Turnover pode custar até 200% do salário anual em 2026, alerta especialista

Cleusa Zolin (foto em destaque), CHRO da Idea Maker aponta como rotatividade gera impacto financeiro e em inovação especialmente em setores como tecnologia

A rotatividade de profissionais está cada vez mais cara para as empresas. O custo do turnover pode variar entre 50% e 200% do salário anual de um colaborador, dependendo do nível de senioridade e da complexidade da função, segundo dados da consultoria Robert Half. A conta inclui despesas com recrutamento, tempo de reposição da vaga, integração, curva de aprendizado e impactos indiretos na produtividade e nos resultados das equipes.

Embora o dado seja geral, o efeito é ainda mais sensível em setores intensivos em conhecimento, especialmente em tecnologia. Em um ambiente de alta especialização, prazos curtos e transformação constante, impulsionada inclusive pelos avanços da Inteligência Artificial, a saída de um profissional deixa de ser apenas uma reposição operacional e passa a representar uma ruptura estratégica.

Para Cleusa Zolin, CHRO da Idea Maker, fintech que desenvolve soluções para e-commerce de produtos com venda incentivada, meios de pagamento e gestão de dados, o turnover precisa ser analisado sob a ótica de risco competitivo.

“Quando um talento estratégico sai, a empresa não perde apenas uma cadeira ocupada, perde inteligência acumulada, velocidade de decisão e capacidade de execução. Em áreas críticas, isso compromete diretamente o fluxo de inovação. Em setores como o de fintechs, onde a evolução é diária e a eficiência operacional é diferencial competitivo, cada desligamento pode significar atraso em entregas, perda de produtividade e menor capacidade de aprimorar processos. O impacto não é apenas de RH, é de negócio”, afirma a executiva.

Segundo Cleusa, a discussão não deve se limitar à oferta de benefícios isolados, mas à construção de um ambiente que combine previsibilidade de crescimento, clareza estratégica e protagonismo técnico. “Hoje, especialmente em tecnologia, os profissionais querem participar de decisões relevantes, entender a direção do produto e contribuir além da execução. Quando a empresa não oferece essa visão de futuro, a troca se torna mais provável”, explica.

Outro fator determinante é a maturidade da liderança. Em equipes técnicas, a qualidade da gestão tem peso significativo na permanência dos talentos. Feedback estruturado, metas claras e autonomia com responsabilidade influenciam diretamente a percepção de valor do colaborador. “Gestão inconsistente acelera o turnover. Lideranças preparadas reduzem ruídos, fortalecem o engajamento e ampliam a retenção”, comenta Zolin.

A executiva também ressalta que flexibilidade e propósito deixaram de ser diferenciais e passaram a ser critérios objetivos de escolha. Profissionais avaliam o impacto real das soluções desenvolvidas e o alinhamento entre discurso e prática. “Existe uma expectativa crescente por coerência. Cultura não pode ser apenas narrativa institucional; precisa estar presente nas decisões do dia a dia”, completa.

Em um cenário de margens pressionadas e busca por eficiência operacional, reduzir a rotatividade tornou-se um tema diretamente ligado à sustentabilidade do negócio. “O turnover tem impacto financeiro mensurável, mas também carrega um custo invisível: a perda de ritmo. Empresas que conseguem alinhar estratégia, cultura e desenvolvimento criam barreiras naturais à saída de talentos e ganham vantagem competitiva no longo prazo”, conclui a executiva.

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