A pandemia vai transformar a liderança nas empresas

Nesta entrevista, ao fazer essa constatação, o estudioso e escritor Matheus Jacob, profundo conhecedor do mundo corporativo, aponta a comunicação como a chave dessa mudança dentro das organizações e para conquistar e reter clientes

Redação 15/09/2020
Redação 15/09/2020

Matheus Jacob é graduado em economia pelo Insper, mestre em filosofia pela PUC-SP, especialista em liderança e comunicação corportativa pela Chicago Booth School of Business e em retórica pela Harvard University. Ele é antes de tudo um estudioso do ser humano.  Nos últimos anos tem se dedicado  a comunicação corporativa.

Como se tornou o especialista em comunicação corporativa que é hoje?
Acho que como todo empreendedor, a minha trajetória é uma história de tentativas, erros e aprendizagem. Já passei pelo mercado financeiro, trabalhar durante um bom tempo com algumas startups, abandonei tudo isso e me tornei escritor. Depois de anos, entendia que fazia sentido conectar todos estes pontos e levar a comunicação aprendida através da arte para o universo corporativo.

Como a comunicação pode influenciar as lideranças das empresas?
Influencia 100 %. Liderar é comunicar. Esta é uma frase que eu sempre digo. Todos os pontos fundamentais de liderança passam pela comunicação. Seja pela capacidade de ler o ambiente ou o mercado, através da escuta ativa dos liderados, indo até a capacidade de dar suporte e direcionamento com uma linguagem assertiva e carismática.

Qual a importância da comunicação no processo de humanização das empresas?
As empresas estão passando por um processo de entender o colaborador menos como um recurso e mais como um parceiro de jornada. Por isso diversas empresas estão inclusive mudando o nome de suas áreas de Recursos Humanos para áreas de Gestão de Pessoas. Essa transformação passa por uma comunicação também mais humanizada, por espaços de diálogos dos mais diversos temas, por ouvir o colaborador e reagir a isso.

Qual o conceito de inteligência emocional e como isso pode ser aplicado no meio corporativo?
Quando atrelamos a comunicação e a humanização, abrimos nas empresas o espaço também para diálogos sobre inteligência emocional, baseado em dois  pilares principais: o eu e o outro. Sobre o eu, é fundamental nos conhecermos e saber fazer a gestão do que sentimos (ao invés, por exemplo, de nos tornarmos agressivos). Sobre o outro, nos cabe sempre ser capaz de interpretá-lo e reagir a isso como uma escuta ativa e uma comunicação empática e persuasiva, construindo relações mais humanas.

Qual a importância de uma comunicação em tempos de crise no meio corporativo?
Em tempos de crise, as incertezas dominam. Conversar com fornecedores, com credores, com colaboradores e clientes é o caminho para mapearmos os gargalos e perdas em todas essas esferas e sabermos como reagir em cooperação para tornarmos este processo o mais sólido possível. Neste contexto, a falta de comunicação pode significar a extinção.

Como a pandemia irá transformar a liderança nas empresas?
O processo de humanização de lideranças autoritárias para lideranças humanizadas já estava acontecendo em diversas empresas. Porém, com a pandemia, esse processo torna-se crítico. O cenário de isolamento mostra o quando não conseguimos separar por completo a esfera pessoal e profissional, o quanto precisamos estar presentes sem sermos autoritários e os líderes (mesmo os que quase não exerciam o que se espera nesse processo) começaram a perceber isso.

Qual o papel da comunicação no processo de adaptação das empresas no pós-pandemia?
A comunicação se torna o mecanismo básico de sobrevivência. Ler o meio, ler as mudanças que estão acontecendo, saber reagir a isso e saber comunicar a inovação é o caminho para empresas permanecerem existindo. Isso vale para todos: para empresas grandes ou até mesmo um pequeno restaurante em sua transição para delivery. Nesse caso, apenas comunicando o formato novo é que este empresário sobrevive.

Já temos novos conceitos de comunicação? Quais são eles?
Nesse novo contexto, reforça-se o chamado onlife, ou seja, a integração completa do consumidor ou do colaborador entre a vida “real” e a vida “virtual”. Com isso, torna-se fundamental que todas as empresas saibam estar presentes em todas as plataformas – o que chamamos de omnichannel. Além disso, surgem outros conceitos, como a própria fadiga do Zoom, o cansaço pelo excesso de comunicações digitais e como podemos nos proteger disso.

Quais os benefícios para as empresas que sabem se comunicar com todos os seus públicos?
Todos. Você aumenta a base de clientes, você aumenta a penetração de mercado, você diversifica a sua base compradora – a regra número um para carteiras financeiras bem protegidas. Empresas que conseguem atingir esse status, de comunicarem com audiências distintas, garantem uma presença de mercado sólida, mesmo em tempos de crise.

Atualmente onde o digital é a maior ferramenta das empresas? Quais são as dicas para ter uma comunicação assertiva nesse meio?
Conhecer bem o público, conhecer bem o que a ferramenta pede e saber unir bem estas duas pontas. O Tik Tok exige algo. O Youtube exige algo completamente diferente. Assertividade é saber entregar para cada uma dessas ferramentas a medida exata que o cliente quer ou precisa.

 

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