Carlos Henrique Ramos da Fonseca: Nosso objetivo é trabalhar para levar a inovação para os pequenos negócios

O novo presidente do Sebrae falou com exclusividade para Empreendedor, quais os planos para desenvolver e capacitar os empreendedores.

Redação 23/04/2019
Redação 23/04/2019

O novo presidente do Sebrae/SC, Carlos Henrique Ramos da Fonseca, pretende levar processos de gestão inovadores aos pequenos negócios visando alavancar o desenvolvimento socioeconômico de Santa Catarina. Formado em Engenharia Elétrica, com pós-graduação em Engenharia Econômica, Ramos da Fonseca já atuou como diretor de desenvolvimento institucional e industrial da Fiesc (Federação das Indústrias de SC) e conhece de perto as necessidades das empresas estaduais. Ele falou com exclusividade para Empreendedor, onde detalhou seus planos para capacitar os empreendedores e identificou os gargalos que devem ser superados pelo país nos próximos anos.

Como o senhor avalia as mudanças que vem acontecendo nos processos produtivos e no mundo do trabalho nas últimas décadas?
O mercado global, influenciado principalmente pelas novas tecnologias, está sim passando por um processo de transformação. A velocidade com que ocorrem as demandas de mercado exige das empresas agilidade e inovação para que se mantenham ativas e produtivas. Com os pequenos negócios isso não é diferente. Para que se mantenham competitivas, as pequenas empresas devem se adequar de maneira rápida às demandas da sociedade, de clientes e fornecedores. E para que isso aconteça, os empresários precisam ter em mente a necessidade de buscar uma maior profissionalização e qualificação, além da inovação constante. Esse momento deve ser encarado pelo empresário como um momento de oportunidades. Aliado a isso, destaco que precisamos estar atentos também ao ambiente econômico, em que o emprego tradicional vem reduzindo e o empreendedorismo individual está se transformando, cada vez mais, na opção para a inclusão de uma parcela crescente das pessoas no mundo do trabalho. É cada vez maior o número de pessoas que passam a empreender para gerar o seu próprio emprego. Para essa parcela da população, reforçamos novamente a importância de buscar a qualificação.

O Sebrae vai passar por uma mudança substancial na maneira de interagir com a sociedade e especialmente com os pequenos e médios empreendedores?
A missão do Sebrae é e sempre será auxiliar as micro e pequenas empresas a buscarem o desenvolvimento sustentável. Com essa transformação no mercado global, o Sebrae precisa estar preparado para entender esse cenário e poder auxiliar as micro e pequenas empresas a seguir essa tendência. Dessa forma, temos alguns desafios internos e acredito que a transformação digital do Sebrae/SC é a principal delas. Somente com o Sebrae preparado e evoluindo sempre teremos capacidade para seguir atendendo com excelência os pequenos negócios.

De que maneira os processos de inovação podem incrementar a produtividade, e que formas de inovação serão priorizadas?
Nesse caso é importante falar sobre o conceito de inovação. Uma empresa inovadora não é somente aquela que desenvolve novas tecnologias, que oferece produtos ou serviços que ainda não existem, e nem mesmo aquelas que fazem um investimento financeiro que extrapole o orçamento. A inovação pode acontecer por meio de novas práticas de gerir a empresa, agregando mais valor aos produtos e serviços ofertados, atendendo a necessidades de novos e diferentes perfis de clientes, mudando o processo de fabricação e a forma de posicionar e comercializar a marca e o produto no mercado. A inovação e a criação de valor de um negócio pode vir, por exemplo, quando o empresário consegue identificar claramente quem é o seu público-alvo e, a partir de então, cria elementos para oferecer ao seu cliente serviços ou produtos orientados para atender as suas necessidades. Isso é inovar e, sem dúvida, com isso é possível incrementar a produtividade de um negócio.

Como Santa Catarina se insere nesse novo cenário do trabalho e do empreendedorismo?
Santa Catarina é um estado naturalmente empreendedor. O catarinense tem um espírito inovador que, aliado à nossa economia diversificada, permite que tenhamos uma economia estável e oportunidades de desenvolvimento. Acredito que esse novo cenário se apresenta como uma oportunidade para inovação e crescimento.

Quais as reformas econômicas que devem ser priorizadas para que o empreendedorismo ganhe força na sociedade?
O Brasil precisa de um ajuste fiscal. Somente com isso o país vai voltar a atrair a atenção dos investidores e criará um ambiente de negócios favorável ao empreendedorismo.

Na sua opinião, quais são os grandes gargalos para que o país mantenha um ritmo de crescimento mais pujante nos próximos anos?
Falando dos pequenos negócios, acredito que é preciso diminuir a burocracia que trava o desenvolvimento e a competitividade das pequenas empresas. Cada vez mais o país carece de políticas públicas que incentivem o empreendedorismo e que valorizem o empresário. Além disso, é preciso trabalhar para garantir acesso ao crédito às pequenas empresas. Somente assim elas vão poder investir em melhorias e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do Estado.

Privatizações em larga escala são a resposta para frear o déficit e retomar o crescimento ou existe um modelo intermediário?
Não em larga escala, mas acredito que a privatização de algumas empresas e setores é fundamental para atrair novos investimentos para o país e garantir a melhoria dos serviços. Isso, consequentemente, irá resultar na melhoria do ambiente econômico que alavanca a atividade produtiva. Outro ponto que deve ser olhado com atenção são as concessões para melhorias de algumas infraestruturas do país.

Qual seria o melhor cenário para que sua gestão à frente do Sebrae fosse considerada satisfatória, ao final do período?
Vamos focar a nossa gestão nos próximos quatro anos para promover a qualificação dos empresários, incentivá-los a buscar capacitação e conhecimento. O objetivo é trabalhar para levar a inovação para os pequenos negócios e promover cada vez mais a inclusão digital dessas empresas, estimulando, assim, a produtividade. Queremos fomentar o empreendedorismo e ajudar os pequenos negócios a crescerem, a expandirem fronteiras e buscarem a internacionalização. Se conseguir cumprir essas metas, a gestão será considerada exitosa.