Blue Tree quer dobrar número de hotéis até 2010

A rede Blue Tree, hoje dona de 25 hotéis no Brasil e na Argentina, planeja dobrar de tamanho até 2010, em meio ao crescimento da economia do país, e vai se expandir para outras nações sul-americanas como Chile e Peru, disse à Reuters a presidente da empresa, Chieko Aoki.

De acordo com ela, essa expansão também se deve à falta de leitos em grandes regiões metropolitanas e à necessidade de investimento em hotéis voltados para negócios em cidades de médio porte, como São José dos Campos, onde está a fábrica da Embraer, ou Rio Verde (GO), região de agronegócio.

Até 2010 serão pelo menos mais 24 hotéis, sendo quatro no Brasil, e 20 divididos entre Argentina, Chile e Peru, a maioria deles de modelo mais turístico do que o aplicado na maioria dos empreendimentos do Blue Tree no Brasil, disse a executiva.

Esse plano deve ir adiante, segundo ela, apesar da crise imobiliária norte-americana, que também afeta os investidores estrangeiros, em especial portugueses e espanhóis, que ajudam a sustentar o crescimento da rede de hotéis quatro estrelas.

"O Brasil ainda precisa de mercado para hotéis de negócios, é essa a necessidade maior… Em São Paulo já faltam hotéis e se isso não mudar daqui cinco anos vai faltar lugar na cidade. Tem de expandir mesmo", disse Aoki, 59, em entrevista à Reuters em um dos hotéis da rede, na capital paulista.

Conhecida como rainha da hotelaria no país, a nipo-brasileira nascida em Fukuoka diz que o setor está entrando em um novo momento, no qual os pólos industriais que aceleram a economia chamam as acomodações que ela fornece.

"Estamos ligados a onde a economia está crescendo. Isso está acontecendo no Paraná, em Rondônia, em lugares onde você nem imaginava", comentou a executiva, que fundou a rede em 1992, depois de uma passagem pela cadeia de hotéis Ceasar Park.

Hoje, a Blue Tree é dona de dois hotéis na Argentina –em Buenos Aires e em Bariloche. Para os próximos anos a expectativa é de ampliar a atuação na América do Sul, em um formato mais voltado ao turismo do que aos negócios, que é o nicho do grupo no Brasil.

Para além de 2010, afirma a executiva, a rede estará atenta a oportunidades em países vizinhos ao Brasil e a cidades que serão sedes da Copa do Mundo de 2014.

Novos Negócios

A boa fase dos hotéis e restaurantes que gerencia levou Aoki a investir em uma nova atividade: fornecer gastronomia de qualidade em hospitais. O primeiro deles será o São Luiz, em São Paulo.

"Nós montamos um cardápio que o paciente recebe no hospital como se estivesse no restaurante do hotel. Temos 37 tipos diferentes de dietas e operacionalizamos isso na hora certa… transpusemos a hospitalidade da hotelaria para o hospital."

Ela afirma que o sucesso da rede de hotéis quatro estrelas se deve "a uma aliança entre a técnica e o coração", o que surge da conciliação da cultura oriental com a brasileira.

"Para mim ter MBA (mestrado em administração de negócios) é importante. Mas mais importante é a pessoa saber resolver problemas… o dia-a-dia é de quem consegue os resultados. É essa a nossa filosofia", afirma Aoki, formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), em administração de empresas pela japonesa Sophia Uni e em hotelaria por Cornell, nos EUA.

Influente na colônia japonesa no Brasil, que neste ano celebra os 100 anos de imigração entre os dois países, Aoki diz que é mais fácil ter êxito como mulher de negócios no país onde vive desde os sete anos de idade do que na nação de onde os seus pais saíram e onde o marido ainda vive.

"É muito mais fácil por aqui", diverte-se. "O homem ocidental tem aquela coisa do estereótipo do macho, mas sabe te elogiar, falar que você está bonita sem misturar as coisas, sabe reconhecer o valor de quem traz resultado. No Japão, às vezes os homens nem te consideram. Nisso o Brasil está à frente", diz Aoki.

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