Fusões e aquisições batem recorde em 2021 e se consolidam como estratégia de crescimento

Em um momento de expansão do mercado de capitais brasileiro, o fórum executivo WTC Sul lança grupo de Funding e M&A para fortalecer networking e debater tendências e desafios com empreendedores e executivos do Sul do país.

Em poucos meses, o ano de 2021 registra um movimento recorde no volume de acordos de fusão e aquisição (mergers and acquisitions, M&A): somente no primeiro trimestre, estas operações movimentaram US$ 1,1 trilhão, segundo dados divulgados pela Bloomberg. É o resultado mais expressivo em 23 anos, motivado pela “volta” dos investidores após as incertezas causadas pela pandemia em 2020. 

No Brasil, o cenário é semelhante. O total de operações de M&A dobrou no primeiro quadrimestre de 2021 frente ao mesmo período do ano passado. “O mercado de capitais brasileiro atravessa um de seus melhores momentos em décadas”, comenta o executivo Paulo Junqueira Filho, que liderou processos de IPO e M&A em empresas como Positivo Tecnologia e Unicasa Móveis e assumiu a presidência do grupo de Funding e M&A do WTC Curitiba, Joinville e Porto Alegre.

“No ambiente de negócios atual, as transformações trazidas pela tecnologia e aceleradas pela pandemia demandam às empresas de todos os portes avaliar periodicamente sua estratégia, seus processos e sua estrutura de capital. Desta avaliação, normalmente surgem oportunidades para crescer por meio de aquisições, atrair sócios estratégicos ou para buscar recursos financeiros mais eficientes para sustentar a estratégia”, ressalta. Recentemente, o grupo realizou uma Master Live com empreendedores, executivos e outras lideranças do mercado para debater as oportunidades que o M&A traz para consolidação e crescimento dos negócios.

Entre as empresas que se destacaram nos deals de M&A em 2021 está a paranaense Smart Hint, fundada em 2017 pelo empreendedor Rodrigo Schiavini e adquirida pela Magalu em fevereiro. Um negócio que gerou impacto positivo para ambas as partes: de um lado, a startup – que conta com mil clientes e já gerou R$ 1 bilhão em vendas por meio de sua plataforma – integrou suas soluções ao maior ecossistema do varejo nacional; de outro, a Magalu registrou um aumento de 8% no valor das ações negociadas em Bolsa no dia seguinte ao anúncio. 

A Smart Hint é uma plataforma de software como serviço (SaaS) que otimiza a experiência de compras online com uso de tecnologias como pesquisa por voz, vitrines de recomendação e ferramentas de retenção. A ideia surgiu logo após Rodrigo vender sua empresa anterior, a Fbitz, voltada a varejistas de médio porte, para a Locaweb. 

“Minha intenção, diferente da tecnologia que havia desenvolvido antes, era criar algo simples e eficaz para pequenos negócios, com custo baixíssimo e capacidade de escala, seguindo a mentalidade dos cases de sucesso do Vale do Silício. Inovamos no modelo de negócio e em tecnologias como a pesquisa por voz, algo que é muito comum para as novas gerações e será uma necessidade do comércio eletrônico”.

Desde o início, a Smart Hint já tinha definido como estratégia de expansão a busca por funding, via investimento-anjo, seed capital e recursos de fundos de venture capital. E para seguir o planejamento, a “lição de casa” (até em função de sua experiência no exit da Fbitz) era cuidar da governança corporativa para facilitar as negociações com investidores. A estratégia deu certo: em poucos anos, e antes mesmo do que ele tinha planejado, a startup captou uma rodada anjo e um seed capital que foram fundamentais para estruturar a empresa quando surgiram as primeiras ofertas de aquisição, em 2020. 

“O que os executivos precisam ficar atentos é que, se suas empresas não crescem na velocidade de expansão de seus mercados, estão ficando para trás. Por isso, devem considerar a estratégia de M&A como alternativa para acelerar resultados”, alerta Alexandre Bajotto, vice-presidente do Grupo de Funding e M&A e Gestor de Projetos na Società Engenharia.

DICAS DOS DOIS LADOS DO BALCÃO

Ao captar o primeiro aporte anjo da Smart Hint, Rodrigo Schiavini ouviu do investidor Pierre Schurmann, sócio da gestora, uma frase que nunca lhe saiu da cabeça: “se todo empreendedor que me apresenta um pitch estivesse preparado como você está, os investidores iriam economizar um tempo precioso”. A preocupação com a governança e a estruturação do negócio foi fundamental para acelerar a decisão do aporte – e da própria expansão. “Em quatro anos de Smart Hint, o negócio está maior do que os dez anos em que tive a Fbitz”. 

Na visão de advisors de M&A, muitos empreendedores não estão preparados para etapas fundamentais dos processos de funding e aquisição, como as auditorias (due diligence). “Às vezes, as negociações começam bem mas emperram nestas questões. Quanto melhor o empreendedor estiver preparado, maiores as chances do advisor capturar valor na negociação com os interessados na compra. Hoje há muito mais capital para alocar em empresas, mas ainda temos muito a avançar na questão de organização dos negócios e governança”, comenta Jefferson Nesello, cofundador e sócio-diretor da Zaxo M&A Partners.

O caso da Smart Hint é emblemático neste sentido. “Durante uma negociação, não deixe que os termos fiquem ‘da boca pra fora’. Qualquer condição que não esteja clara pode gerar problemas, multas severas. Vírgulas podem mudar o contexto do contrato. Coloque tudo no papel, traga um especialista”, lembra Rodrigo. 

“A primeira geração de empreendedores que passou por experiências de M&A, na década passada, não tinha referências do mercado e foram aprendendo a partir das dificuldades. Hoje há literatura, playbooks definidos, e é possível mapear todos os processos desde o começo da empresa. Isso dá mais segurança ao investidor, do anjo até o exit. O empreendedor não precisa saber de tudo, ele pode contar com apoio de especialistas e focar no desenvolvimento de seus negócios”, reforça Leonardo Grisotto, managing partner da Zaxo. 

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