As decisões estratégicas e os desafios silenciosos que sustentam o crescimento dos negócios liderados por mulheres
O empreendedorismo feminino no Brasil cresce em número, visibilidade e impacto — mas esse avanço esconde um lado pouco debatido: o das decisões difíceis que sustentam o crescimento em um ambiente ainda profundamente desigual. Dados do Sebrae mostram que, embora mais mulheres estejam à frente de negócios, elas seguem enfrentando barreiras estruturais relevantes. A desigualdade de renda persiste como um dos principais desafios: mulheres empreendedoras ganham, em média, 24,4% menos que os homens e apenas 12,5% ocupam a posição de empregadoras, o que evidencia as dificuldades para escalar operações e gerar emprego.
Entender esse cenário é essencial para ampliar o debate para além do empreendedorismo feminino em si, trata-se de falar sobre crescimento sustentável, diversidade econômica e desenvolvimento real no país. Nesse contexto, ganham destaque as decisões difíceis, muitas vezes invisíveis, que sustentam esse crescimento no dia a dia das empreendedoras. Veja o que dizem algumas mulheres que lideram o empreendedorismo no Brasil:
1. Para Michelle Oliveira (foto em destaque), cofundadora e COO da Digital Manager Guru:
“Na Guru, temos o compromisso de guiar os nossos clientes para resultados concretos e sustentáveis. Quando fundamos a empresa, tomamos uma decisão clara: não ser uma cópia do que já existia. A ideia sempre foi lançar funcionalidades não apenas melhores, mas que transformam conceitos que comprovadamente não funcionavam nos métodos tradicionais, e tem dado muito certo. Como mulher na área de tecnologia e em cargo de liderança, sei da importância de abrir caminhos e inspirar outras mulheres a ocuparem espaços estratégicos. Hoje, lidero com a convicção de que as mulheres, com suas múltiplas habilidades e perspectivas únicas, têm um papel crucial a desempenhar nesse cenário, e quero que elas se sintam cada vez mais encorajadas a assumir posições de protagonismo no setor.”
2. Para Bárbara Vallim, CEO e fundadora da Hera.Build:
“Como empreendedora em tecnologia, sinto diariamente o peso das barreiras estruturais que muitas mulheres enfrentam, especialmente em setores de alta inovação. Decisões difíceis, como investir em tecnologia de ponta ou educar o mercado sobre o valor da inteligência artificial, demandam coragem e persistência. Mas acredito que ampliar o acesso à tecnologia e democratizar o uso de IA é uma forma concreta de empoderar mais mulheres a tomar decisões estratégicas com dados e visão, impulsionando crescimento e competitividade em um ecossistema mais diverso.”
3. Para Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude:
“O maior desafio de empreender na área da saúde mental foi, sem dúvida, romper com o estigma e a falta de prioridade que o tema historicamente teve dentro das empresas. Quando começamos, há nove anos, a saúde mental ainda era vista como um tabu no ambiente corporativo. Era comum que as lideranças enxergassem o cuidado psicológico como um benefício secundário ou, pior, um tema delicado que não deveria ser discutido abertamente. Havia pouca conscientização sobre o impacto real da saúde mental na produtividade, no engajamento e na retenção de talentos. Além disso, enfrentei obstáculos significativos relacionados ao acesso a investimentos como mulher empreendedora. O ecossistema de startups no Brasil ainda apresenta uma disparidade de gênero marcante.”
4. Para Tatyane Luncah, CEO e fundadora da EBEM:
“Empreender como mulher em solo brasileiro é um exercício constante de resiliência e visão estratégica. A cada desafio, seja estruturar uma equipe, acessar crédito ou escalar um negócio, sentimos na pele as desigualdades que ainda persistem no mercado. Mas é justamente essa realidade que nos impele a fortalecer redes de apoio, educação empreendedora e competências que gerem impacto sustentável. Nós não apenas construímos negócios, transformamos vidas e inspiramos outras mulheres a sonhar e realizar de forma concreta.”



