A sua empresa já pensou em comprar uma Startup?

João Gabriel Chebante 11/12/2019
João Gabriel Chebante 11/12/2019

O ano é 1987, dia 20 de abril. A Microsoft estava no início do seu ganho de escala que a tornaria a maior empresa do planeta e queria desenvolver um pacote de soluções visando sua penetração no mercado corporativo – onde as pessoas passam boa parte do tempo justamente em frente ao computador.

A empresa já tinha um programa de processamento de texto, um de planilhas matemáticas… Mas enxergou numa startup chamada Forethought uma oportunidade de agregar algo novo: um programa de apresentações corporativas.

Sim, o PowerPoint, que nasceu operando somente em Macintosh, era uma startup adquirida pela Microsoft para desenvolvimento de um novo produto. E este cenário será a grande novidade na interface entre startups e corporações brasileiras a partir de 2020.

No processo evolutivo de interface entre grandes empresas e startups, a primeira interface foi a mentoria e o processo de aceleração. Passou pela integração como fornecedores e parceiros dentro de premissas diferentes de outras empresas que atuam no ecossistema da grande corporação.

Agora a janela de oportunidade reside em montar fundos de investimento para aporte ou aquisição de novos negócios, sob o prisma de tecnologia complementar ao processo de inovação, otimizar processos internos ou sinergias comerciais, maximizando o valor da organização como um todo. Mas como começar?

Vai soar fácil, mas não é: tudo começa com o desenvolvimento de uma tese de investimentos e a alocação de recursos para aporte em novos negócios – sozinho ou com o apoio de alguma empresa de Venture Capital. Para tal, você vai precisar contratar ou preparar um profissional que seja responsável por esta área, que saiba desenvolver tese, desenvolver o funil de captação de oportunidades e faça os acompanhamentos no dia-a-dia com os investidos, sendo interface com as demais áreas que podem proporcional a alavancagem das organizações.

Desenvolver a tese de investimento demanda tempo e conhecimento de mercado, além de pesquisa exploratória, desenvolvimento de critérios e mapeamento de startups com alto potencial de sinergias e crescimento. CFO e CEO devem ser sponsors do projeto, bem como o primeiro nível da organização para oferecer o ambiente ideal para que estas empresas consigam captar as oportunidades para crescer dentro da organização, inclusive com potencial de revolucionar de áreas inteiras.

Quanto ao capital, temos três rotas interessantes para reflexão:

A primeira vem do caixa da empresa, segregando parte dos recursos para este Pipeline. A flexibilidade e disponibilidade imediata jogam à favor, mas se pensarmos que um fundo de VC fica interessante à partir de R$ 60 milhões sob gestão, não é toda empresa que pode segregar tamanho valor para esta iniciativa.
Uma segunda opção é desenvolver o projeto em paralelo a uma gestora e/ou firma de venture capital, para que juntos possam co-desenvolver a tese de investimento, gestão e acompanhamento do fundo e suas investidas.
Uma rota atraente – e  que deve ser a principal  demanda do Corporate Venture em 2020 – é  aproveitar as mudanças na Lei de Informática e SUFRAMA (incentivo à Zona Franca de Manaus), que você pode pegar valores que iriam para o pagamento de impostos para, desde 2019, formar fundos de investimento em startups. Tem um processo burocrático para validar os recursos, mas trata-se de dinheiro “novo” e que não altera o caixa da empresa, além das vantagens institucionais.
Algumas das maiores empresas globais, como Apple, Amazon, Google e Facebook realizam compras de startups semanalmente, seja pela solução ou simplesmente para trazer as equipes para seu quadro de funcionários.  Outras possuem fundos históricos, como a Intel Capital. E mesmo empresas da “economia real” como McDonald’s, BTG Pactual e Grupo Pão de Açúcar, estão se mexendo para agregar novos negócios, visando diferentes ganhos de vantagem competitiva.

Aonde você estará neste cenário daqui a alguns anos? Na ponta compradora, agregando pessoas e tecnologias ao seu negócio, ou na vendedora, a caminho da obsolescência?  

* João Gabriel Chebante é fundador da Sucellos, responsável por levar inteligência aos processos de investimento, fusão e aquisição de empresas. Formado em Administração com Ênfase em Marketing na ESPM, com especialização em Modelagem de Negócios pela mesma faculdade e Gestão de Marcas (branding) pela FGV. Possui doze anos de experiência em marketing, atuando em inteligência de mercado e gestão de marcas como profissional e como consultor de empresas

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