantadas nesta etapa, menos riscos aparecem. É um momento de buscar inspiração em outros modelos de negócios e conhecer a trilha que muitos empreendedores percorreram, tendo a consciência que experiências podem ser bem ou malsucedidas. A linha entre o fracasso e o sucesso é muito tênue. Deixando de lado o amadorismo e o empirismo, devemos entender que um desejo para ser tornar real, precisa de uma boa dose de realidade. O mundo de Alice fica para a ficção. O mundo corporativo não tolera ilusões. Ideias vitoriosas precisam ter consistência e persistência, delineando qual a melhor estratégia para se atingir o objetivo final. Se prestarmos atenção, perceberemos que os exemplos que nos rodeiam fazem diferença, pois sempre há pessoas e empresas que nos inspiram durante nossas vidas.

 

Ciclo Target – Momento Modelagem

Depois de conceber a ideia, é hora de construir a proposta de valor do negócio. As ferramentas apropriadas para este momento são o Canvas, o Desing Thinking e Desing de serviços, que levam em conta o ponto de vista do cliente, atendendo a uma demanda latente ou que ele busca realmente. Aqui nascem o plano e o modelo de negócios pretendidos. O planejamento estratégico é palavra de ordem e quanto mais detalhista, melhores são as chances de ter êxito. É o desenho de onde queremos chegar. Neste passo não é possível mensurar o tempo ideal para elaborar um bom planejamento, e sim, dedicar máxima atenção à coleta de informações, indicadores de mercado e de experiências com possíveis parceiros, encontrando o ponto de equilíbrio entre a racionalidade e a emoção – colocando em prática o que chamamos de senso de prioridade. Quais as premissas indispensáveis para o bom desempenho de um plano de negócios?

– Conhecimento profundo e experiência reconhecida no setor onde irá atuar;

– Equipe tecnicamente qualificada e com foco em gestão de negócios;

– Planejamento econômico consistente e simulador de negócios com no mínimo três cenários para cinco anos (otimista, realista e mínimo);

– Definição dos principais indicadores de desempenho desejados (OKRs);

– Governança corporativa robusta desde o início da operação – pelo menos um memorando de intenções ou acordo de cotistas;

– Estratégias de relacionamentos com os principais atores do mercado, instituições ligadas ao setor e futuros clientes;

 

Saem na frente aqueles que conseguem enxergar mais longe. Colocar a visão de longo prazo nos projetos, mediante um projeto bem estruturado, facilita enormemente a conquista dos resultados. Planejar não é só vislumbrar o futuro. É também uma forma de assegurar a continuidade do negócio. É levantar os pontos fundamentais, estabelecendo as diretrizes e os objetivos que conduzirão a empresa à excelência em sua área de atuação. Metas alinhadas levam as empresas às grandes conquistas.

 

Ciclo Transition – Momento para transformar

Chegamos ao momento crucial: transformar o plano em ação. Depois de entendermos a fundo todas as necessidades para a concepção do projeto, chegou a hora de colocar em prática tudo o que foi planejado, tendo a disciplina da execução como pilar para o sucesso do projeto. Planejamento, execução e disciplina são palavras-chaves para empreendedores que almejam a vitória em seus planos, independentemente do nível de experiência e complexidade que são exigidos para tanto. Inspirado no livro as ‘4 Disciplinas da Execução’ de Bill Moraes, um conjunto de práticas comprovadas, olhe para o seu plano de negócios e se alinhe estes princípios:

– Foco no que é realmente importante para a viabilização do seu projeto. Deixe de lado aquilo que lhe rouba tempo e dinheiro. Elimine os oportunistas de plantão e os investidores ‘anjos’. Seja implacável e elimine o que não serve;

– Atue nas medidas de direção, compreendendo cada passo da jornada e suas minúcias. Não pule etapas, porém, utilize de forma inteligente o seu tempo dedicado. Siga o senso de prioridade e mantenha em alta o poder de fazer bem feito e de maneira correta, a partir de técnicas de gerenciamento de tempo. Simplifique!

– Defina um placar de indicadores de desempenho envolvente, com o acompanhamento semanal das conquistas e necessidades de melhoria, como forma de atingir a meta planejada. Compartilhe com os membros da sua equipe os resultados positivos e quantos pontos faltam para alcançar a meta desejada;

– Trabalhe o encorajamento, o engajamento e a cooperação, inspirando e liderando com maestria o seu time de talentos profissionais. Mantenha em alta o entusiasmo pelo projeto.

 

Para alinhar suas estratégias de forma adequada, o suficiente para conduzir ao alcance dos objetivos que planejados, muitas empresas utilizam software Project Management, um gerenciador de atividades e definição responsabilidades. Se você prefere algo mais simples, use o aplicativo Meistertask, uma plataforma amigável que tem uma versão básica grátis. Neste caso, construa o seu plano de controle de atividades em três etapas:

– FILA – atividades que estão aguardando o seu início

– FAZENDO – atividades que estão em andamento

– FEITO – atividades concluídas

O aplicativo, 100% on-line, permite que o seu projeto seja acompanhado pelos demais membros da sua equipe, com atualização em tempo real. Simplificar o controle da execução pode significar criar níveis de resolutividade alta, aumentando o desempenho do projeto e diminuindo o seu tempo de conclusão. Também é útil para organizações que procuram um ambiente dinâmico, ágil e estratégico, adotando uma estratégia criativa de execução e de compartilhamento com todos os setores da empres.

 

Ciclo Fullness – Momento do Esplendor

Chegou a hora de brilhar no campo da prosperidade e da abundância. Depois de percorrer conscientemente o caminho de mãos dadas com o planejamento e a disciplina da execução, este ciclo de maturidade empresarial é também conhecido como o ‘poder da vitória’. As experiências acumuladas após anos de dedicação ao negócio criam fontes para irrigar novas ideias, que retroalimentarão o seu projeto inicial. Também é o momento de voltar à origem, com uma nova roupagem, relembrando cuidadosamente os três primeiros ciclos, reconhecendo seus desafios e premissas, repaginando planos, etapas e conceitos, transformando a trajetória em lições aprendidas e legados perpetuados.

Compreendemos que as organizações passam por ciclos de transformação e crescimento constantes. Outras desaparecem sem deixar rastros. Especialistas em gestão identificam vários fatores que são responsáveis pela morte prematura de bons projetos, como a falta de planejamento, de um plano de negócios sólido, indicadores de desempenho inconsistentes (OKRs), governança corporativa frágil, equipe despreparada e falta de conhecimento do setor.

Esse conjunto de conhecimentos, técnicas e competências são necessários, pois, ao longo do tempo as empresas realimentam os seus projetos, quando não muitas vezes projetos simultâneos de diferentes tamanhos e naturezas. Ninguém precisa ser extremamente talentoso para ter sucesso. Tudo o que um empreendedor realmente precisa é descobrir o trabalho que gosta e depois persistir, persistir e persistir. Esse é o único segredo, afirmava Stephen Covey, um dos maiores líderes em gestão empresarial.

Abuse do planejamento, execute com determinação e mantenha um controle eficaz das tarefas programadas. Suas chances de sucesso aumentam significativamente e o seus gestores encontram respostas rápidas diante de situações inesperadas. Inspirar e inovar traz aos predestinados conforto, segurança, realização de sonhos e recompensas pelo seu esforço. Com absoluta certeza, os níveis de inspiração, de motivação e de entusiasmo fortalecerão os seus novos projetos de vida e os novos ciclos que virão.

E isto é muito gratificante para quem deseja empreender.

 

Adonai Zanoni

Mentor Empresarial, Coach e Palestrante

contato@adonaizanoni.com.br

www.adonaizanoni.com.br

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