Picos de golpes no último trimestre do ano passado são resultado da melhoria na troca de informações do setor, otimizando o combate a golpes e contas suspeitas no país
Segundo levantamento da Quod, datatech que transforma dados em inteligência, no ano de 2025, foram identificadas 12 milhões de indícios de fraudes (suspeitas e confirmadas). Os números integram a RUFRA (Registro ou Repositório Unificado de Fraudes), base antifraude compartilhada pelo mercado financeiro que consolida registros de golpes, contas suspeitas e padrões de comportamento associados a crimes financeiros.
Embora o primeiro trimestre de 2025 tenha apresentado queda e o segundo e terceiro registrado altas mais sutis em relação a 2024, o período final do ano concentrou o maior montante de ocorrências, com picos em outubro (2 milhões), novembro (1,8 milhão) e dezembro (1,8 milhão). Essa ascensão nos índices de 2025, frente aos intervalos anteriores, decorre, principalmente, pelo aumento significativo no volume de informações compartilhadas pelas principais instituições financeiras via RUFRA. Ou seja, o movimento responde à resolução 501 do Banco Central, em vigor desde outubro de 2025, e que conferiu maior robustez às trocas de dados no setor, otimizando a identificação de atividades ilícitas.
Nesse contexto, os dados da Quod também revelam que 86% dos golpes são registrados em aparelhos celulares e a maior parte, foram aplicados por meio de conta corrente (94%) com técnicas de engenharia social – ou seja, a manipulação da vítima para revelar informações sensíveis. Sobre o perfil demográfico, há maior incidência entre os jovens de 18 a 34 anos (47% do total). Não há grande distinção de gênero – 48% das vítimas são mulheres e 50% são homens – e 39% desse grupo recebem até um salário-mínimo.
O problema também é recorrente: mais de 1,2 milhão de pessoas sofreram com fraudes sucessivas em 2025, ou seja, foram afetadas por algum golpe mais de uma vez no ano.
Como explica Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod,”as fraudes são um problema prevalente no Brasil, que vem ganhando mais complexidade na medida que as técnicas para a aplicação desses crimes evoluem. Isso exige que as medidas de prevenção das instituições financeiras também acompanhem esse ritmo. Diante disso, o aumento dos registros em 2025 também é fruto da evolução da base dados, que se torna mais robusta com a participação de novas instituições financeiras e as novas medidas do regulador, contribuindo assim para que a prevenção e combate de forma ágil e assertiva”, explica.
Há também uma prevalência das contas laranja, artifício no qual uma conta bancária é registrada em nome de uma pessoa que cede seus dados — muitas vezes em troca de dinheiro fácil ou sem entender os riscos — para que terceiros realizem movimentações financeiras irregulares. Mais de 775 mil indivíduos foram afetados.
O estudo também revela a estratégia de longo prazo dos criminosos: 96% das contas utilizadas para este fim possuem mais de um ano de relacionamento com o banco. Destas, 37% pertencem a clientes com mais de seis anos.
“Esse número nos mostra que as fraudes passam por questões sociais e culturais. Percebemos aqui a construção do relacionamento com a instituição financeira antes da aplicação dos golpes e a possibilidade de aliciamento de pessoas que até então tinham histórico bancário limpo. Nesse cenário, a tecnologia é uma grande aliada para prever comportamentos em tempo real, protegendo as instituições e os indivíduos, mas a educação financeira é o que permite ao cidadão identificar o perigo antes de fornecer qualquer informação sensível”, alerta o especialista.



