Por que 2026 exige decisões mais rápidas dos empreendedores brasileiros

Reforma tributária, Copa do Mundo e eleições pressionam o caixa e tornam a eficiência operacional prioridade, revela a professora e fundadora da EBEM

O ano de 2026 promete ser um verdadeiro teste de resistência para o empreendedorismo brasileiro. Pela primeira vez, o país enfrentará simultaneamente três fatores de alto impacto no ambiente de negócios: a implementação da Reforma Tributária, uma Copa do Mundo expandida, e o clima polarizado das eleições presidenciais. Para Tatyane Luncah (foto em destaque), CEO e fundadora da EBEM, Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino, essa combinação cria a “tempestade perfeita” que exige planejamento antecipado e mudança de mentalidade.

Segundo Tatyane, o maior risco em cenários como esse é a chamada “procrastinação estratégica”, quando líderes adiam decisões importantes à espera de definições externas, como o resultado das eleições ou o desempenho do Brasil na Copa. “2026 não é um ano para amadores. Pela primeira vez, o calendário concentra forças que podem ser o pesadelo de qualquer fluxo de caixa despreparado”, alerta.

Diante da incerteza, muitos empreendedores têm questionado se o melhor caminho seria pausar investimentos. A resposta da especialista é direta: “O país não para, ele apenas muda de frequência. Se você não ajustar o seu rádio, vai ouvir apenas ruído, enquanto sua concorrência já está sintonizada no lucro.”

Para atravessar o período com segurança, e até crescer, Tatyane aponta o primeiro semestre como uma “janela de ouro” para geração de caixa. A recomendação é concentrar campanhas de vendas, renovações de contratos e negociações estratégicas entre março e maio, garantindo fôlego financeiro para os meses de junho e julho, tradicionalmente impactados por feriados e pausas comerciais, sazonalidade e dispersão do consumo causada pela Copa do Mundo.

Além do calendário, a gestão de custos e margens será decisiva. Em um contexto de possíveis oscilações de juros e inflação, faturar alto com margem baixa pode se tornar um risco grave. “A instabilidade gera o que eu chamo de ‘paralisia por comparação’. Enquanto o mercado discute política e resultados de jogos nos grupos de WhatsApp, a empresária de alta performance precisa olhar para o único dado que realmente controla: a eficiência operacional do seu negócio”, afirma.

Embora grandes marcas devam direcionar orçamentos milionários para campanhas genéricas associadas à Copa do Mundo, a especialista vê nesse movimento uma oportunidade pouco explorada para negócios menores e médios. “Onde a maioria enxerga distração, eu enxergo vácuo de mercado. O consumidor estará exausto de ruído e promessas vazias. Ele vai buscar produtos e companhias que transmitam segurança, previsibilidade e soluções práticas para o dia a dia”, complementa.

Ainda para a fundadora da EBEM, organizações que conseguirem se posicionar como verdadeiro “porto seguro” tendem a ganhar a fidelidade de um público negligenciado pela concorrência focada apenas em visibilidade. “Enquanto muitos estarão ‘assistindo ao jogo’, outros estarão construindo relacionamento e recorrência”, reforça.

Para a profissional, a principal recomendação é blindar o que já foi construído, evitando tanto a euforia quanto o medo provocados pelas manchetes. “A liderança em 2026 será medida pela capacidade de planejar o pior cenário para conseguir executar o melhor. O mercado pode estar em campo ou nas urnas, mas o faturamento precisa estar sempre sob controle”, conclui Tatyane.

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