Agronegócio promete romper as barreiras das mudanças exponenciais

Cíntia Leitão 19/11/2019
Cíntia Leitão 19/11/2019

Se você ainda é o tipo de pessoa que acredita que o futuro acontece em decorrência linear do tempo, talvez você esteja ultrapassado. Vivemos a era das tecnologias exponenciais que se multiplicam, repetidamente e de forma constante. Notícia alarmante ou não, o fato é que nós, como seres humanos, fomos treinados e acostumados a pensar linearmente, a esperar o ritmo constante da mudança e o passar dos anos. Nossas gerações se habituaram a pensar com base em experiências passadas e a usar estas experiências para prever ou antever o futuro.

Intrigada com estas questões exponenciais, decidi não ser alguém de pensamento linear. Mergulhei no entendimento destas mudanças aceleradas para reverter a minha visão intuitiva de futuro. É uma questão de disrupção do modelo mental. Um treino a se fazer diariamente.

O pensamento exponencial é balizado pelos seis D´s que representam a jornada da tecnologia digital exponencial, e que podem auxiliar que identifiquemos e antecipemos tendências disruptivas. São eles: digitalização, que significa que as informações são gerenciáveis via computadores e estão disponíveis para acesso; deceptivo, que é o estágio inicial de uma tecnologia exponencial, ainda complexa e pouco utilizada; disruptivo, representa quando o avanço tecnológico atinge um ponto crítico que supera drasticamente o paradigma anterior; desmaterializado, itens que eram grandes e materiais agora cabem na nuvem ou no bolso; desmonetizado, o custo de se produzir a tecnologia é tão mais barato do que se ter a versão física dele as economias de escala associadas ao uso de sensores permitem que eles se tornem totalmente acessíveis, democratização, o fim de nossa reação em cadeia exponencial, é o que acontece quando objetos físicos são transformados em bits e inseridos em uma plataforma digital em volumes tão altos que o custo se aproxima de zero.

Junto tudo isso e olho o cenário do agronegócio onde atuo há quatorze anos. Hoje, inserida no universo de tecnologia, pelo qual virei uma aficionada, começo a questionar os discursos atuais sobre o agronegócio 4.0, as tecnologias exponenciais e a disrupção.

Na biotecnologia, avançamos com uma velocidade absurda nos últimos anos. Temos plantas geneticamente modificadas que já são mais resistentes às pragas ou mesmo à escassez de água. Agora fala-se da biologia digital e as novas possibilidade da inserção de circuitos no DNA das células e bactérias, as transformando em biossensores capazes de alterar qualquer tipo de água em água potável. Ou ainda, ou uso de micróbios eletricamente ativos como fonte de energia e calor. Agora começamos a falar também da carne de laboratório, possível através das células tronco de animais e da manipulação da engenharia genética. E estes são pequenos exemplos apenas do que se tem investido em pesquisa e desenvolvimento na área.

Também já testamos e podemos imaginar uma reprogramação de DNA, que estará presente em um futuro próximo para a humanidade. Além da presença dos robôs na sociedade mudando a forma como fazemos as coisas e pensamos sobre elas.

Tudo isso nos impactará exponencialmente como humanidade, rompendo os seis Ds exponenciais, onde a premissa é que todo ser humano passe a ter acesso aos benefícios destas tecnologias disruptivas com o menor custo possível.

Hoje desenvolvemos sistemas que permitem o controle de processos e a gestão deles em tempo real. Trocamos informações entre máquina e o homem em tempo real. Mas será que isso não seria apenas o básico quando pensamos em gestão de negócios? Será que usamos a capacidade total que estes dados nos trazem?

Ainda viveremos uma curva de adoção das tecnologias. Culturalmente o agronegócio precisa evoluir em investimentos em infraestrutura e tecnologia. Ainda no básico, na base da pirâmide. E aqui falando desde a infraestrutura de conectividade, aos softwares, integração destes e o próprio modelo mental dos empreendedores do setor.

Conectar e gerir dados para a tomada de decisão é, sem sombra de dúvida, uma das mais importantes decisões. E não apenas pela concorrência preparada vinda de países estrangeiros para atuar no agronegócio do nosso país. Mas, principalmente, por tantos entraves logísticos, financeiros e tributários constantes em nosso cenário brasileiro. Precisamos ser eficientes em gestão para melhorarmos a produtividade e a rentabilidade das lavouras e negócios agrícolas. Mas este é apenas o começo para uma mudança muito maior. O início de um caminho que ainda não sabemos ao certo onde nos levará com todas as mudanças exponenciais. Mas é um caminho certo.

Como evoluiremos disruptivamente trocando experiências entre agricultores do mundo todo ou promovendo boas práticas ou a troca de experiências globalmente? Como produziremos mais alimentos sem que a escassez de recursos naturais seja um risco para a humanidade? Seremos capazes de levar ou produzir alimentos para alimentar as pessoas à margem da miséria no mundo todo? Como digitalizaremos as informações do agro e as democratizaremos? Seríamos capazes de trocar informações e aprendizados com o mundo todo online? Tudo isto sim será viável e crescerá de forma exponencial. Afinal estas tecnologias batem à nossa porta para transformar o mundo e resolver produtos da humanidade de forma integrada e colaborativa. Estamos diante de um cenário que o mundo nunca assistiu. Um cenário que gera uma nova era rompendo barreiras e impulsionando as pessoas à ação.

Começo a acreditar que o agronegócio 4.0 ainda é a parte básica da transformação digital. A parte inicial da mudança do modelo mental linear. A tecnologia exponencial da gestão no agronegócio, ainda está por vir.

*Cíntia Leitão é Diretora de Agronegócio da Senior Sistemas.