Do bastidor técnico à mesa de decisão: como mulheres estão influenciando estratégias em mercados-chave do país

Mulheres avançam em mercados historicamente masculinos e ampliam influência em decisões estratégicas

Cada vez mais, mulheres deixam de ocupar apenas funções técnicas para assumir posições de influência em decisões que moldam mercados inteiros — da formulação tributária à infraestrutura, do agronegócio à tecnologia. A atuação feminina passa a integrar conselhos, negociações institucionais e debates que definem rumos econômicos no país.

Esse avanço não é apenas quantitativo, mas estratégico: trata-se de uma presença que impacta planejamento, governança e competitividade. De olho nesse cenário, conheça mulheres que estão influenciando estratégias em mercados-chave:

1. Na linha de frente da reforma tributária
No cenário do direito tributário, Andressa Sehn da Costa, líder da área de entidades no escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados, se destaca por sua atuação estratégica. Ela acompanha de perto as discussões da reforma tributária e orienta empresas sobre os impactos do novo modelo de tributação sobre o consumo.

“A reforma exige das empresas uma revisão estrutural de processos e planejamento. Não se trata apenas de mudança de alíquota, mas de uma reorganização da lógica tributária”, afirma Andressa. Sua presença não é apenas técnica: ela exemplifica como mulheres vêm ocupando posições de decisão que moldam mercados inteiros e influenciam políticas econômicas do país.

2. Ganho de inteligência do backoffice
O backoffice, que vai desde o fiscal até o financeiro, já é reconhecido como um setor estratégico, mas ainda opera com muitos processos manuais, fragmentados e analógicos. Neste sentido, Isis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive, plataforma líder do Contas a Pagar, se destaca por liderar a transformação do segmento, principalmente defendendo o uso inteligente de dados no dia a dia.

“A inteligência artificial poderia agregar valor e reduzir riscos, mas ainda é pouco explorada na rotina. A partir de dados levantados pelo nosso estudo Panorama do Contas a Pagar 2026, divulgado recentemente, enxergamos que os profissionais dessas áreas têm olhado mais para o que aconteceu do que para o que pode acontecer. Isso limita a capacidade de antecipar prejuízos financeiros, multas e fraudes. É necessário mudar o mindset para capturar ganhos de eficiência em larga escala”, defende a especialista.

A liderança de Isis no setor vai além da sua expertise, e se trata de um movimento de destaque em um mercado ainda muito liderado por C-levels homens.

3. Inteligência estratégica no Open Finance
Em um mercado financeiro cada vez mais orientado por dados e regulação, Lígia Lopes, CEO da Teros, plataforma de hiperautomação inteligente para decisões financeiras, se destaca por liderar a transformação estratégica do setor a partir da inteligência aplicada à análise econômica. Na empresa desde 2014, participou da reestruturação para soluções em Open Finance e, mais recentemente, da consolidação de um modelo de plataforma escalável.

“Cada mudança exigiu repensar processos, estrutura e a forma de gerar valor para o cliente. A cultura desses ambientes costuma refletir um grupo majoritariamente masculino, na linguagem, nos códigos e até no jeito de se posicionar. No começo, me esforcei para caber ali. Ao mesmo tempo, procurei não abrir mão da minha feminilidade e da minha forma de liderar, e esse equilíbrio me permitiu crescer com autenticidade”, compartilha.

Sua atuação conecta tecnologia, estratégia e competitividade em um segmento historicamente liderado por homens, ampliando o protagonismo feminino nas decisões que moldam o mercado financeiro.

4. IA no mercado segurador
Em um setor em que a inteligência artificial deixou de ser um diferencial para se tornar infraestrutura estratégica, Camila Kataguiri, CEO da Pier, seguradora com o objetivo de mudar a relação dos brasileiros com os seguros e pioneira no uso de IA no mercado, conduz a companhia a partir de uma lógica orientada por dados e agentes proprietários de IA. Camila ingressou na Pier em 2022 como COO, estruturou a operação e preparou a empresa para escalar de R$ 30 milhões de faturamento em 2021 para R$ 250 milhões em 2025. Nesse processo, fortaleceu sistemas proprietários como o Pier Bolt e escalou o Pier Scan.

Enquanto o Pier Bolt viabiliza o reembolso instantâneo no seguro celular, considerado o mais rápido do mercado, o Pier Scan aplica IA na etapa de vistoria de seguro automóvel, concluindo o processo em menos de um minuto. “A inteligência artificial precisa orientar a estratégia, da definição de preço ao reembolso, utilizando dados comportamentais, tecnologia e modelos preditivos para avaliar risco de forma mais individualizada”, afirma. Sua atuação evidencia como mulheres têm ocupado a mesa de decisão em um mercado ainda predominantemente masculino, influenciando de forma concreta a incorporação de IA nas estratégias de crescimento do setor segurador.

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