(*) Leandro Furlan
A Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma aliada real das pequenas e médias empresas (PMEs). Em um cenário de margens apertadas e necessidade de eficiência, as ferramentas de IA vêm permitindo que negócios menores automatizem processos, melhorem a comunicação e tomem decisões baseadas em dados, algo antes restrito às grandes corporações.
De acordo com o relatório “Small & Medium Business Trends – 6ª edição”, da Salesforce, 91% das PMEs que já utilizam IA afirmam que a tecnologia impulsiona a receita, e 75% estão destinando parte do orçamento especificamente para essas soluções.
No Brasil, o avanço também é expressivo. Segundo levantamento da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software, 13% das empresas brasileiras já utilizam algum tipo de aplicação de IA, proporção superior à média da União Europeia. E, de acordo com pesquisa recente da Ipsos e Google, 54% dos brasileiros afirmam usar IA generativa no dia a dia, índice que reforça a popularização da tecnologia também entre empreendedores.
Esses dados mostram que a IA está se consolidando como uma ferramenta de democratização tecnológica, nivelando o jogo entre pequenas e grandes empresas. Mas conhecer as ferramentas é apenas o primeiro passo: o diferencial está em como aplicá-las com estratégia.
O que usar — e como usar
Entre as soluções que mais vêm transformando o marketing digital das PMEs estão ferramentas de texto, imagem, vídeo e análise de dados. O ChatGPT tornou-se o copiloto mais usado para criar textos, roteiros e campanhas com base no tom de voz da marca, reduzindo tempo de produção e mantendo consistência. Já o Gemini, do Google, integra dados e contexto para personalizar jornadas de compra e campanhas omnichannel, enquanto o Perplexity AI funciona como um assistente de pesquisa generativo que responde, compara e cita fontes confiáveis, otimizando a busca por informações de mercado.
Para comunicação visual, o Nano Banana, do Google Gemini, gera imagens com alta fidelidade visual, detalhes finos e cores mais naturais, facilitando o trabalho de pequenas empresas sem equipe de design. Já ferramentas como o Veo 3.1 e o Runway ML possibilitam a criação de vídeos com apresentadores virtuais e cenas hiper-realistas, democratizando a produção audiovisual com custos muito menores.
Na organização do trabalho, o Notion AI se destaca por gerar resumos automáticos e estruturar tarefas e briefings, enquanto o Otter.ai e o Fireflies gravam e transcrevem reuniões em plataformas como Zoom e Google Meet – essenciais para quem trabalha em modelo remoto ou híbrido. O Krisp, por sua vez, elimina ruídos de fundo em chamadas, garantindo melhor qualidade de áudio em gravações e reuniões virtuais.
Já em performance e mídia, ferramentas como Jasper e AdCreative.ai automatizam a criação de anúncios e e-mails otimizados por dados de conversão. O Tableau GPT transforma planilhas e indicadores em gráficos e insights visuais, facilitando a análise de resultados. E o OpenAI Agent Builder, ferramenta projetada para construir e orquestrar workflows de agentes de IA dentro do ecossistema da OpenAI, além do Gemini Enterprise, plataforma corporativa do Google que permite que as empresas criem, gerenciem e implementem agentes de IA personalizados para automatizar fluxos de trabalho e acessar dados de forma segura em toda a organização.
Como começar
Mais do que adotar novas tecnologias, o segredo é entender o papel de cada uma delas dentro da estratégia da empresa. Especialistas recomendam começar com um diagnóstico simples: quais tarefas consomem mais tempo e poderiam ser automatizadas?
A partir disso, a recomendação é priorizar ganhos rápidos e mensuráveis — por exemplo, usar ChatGPT para conteúdo e Otter.ai para otimizar reuniões. Também é importante escolher ferramentas que se integrem ao ecossistema já utilizado (CRM, planilhas, plataformas de mídia), evitando retrabalho.
Segundo relatório da Iterable, empresas que medem o impacto da IA em métricas como tempo e custo por tarefa têm 43% mais chances de obter retorno real sobre o investimento. E a capacitação da equipe é determinante: quanto maior a familiaridade dos profissionais com as ferramentas, mais consistente tende a ser o resultado.
O impacto para os pequenos negócios
Estudos mostram que os efeitos da adoção de IA vão além da eficiência operacional. Uma análise da National Library of Medicine (PMC/NIH) observou que PMEs que implementaram ferramentas de automação durante períodos de crise apresentaram menor exposição a riscos operacionais e financeiros.
Além disso, o relatório da Ipsos e Google mostra que 75% das empresas brasileiras planejam aumentar seus investimentos em IA em 2025, demonstrando uma tendência irreversível de transformação digital.
Esses dados reforçam que a inteligência artificial não é apenas um diferencial competitivo — é um requisito básico de crescimento sustentável para negócios de qualquer porte.
A IA está democratizando o acesso à tecnologia e criando condições para que pequenas e médias empresas operem com a mesma eficiência de grandes players. Mais do que seguir modismos, trata-se de entender o que essas ferramentas podem resolver hoje — e como preparar o negócio para o que virá amanhã.
A tecnologia amplia o alcance do olhar humano. E quem aprender a usá-la com estratégia, tende a ocupar um espaço privilegiado no futuro do mercado.
* Leandro Furlan é Gerente de Inovação da Cadastra e Adtail, agência digital associada a Cadastra.



