Na palma da mão, o golpe do tenista Novak Djokovic e o seu jogo de vida e morte

Tenista Novak Djokovic

No tênis de campo tem um golpe que é importante para quem ataca e para quem se defende. O nome desse golpe pode parecer estranho:  Forehand. Se trata de uma palavra que não tem uma tradução no pé da letra. Mas significa algo como fazer uma jogada, não com a raquete em si, mas com a própria  “palma da mão.  Este golpe é também chamado de ”Driver de direita”. O tenista que domina, tem controle desses golpes, no ataque e na defesa, ganha o jogo.

O sérvio nascido em Belgrado, Novak Djokovic, 35 anos, o tenista número 1 da atualidade e que já assegura o posto de um dos melhores da história desse esporte, usa esse poderoso golpe com a palma da mão como poucos no momento. O ataque e a defesa com precisão garantiu a ele um valor recorde, só em prêmios por conquistas,superior a 100 milhões de dólares.

Djokovic estava desde o início desse mês na Austrália, onde disputaria a partir dessa segunda-feira até 30 de janeiro,  o primeiro Grand Slam da temporada. Mas pelo regulamento do torneio e pelas leis do estado de Victória, cuja capital é Melbourne, sede do torneio, só pode entrar em quadra quem apresentar atestado de duas vacinascontra o Covid 19.  

Já na entrada da Austrália o sérvio foi barrado por não apresentar o atestado de vacina e acabou sendo isolado num hotel, nas imediações do aeroporto, para refugiados ou pessoas com algumproblema de imigração. Recorreu na justiça australiana e neste domingo, horário brasileiro, saiu a decisão unânime de três juízes para ele não participar do torneio e ser de imediato deportado da Austrália.

Novak Djokovic deve entrar na galeria dos “heróis” contra a vacina. Se junta a ele outro tenista, o francês Pierre Hugues Herbert que desistiu de participar do torneio da Austrália quando soube que teria de apresentar o atestadosdas vacinas.

O tênis de campo individual é um esporte único. Dentro de uma quadra, os dois adversáriosdurante todo o jogo estão na maior parte do tempo longe um do outro. Em grande parte do jogo cada um está no fundo da sua metade da quadra, bem longe um do outro.  Mas para os dois estarem ali na quadra, embora longe um do outro, com muito pouca chance de contaminação de qualquer vírus,de um para o outro, a arquibancada muitas vezes está cheia de pessoas, uma encostada na outra.  Ele mesmo organizou uma série de exibições de tênis na Croácia e na Sérvia, em junho de 2020, já com a pandemia em escala por esses países.

O Gran Slam da Austrália, depois de todo o embate jurídico, não seria um simples torneio para Novak Djokovic, embora enfrentaria adversáriosque na grande maioria conhece, jogou e ganhou deles. Se ele entrasse em quadra dessa vez, certamente com sangue nos olhos, ganharia o torneio.

Mas nesse torneio e daqui para frente, vai estar no seu placar, a reputação como esportista, a afetiva preocupação com a saúde de outras pessoas, a sua generosidade humana, no meio de uma pandemia que já matou perto de 6 milhões de pessoas (só no Brasil mais de 620 mil). Numa pandemia que ainda está em curso, com o alerta da Organização Mundial da Saúde que dos contaminados que estão em estado grave nos hospitais em todo mundo, uma média de 84% não completaram as doses de vacinas.

Mesmo que entrasse na quadra da bela cidade de Melbourne para usar o seu milagroso Forehand, o golpe de palma de mão, Novak Djokovic perderia o jogo contra a vida.

Acari Amorim

Acari Amorim

Jornalista com larga experiência profissional.Foi repórter especial da Veja, editor de economia no O Globo, no Rio de Janeiro. Também integrou equipe de editores dos jornais da RBS. Fundador e diretor geral da Empreendedor

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