Sem conseguir um acordo entre as partes, a Vale (VALE5) anunciou que encerrou as negociações para compra da Xstrata. No entanto, as regras comerciais inglesas permitem que as conversas sejam retomadas em seis meses.
No curto prazo, a notícia traz alívio para investidores, uma vez que diminui o risco de endividamento da mineradora brasileira. No entanto, a compra poderia alçá-la a maior do mundo no setor, o que não deixa de ser favorável. Esse é consenso entre analistas, que continuam apostando na exposição aos papéis da Vale.
Manutenção do investment grade
Para o analista Alan Cardoso da Prosper Corretora, a atitude da Vale a beneficia em curto prazo, uma vez que o cancelamento da aquisição diminui o seu risco de endividamento e também demonstra que "a companhia segue fielmente uma política de somente efetivar aquisições que sejam agregadoras de valor para o acionista".
Cardoso acha que as negociações podem ser retomadas, pois a compra beneficiaria os acionistas minoritários da Xstrata, que devem pressionar neste sentido a controladora Glencore, principal entrave da transação.
A Planner divulgou análise corroborando esta visão "O timing da aquisição não era o mais apropriado, uma vez que existem grandes incertezas em relação ao desempenho da economia mundial". Após a notícia, a corretora mantém a recomendação de compra para a Vale.
O Unibanco também prevê um impacto positivo em curto prazo sobre as ações da Vale, uma vez que a compra eminente impediu que os papéis refletissem o recente aumento nos preços de minério de ferro. O Unibanco considera os bons fundamentos da companhia brasileira, com projeções de crescimento de 9,7% no Ebitda (resultado operacional de geração de caixa) em 2008, para reiterar sua recomendação de compra.
Ecoando as avaliações positivas, o relatório da Ativa afirma que o fim das negociações "tira um importante peso sobre as ações da companhia, que vinham sendo penalizadas, em parte, pela expectativa de elevação da alavancagem financeira da companhia (…) e o conseqüente risco de perda do investment grade". A corretora acredita que agora se abriu espaço para as ações refletirem a forte demanda mundial por commodities.
Aquisição pode ser benéfica
A opinião da Brascan Corretora fecha o consenso de que agora acionistas e investidores da Vale podem ter maior tranqüilidade. A aquisição da Xstrata traria riscos para a mineradora brasileira, aponta a Brascan, entre eles o já citado endividamento, além de uma possível diminuição na margem operacional, maior volatilidade para as ações e grande incerteza em relação aos volumes de vendas, dado ao agravamento da crise nos EUA.
Por outro lado, a equipe da corretora vê benefícios a serem alcançados em médio e longo prazos com a compra da Xstrata, tais como diversificação de produtos, aquisição da carteira de clientes da rival, maior participação no mercado de níquel e ganhos de sinergia. Entretanto, mesmo sem a compra efetivada, o reajuste nos preços de minério de ferro levam a corretora a atualizar o preço-alvo dos papéis da empresa para R$ 74,09, upside de 55,7% sobre o último fechamento, e classificá-los como ouperform (acima da média do mercado).