O futuro é verde

O Diretor Presidente da Engie, Eduardo Sattamini (foto em destaque), aponta as oportunidades para o Brasil ser um país protagonista na geração de energias limpas e promover a redução das emissões que prejudicam o meio ambiente

A Engie é a empresa líder em energia renovável do país. Atua em geração, comercialização e transmissão de energia elétrica, transporte de gás e soluções energéticas, com capacidade instalada própria de cerca de 10 GW em 68 usinas. Isso representa cerca de 6% da capacidade nacional.
A empresa possui 100% da sua capacidade instalada proveniente de fontes renováveis e com baixas emissões de Gases de Efeito Estufa, como usinas hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa. A Engie também mantém a mais extensa malha de transporte de gás natural do País, com 4.500 quilômetros que atravessam 10 estados e 191 municípios brasileiros.
Por acreditar que “o futuro será verde”, o Grupo Engie estabeleceu globalmente, o compromisso de redução das emissões de CO2 em 59% até 2020, alinhada aos critérios do Science Based Target (metas baseadas na ciência) e atingir a neutralidade de emissões até 2045.

Nesta entrevista, Eduardo Sattamini, que recebeu o título de Liderança Protagonista de 2023 no Prêmio ESG Summit Brasil, acredita que cada produto brasileiro poderá ostentar um rótulo que mostre a diferença nas emissões o que fará uma grande diferença no mercado nacional e internacional. Para isso, acha necessário alinhar esses avanços entre as autoridades, agências regulatórias e setor privado.

Empreendedor: Diante das alterações climáticas e do aumento dos preços da energia tradicional, as fontes renováveis parecem ser uma via óbvia no Brasil e no mundo. O que será necessário para transformar o atual sistema energético do Brasil num sistema baseado em fontes renováveis?
Eduardo Sattamini: O Brasil já está muitos passos à frente de muitos países. Ambas as matrizes brasileiras, a Energética (que inclui combustíveis para mobilidade, por exemplo) e a Elétrica, são altamente renováveis: 47,4% e 86,1%, respectivamente. O País reúne as características naturais para ser um importante polo de transição energética no mundo, incluindo a possibilidade de exportação da
nossa capacidade excedente, com o despacho de eletricidade para outros países da América Latina.
Empreendedor: De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica o Brasil tem um potencial de geração de energia eólica estimado em cerca de 500 gigawatts (GW), o suficiente para atender o triplo da demanda atual de energia do País. Este número é mais de três vezes superior à produção de energia elétrica provinda de outras fontes como a hidrelétrica, biomassa, gás natural, óleo, carvão e nuclear. O Brasil vai seguir esse caminho de aumentar a produção e distribuição de energia eólica e quais os obstáculos podem surgir nessa trajetória?
Eduardo Sattamini: Hoje o mais urgente é aumentarmos a demanda, pois vivemos um cenário de sobreoferta de energia. Gerar mais eletricidade do que é necessário significa criar custos desnecessários para o consumidor e é contraprodutivo do ponto de vista econômico. Para ampliar o consumo, há alguns caminhos, tais como o estímulo para a reindustrialização do País, a exportação de parte desse excedente renovável para nossos países vizinhos.
Ainda, é fundamental para que o preço da energia esteja em patamares que deem o sinal adequado aos investidores. Com a sobreoferta e preços baixos, não há o incentivo que as empresas precisam para realizar os aportes necessários no desenvolvimento de novos projetos de energia.
Empreendedor: O futuro do Brasil está nas energias renováveis e qual será o papel do País nesse cenário mundial?
Eduardo Sattamini: O Brasil tem todos os fundamentos para assumir uma posição de destaque nesse cenário. Além do potencial para liderar a tecnologia de produção de hidrogênio verde, dada a matriz elétrica nacional abundante em energia renovável, também há inúmeras oportunidades de redução de emissões na cadeia de valor por meio da eletrificação da indústria e dos modais de transporte, por exemplo.
Isso aumentaria a competitividade “verde” dos produtos brasileiros em relação aos produzidos na Europa, na China, na Índia e nos EUA. Imagina, por exemplo, se em cada produto brasileiro, tivéssemos no rótulo a comparação da emissão daquele produto e seu concorrente mais próximo de outro país? O horizonte traz muitas oportunidades, mas o Brasil precisa ser rápido para capturá-las, e isso requer profundo alinhamento entre autoridades, agências reguladoras e setor privado.
Empreendedor: A ENGIE tem a meta global de alcançar 50 GW de capacidade em energias renováveis até 2025 e 80 GW em 2030. O que isso poderá representar em benefícios humanos, para o meio ambiente, além de ganhos econômicos?
No cenário das mudanças climáticas, é essencial que empresas e países estejam comprometidos com as metas de redução de gases de efeito estufa. Para além desses compromissos urgentes, o avanço desse tema exigirá investimentos em tecnologia, desenvolvimento de profissionais capacitados, criação de empregos e uma relação cada vez mais próxima com as comunidades.
Empreendedor: Como empresa líder na produção de energia renovável, a ENGIE aposta mais em uma vertente de energia renovável ou em todas ao mesmo?
Eduardo Sattamini: A ENGIE possui um compromisso global de descarbonização que visa alcançar o nível zero em 2045. Nesse contexto, a ENGIE Brasil Energia assumiu uma posição de destaque por ser a maior geradora 100% renovável do País. Nos últimos seis anos foram mais de R$ 20 bilhões destinados ao aumento de capacidade instalada em energia limpa e infraestrutura de transmissão. Para os próximos, estão previstos outros R$ 14 bilhões em investimentos.

Empreendedor: Na sua visão, por que o governo e as empresas privadas brasileiras não apostaram antes, como nessa última década, na produção e distribuição de energias renováveis?
Eduardo Sattamini: Importante lembrarmos que a fonte hidrelétrica, base do sistema elétrico nacional há muitos anos, além de renovável é essencial para permitir o crescimento do que chamamos de fontes intermitentes de geração, tais como a eólica e solar. As hidrelétricas aportam confiabilidade e estabilidade ao sistema elétrico nacional, especialmente nos momentos em que essas outras fontes reduzem sua produção. A remuneração desses serviços é um dos pontos que avaliamos para o futuro e conversamos com os outros agentes e órgãos reguladores para que seja feita de modo a não onerar o consumidor, mas que garanta a sustentabilidade financeira das empresas para que possam continuar oferecendo essa segurança necessária para o avanço da posição de destaque do Brasil no cenário global voltado à transição energética.
Empreendedor: As energias renováveis já estimulam o surgimento de novos e diferentes empreendedores que têm novos propósitos e maior preocupação com as pessoas e com o meio ambiente. Essa tendência será maior nos próximos anos?
Eduardo Sattamini: São grandes empreendimentos que atuarão a longo prazo, com interação com o meio ambiente e o modo de vida das pessoas. Ao longo do tempo, as empresas que atuam com responsabilidade, transparência e respeito pelas pessoas e pela natureza se destacaram. É o caso da ENGIE. Para nós, esses são aspectos essenciais da nossa atuação, são a nossa licença para operar. É o certo a se fazer. E é também uma demanda cada vez mais exigida pelos consumidores. Então vejo que as companhias que não atuarem baseada nesses preceitos, não terão lugar no futuro.

FICHA:

Eduardo Sattamini
Idade: 58 anos
Cidade natal: Vitória (ES)
Formação: Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde também completou o Mestrado de Administração de Empresas, com especialização em Finanças. Mestre em Gestão pela University of London, na Inglaterra.
Cargo atual: Diretor Presidente da Engie Brasil Energia

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