Com 79% das famílias endividadas, Rafaela Cavalcanti (foto em destaque), CEO da CloQ, defende uso planejado do crédito aliado à tecnologia e educação financeira
Em um cenário de alto endividamento no país, o crédito tem sido frequentemente associado ao aumento da inadimplência. No entanto, além dos desafios de acesso ao crédito no país, a forma como ele é ofertado aos consumidores também têm papel relevante no avanço da inadimplência. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, cerca de 79% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, sendo o cartão de crédito responsável por aproximadamente 85% dos casos, o que reforça o peso das decisões de consumo no orçamento.
“O crédito quando utilizado de forma planejada e alinhada à realidade financeira do consumidor, pode ser uma ferramenta importante de organização e até de construção de histórico financeiro. A inadimplência está muito mais relacionada ao uso descontrolado e à falta de informação do que ao crédito em si”, afirma Rafaela Cavalcanti, CEO e cofundadora da CloQ, fintech de impacto social que auxilia brasileiros a construírem um histórico de crédito positivo.
O avanço das fintechs e das soluções baseadas em tecnologia tem contribuído para transformar esse cenário. De acordo com levantamento da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), o volume concedido por fintechs de crédito no país chegou a R$ 35,5 bilhões em 2024, refletindo o crescimento de modelos mais ágeis. Nesse contexto, o uso de inteligência artificial e dados alternativos tem permitido análises mais cuidadosas, ajudando a evitar a concessão de crédito acima da capacidade de pagamento do consumidor.
Ao mesmo tempo, cresce a relevância de iniciativas que combinam acesso ao crédito com educação financeira. Modelos que trabalham com limites progressivos, acompanhamento de comportamento e comunicação simplificada tendem a incentivar decisões mais conscientes, especialmente entre públicos que estão tendo seu primeiro contato com o sistema financeiro formal.
“Mais do que ampliar o acesso, é fundamental garantir que esse crédito seja sustentável ao longo do tempo. Isso passa por oferecer o crédito apenas quando necessário, ferramentas, informação e limites adequados para que o consumidor consiga usar o recurso a seu favor, sem comprometer sua saúde financeira. O crédito consciente é um aliado quando bem utilizado e pode ser um passo importante para a inclusão financeira”, conclui a CEO da CloQ.



