O casamento com pétalas de rosas e a placa de alerta na beira da estrada

chuva de pétalas noivos

Meninas e meninos jogam pétalas de rosas vermelhas, amarelas e brancas para o alto na porta de saída da capela toda de pedra de uma conhecida vinícola do sul. Eis que surgem os noivos, abraçados, sorridentes, trocam um beijo antes de passar por baixo da nuvem colorida e perfumada. Agora são casados, juraram eterno amor, numa trégua, definitiva ou passageira, da pandemia.

Despois de quase dois anos de espera pelo dia do “sim”, no momento que os noivos deixavam a capela de carro,  com o barulho de latas amarradas nos para-choques, a caminho da recepção festiva no clube local, mais de 614 mil brasileiros tinham ficado para trás,  no redemoinho mortífero da falta de coordenação nacional por parte do governo federal, negligência e incompetência para gerir uma pandemia, o que resultou no atraso da compra de vacinas e até na falta de tubos de oxigênio  em hospitais, na maior ocorrência em Manaus.

O casamento, uma celebração a vida, na aconchegante capela, só foi possível com a drástica redução das contaminações e internações hospitalares da pandemia em todo o país, graças a aplicação maciça de vacinas. No momento do casamento, nada menos de 300 milhões de vacinas foram aplicadas no Brasil, referentes à primeira, à segunda e à terceira dose.

Apesar da propaganda negacionista, o brasileiro corre ainda hoje para os postos de vacinação. Mais de 70% da população já tomou a primeira dose. Com a segunda dose, hoje soma mais de 60% da população.

No percurso do carro dos noivos para a festa de casamento, apareceu na beira da estrada uma placa com a frase de alerta e que chama a atenção de todos: “Cuide-se. A pandemia não acabou”.

Sim, a pandemia não acabou ainda. A cada dia são registradas mortes por essa doença em todo o mundo. Em diferentes países da Europa, voltam a crescer os casos de contaminação, internações e mortes pelo coronavírus, com a aplicação de medidas restritivas, inclusive com o lockdown, fechamento completo das atividades não essenciais.  Da África do Sul surge agora a nova variante de nome “Ômicron”, que já contaminou nove países diferentes e cria um novo temor mundial. Então ainda valem todos cuidados de higiene, uso de máscara em ambientes fechados e sem perda de tempo completar as doses de vacinação.

Só assim, em mais portas de capelas e igrejas, após o casamento dos noivos, meninas e meninas vão jogar para o alto pétalas de rosas coloridas e perfumadas.

 

 

Acari Amorim

Acari Amorim

Jornalista com larga experiência profissional.Foi repórter especial da Veja, editor de economia no O Globo, no Rio de Janeiro. Também integrou equipe de editores dos jornais da RBS. Fundador e diretor geral da Empreendedor

Ver todos os artigos
Facebook
Twitter
LinkedIn