Segundo André Veneziani (foto em destaque), VP Comercial da C-MORE, variáveis ESG deixam o discurso e entram definitivamente no cálculo do risco financeiro
Com base em análises de André Veneziani, Vice-Presidente Comercial para Brasil & América Latina da C-MORE, a gestão de risco financeiro entra em uma nova fase em 2026. A sustentabilidade deixa de ocupar um papel institucional ou reputacional e passa a influenciar diretamente decisões econômicas, alocação de capital e retorno esperado. Impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial, empresas e instituições financeiras passam a medir, prever e precificar riscos ESG com o mesmo rigor aplicado aos riscos de crédito, mercado e liquidez.
O resultado é um novo patamar de governança corporativa, no qual sustentabilidade, tecnologia e finanças operam de forma integrada. Neste contexto, ignorar riscos ambientais, sociais e regulatórios deixa de ser uma escolha estratégica e passa a gerar impacto direto no balanço.
Para Veneziani, essa virada consolida o ESG como variável financeira material. “A sustentabilidade deixa de ser uma agenda paralela e passa a interferir diretamente em valuation, risco e retorno. Em 2026, ela já está incorporada às decisões centrais de negócio”, afirma.
A seguir, confira as principais tendências em risco financeiro atrelado à sustentabilidade apontadas pelo executivo:
Sustentabilidade entra no núcleo da gestão de risco financeiro
A principal mudança observada para 2026 é estrutural. Riscos ligados à sustentabilidade deixam de ser tratados como fatores acessórios e passam a integrar os modelos centrais de gestão de risco, ao lado de crédito, mercado, liquidez e capital.
Instituições financeiras e grandes companhias já consideram riscos climáticos e ESG em processos como análise de crédito, precificação de ativos, testes de estresse e definição do custo de capital. O impacto não é mais hipotético: ele se reflete em números, provisões e decisões de investimento.
Inteligência artificial se consolida no monitoramento de risco ESG
Outra tendência clara é a consolidação da inteligência artificial como ferramenta padrão para o monitoramento contínuo de riscos ESG. Análises manuais e relatórios estáticos dão lugar a sistemas capazes de cruzar dados financeiros com indicadores ambientais e sociais em tempo real.
Na prática, a tecnologia já é usada para acompanhar eventos climáticos, mudanças regulatórias, cadeias de fornecedores, notícias e exposições reputacionais, emitindo alertas automáticos sempre que esses fatores podem gerar impacto financeiro.
Esse avanço transforma a gestão de risco, que passa de reativa para preditiva, reduzindo perdas inesperadas e volatilidade no resultado.
Métricas ESG passam a influenciar números concretos
Em 2026, a integração entre ESG e finanças deixa de ser conceitual e se torna quantitativa. Métricas de sustentabilidade passam a influenciar diretamente modelos financeiros tradicionais.
Entre as práticas já adotadas estão ajustes em spreads de crédito e ratings internos com base em risco ESG, testes de estresse considerando cenários climáticos e de transição, além da incorporação de emissões, passivos ambientais e riscos regulatórios no fluxo de caixa projetado. “O ESG deixa de ser apenas qualitativo. Ele passa a impactar provisões, capital regulatório e retorno esperado”, destaca Veneziani.
Greenwashing é tratado como risco financeiro e regulatório
Com o avanço da regulação e o aumento da fiscalização, o greenwashing se consolida como um risco financeiro relevante. Inconsistências entre discurso e dados passam a gerar multas, sanções, exclusão de carteiras e índices, além da restrição ao acesso a capital.
Como resposta, cresce o uso de inteligência artificial para validação automática de dados ESG, auditoria contínua de informações não financeiras e maior alinhamento entre relatórios de sustentabilidade e demonstrações financeiras. “O discurso sustentável sem lastro virou passivo, não ativo. Em 2026, inconsistências terão custo direto”, afirma o executivo.
Visão integrada une risco, ESG e governança
O ciclo dessas transformações se completa com a consolidação de dashboards integrados, que reúnem risco financeiro, sustentabilidade e compliance em uma única visão. Soluções já disponíveis no mercado, como as desenvolvidas pela C-MORE Sustainability, permitem que empresas e instituições financeiras acompanhem, de forma estruturada, a exposição a riscos ESG e seus impactos financeiros.
Esses dashboards oferecem aos executivos e conselhos uma leitura em tempo real de indicadores-chave, eventos climáticos, riscos regulatórios e variáveis financeiras associadas à sustentabilidade, reduzindo silos entre áreas e acelerando a tomada de decisão com base em dados integrados.
Para André Veneziani, esse movimento redefine a forma como sustentabilidade é tratada nas organizações. “Em 2026, ESG não é mais um pilar separado. Ele faz parte da engrenagem financeira que sustenta o negócio”, finaliza o executivo.



