Juros, digitalização e mudança de comportamento do consumidor redesenham o mercado de crédito no Brasil
O mercado brasileiro de crédito entra em 2026 em um cenário de transição. Após um período de forte demanda em 2024 e 2025, impulsionado pela necessidade de reorganização financeira das famílias e pela digitalização dos serviços financeiros, a expectativa é de crescimento mais moderado, porém consistente. Projeções da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que a carteira de crédito deve crescer cerca de 8,2% em 2026, refletindo a cautela das instituições diante de juros ainda elevados, mas sem interromper a oferta de crédito ao consumidor.
“O crédito segue sendo um pilar central da vida financeira dos brasileiros. Mesmo em um ambiente mais desafiador, as pessoas continuam buscando soluções para equilibrar suas finanças e viabilizar projetos. O que muda é o nível de exigência: o consumidor está mais atento às condições, à transparência e ao impacto do crédito no seu planejamento de longo prazo”, analisa Rafa Cavalcanti, CEO da CloQ, startup especializada em análise de crédito e uso de dados alternativos.
Nesse contexto, a empreendedora destaca as principais tendências que devem marcar o setor de crédito e finanças pessoais no Brasil em 2026:
1. Crescimento do crédito com foco em sustentabilidade financeira
Em 2026, a expansão do crédito tende a seguir em ritmo mais controlado, com instituições financeiras priorizando qualidade da carteira e relacionamento de longo prazo com o consumidor. O foco deixa de ser apenas volume concedido e passa a considerar a capacidade real de pagamento, o histórico financeiro e o impacto do crédito na saúde financeira das famílias. Esse movimento também responde a um consumidor mais atento, que busca crédito de forma estratégica, seja para reorganizar dívidas, seja para viabilizar projetos específicos, evitando o endividamento desordenado.
2. Tecnologia e dados no centro da análise de crédito
O uso de inteligência artificial, modelos preditivos e dados abertos deve se intensificar em 2026, transformando a forma como o risco é avaliado no Brasil. A análise baseada apenas em score tradicional tende a necessitar suporte de modelos mais completos, que consideram também movimentações em diferentes instituições, comportamento, e outros fatores não financeiros. Isso amplia a precisão das decisões, reduz fraudes e abre espaço para a inclusão de consumidores que antes ficavam à margem do sistema financeiro.
3. Educação financeira como pilar estratégico das empresas de crédito
A educação financeira deixa de ser apenas uma ação institucional e passa a integrar a estratégia de negócios. Em um cenário de maior conscientização do consumidor, empresas que oferecem conteúdos claros, simuladores, ferramentas de planejamento e orientação prática tendem a se diferenciar. Em 2026, o crédito passa a ser acompanhado de informação, ajudando o consumidor a entender custos, prazos e impactos das decisões financeiras no médio e longo prazo.
4. Personalização da oferta e da experiência do cliente
Produtos de crédito cada vez mais personalizados devem se consolidar como tendência. Com o avanço da tecnologia, as ofertas passam a ser moldadas de acordo com o perfil financeiro, o momento de vida e os objetivos do cliente. Isso inclui limites mais adequados, prazos flexíveis e condições alinhadas à realidade de cada consumidor. A experiência do usuário também ganha relevância, com processos mais simples, digitais e transparentes, reduzindo fricções e aumentando a confiança.
5. Ampliação da inclusão financeira por meio de soluções digitais
A inclusão financeira segue como um dos principais vetores de crescimento do setor, em busca de novos clientes. Em 2026, soluções digitais devem ampliar o acesso ao crédito para públicos historicamente subatendidos, como autônomos, microempreendedores e trabalhadores informais. A combinação de tecnologia, análise de dados alternativos e canais digitais reduz barreiras burocráticas e permite que mais brasileiros acessem crédito formal de maneira responsável.
6. Integração do crédito com serviços de gestão financeira
Outra tendência relevante é a oferta de produtos híbridos, que combinam crédito com ferramentas de controle financeiro, acompanhamento de gastos e planejamento. Em vez de atuar de forma isolada, o crédito passa a fazer parte de um ecossistema financeiro mais amplo, incentivando o uso consciente e fortalecendo o vínculo entre empresas e consumidores ao longo do tempo.
“O futuro do crédito no Brasil não está apenas em conceder recursos, mas em oferecer soluções que façam sentido para a realidade de cada pessoa. Em 2026, veremos um setor mais tecnológico, mais educativo e mais comprometido com a saúde financeira dos consumidores”, destaca a CEO da CloQ.



