Como trabalhar a inteligência emocional de um funcionário

Alexandre Pedro, Psicanalista pela Sociedade Internacional de Psicanálise de São Paulo; Master Practitioner de PNL filiado ao NLP Academy; Hipnoterapeuta filiado ao International Board of Hipnosys e ao National Guild of Hipnotists

Redação 22/02/2019
Redação 22/02/2019

Discordâncias são normais, afinal, somos diferentes e, portanto, temos opiniões divergentes. No entanto, no âmbito corporativo, a falta de entrosamento entre os profissionais pode gerar um grande prejuízo, tanto para a empresa como para o funcionário.

Ao avaliar um candidato, as corporações focam primeiro no currículo. Este aprovado, é feita uma entrevista presencial, para que se conheça o candidato. E qualquer detalhe é analisado: o traje, o cabelo, as unhas, maquiagem, barba, postura, comunicação…  Nada passa despercebido.

Mas a verdade é que um currículo notável e uma boa impressão durante a entrevista não definem uma pessoa. Só será possível conhecer a personalidade deste profissional ao longo do dia a dia.

O fato é que, hoje, há uma característica que se tornou fundamental para o sucesso no mundo dos negócios: a inteligência emocional. Por mais competente e qualificado que seja o novo funcionário, é imprescindível que ele tenha também racionalidade e controle emocional.

O profissional visado atualmente tem total capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles. A inteligência emocional é a competência responsável por boa parte do sucesso e da capacidade de liderança de um ser humano.

Mas como identificar essa característica tão importante em um processo seletivo?

Quando falamos de personalidade e de características pessoais, devemos levar em conta a história daquele profissional. Para isso, o ideal seria realizar um processo semelhante ao que se faz em uma terapia. Neste processo, será possível entender até questões familiares e de infância, fatores que dizem muito sobre alguém.

Vale lembrar que todo mundo tem problemas. Se feridas do passado ou do presente forem um empecilho para a contratação de um profissional promissor, a empresa não contrata mais ninguém.

Como vivemos em um mundo caótico, o melhor a se fazer é identificar o nível de inteligência emocional do candidato, se aprofundar no seu lado pessoal e, caso ele tenha qualificação para a vaga em aberto, contrata-lo e ter disponível na empresa não somente um RH que saiba identificar talentos, mas também profissionais especializados para ajudar a lidar com o lado psicológico dos colaboradores.

Como lidar com profissionais que tenham problemas emocionais?

Às vezes nem imaginamos que aquela pessoa com quem convivemos diariamente no trabalho tem traumas seríssimos relacionados a conflitos de família, por exemplo.

Em uma determinada situação de stress ou desentendimento com alguém, é possível que esse funcionário possa, inconscientemente, buscar na sua memória algum destes traumas e ativar um gatilho emocional, reagindo de modo que possa até comprometer seu emprego.

Dessa forma, muitas empresas perdem grandes talentos por não ter seu olhar voltado para o emocional. Isso vale para gestores. Aquele que teve, por exemplo, autoridade excessiva na infância, é provável que desempenhe uma rigidez exacerbada, causando tensão e desmotivação na equipe.

Um trabalho minucioso no contexto pessoal dos funcionários identificaria padrões comportamentais, facilitando o auxílio na melhoria da inteligência emocional de cada um. Este processo custa muito menos do que a reposição de um bom profissional ou a perda de produtividade de toda uma equipe.

Foi-se o tempo em que “os problemas pessoais ficam da porta da empresa para fora”. Hoje, auxiliar o funcionário no aperfeiçoamento de sua inteligência emocional é uma estratégia assertiva. Ambos saem ganhando: a empresa, por diminuir a desmotivação e o turn over; e o profissional, que irá melhorar seu desempenho e ter mais sucesso nos negócios!