Negócio inovador cresce e gera impacto positivo na mobilidade

Mariana Malveira é formada em Design e é empreendedora. Ela fundou a DeÔnibus, um dos principais marketplaces de passagens rodoviárias do Brasil.

Nessa jornada há 10 anos, a empresária juntou-se ao irmão para tornar a experiência do viajante rodoviário única e gerando impacto positivo no mercado brasileiro de mobilidade. Mariana é inspiração para mulheres que sonham em empreender e concedeu mais uma vez entrevista a Empreendedor para contar sua trajetória e os desafios encontrados.

  1. Quais os desafios de empreender?

Aprender e fazer acontecer em diversos temas: principalmente no início da empresa, quando o time era formado basicamente pelos fundadores e não tínhamos investimento para contratações, foi um grande desafio fazer acontecer em temas diversos fora de nossas formações e especializações. As áreas ligadas ao jurídico, contábil, comunicação, departamento pessoal, gestão de pessoas são algumas que enfrentamos dificuldades. É necessário aprender pelo menos o básico das diversas frentes que compõem o seu negócio para fazê-lo andar.
Com o crescimento da empresa e do time, fica possível trazer pessoas das áreas específicas e evoluir cada frente da melhor maneira possível.

Crescimento e amadurecimento do negócio:  vejo como um grande desafio manter o equilíbrio entre se adaptar rapidamente às mudanças que acontecem no mercado, mundo e empresa e se transformar constantemente para ser agente de outras mudanças como empreendedor(a), a fim de levar o negócio a um novo nível de amadurecimento e impacto.

Cada fase da sua empresa conta com novos obstáculos grandes. É uma dinâmica que exige aprendizado rápido e constante, busca por autoconhecimento, evolução e muita gestão de pessoas.

Montar uma cultura forte e de impacto: uma vez que o time precisou ser formado para além dos fundadores, foi natural para nós pensar em trazer profissionais com competências técnicas específicas. Com o tempo, gestão de pessoas e experiência, entendemos que uma cultura organizacional forte, de impacto, alinhada ao nosso propósito e com gente que compartilha dos mesmos valores e princípios, além da especialização, seria essencial para o crescimento e desenvolvimento da empresa e de cada indivíduo. O momento de olhar para o fortalecimento da cultura chegou após uma grande crise e foi virada de chave para a DeÔnibus. Ela nos fez revisitar propósito, missão, valores e orientar a empresa e as pessoas como base de um negócio sólido.

Equilíbrio como indivíduo: um grande desafio durante a jornada empreendedora foi conseguir equilibrar os aspectos pessoais com o trabalho de construção e gestão da empresa. Por muito tempo tudo se misturava e trabalho era praticamente o único aspecto olhado.

Existe um ditado famoso “trabalhe enquanto eles dormem” que aumenta ainda mais a pressão de que não se pode parar. O fato de que a empresa depende de quem empreende para dar seus primeiros passos, torna a jornada dura, solitária e se não houver cuidado a conta não fecha. Afinal,  é preciso saúde física e mental para seguir, assim como também é preciso estar vivo e saudável para seguir.

2. Mesmo alcançando um patamar de mais estabilidade, o que ainda é obstáculo para empreender?

Ainda em um patamar de estabilidade, a burocracia, poucos incentivos, acesso a capital e a carga tributária ainda são grandes as adversidades.

Para além da burocracia na abertura de empresas em si, cada novo estágio conta com obstáculos e complexidades novas. É um constante desafio garantir que tudo está sendo feito da melhor maneira possível a fim de sustentar um negócio no Brasil. Além disso, vejo que falta incentivo para empreendedores, tanto no pontapé inicial quanto no decorrer da jornada, é um grande fator de desistência no caminho.

3. E o fato de ser mulher, atrapalhou o desenvolvimento dos negócios? Por que?

O fato de ser mulher não atrapalhou o desenvolvimento do negócio, pelo contrário. O fato de ser mulher me permitiu encarar os desafios de uma sociedade sexista e de uma classe empreendedora e tecnológica majoritariamente masculina e direcionar o negócio e as relações construídas a partir dele para chegarmos mais perto da equidade de gênero no mercado de trabalho e nas soluções para clientes e parceiros. Além do constante trabalho para construir um negócio inclusivo – que ainda tem um longo caminho -, evidenciamos na prática como a diversidade traz diferentes perspectivas, pluralidade, criatividade e equilíbrio para seguir com nossa missão e cumprir com nosso propósito.

4. O que você pode observar de diferente nesse cenário ao longo de 2022 e quais as suas perspectivas para 2023?

De alguns anos para cá as evoluções vêm acontecendo aos poucos, o ponto principal de evolução que vejo tem sido a conscientização das lideranças de empresas sobre o papel que elas têm na responsabilidade social (incluindo busca pela equidade de gênero) e os incentivos e programas afirmativos que possibilitam que essa movimentação seja mais acelerada. Um dos exemplos claros do impacto disso no todo e que tive a percepção de crescer no último ano foram novas formas de pensar a política parental das empresas, com prazos mais longos e dando protagonismo aos pais também na dedicação e cuidado durante os primeiros meses do bebê.

Para 2023, espero ver cada vez mais políticas públicas e privadas no caminho da equidade e inclusão. Vejo que além das iniciativas afirmativas, temos um público que aceita cada vez menos empresas que não são responsáveis socialmente e ambientalmente, um público que busca em seu consumo um alinhamento de valores e propósito, que busca empresas que não olham apenas para lucro.

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