Criei uma fábrica brasileira de bicicletas elétricas

Victor Hugo Cruz 25/03/2019
Victor Hugo Cruz 25/03/2019

Se há alguns anos alguém me contasse sobre o futuro e dissesse que eu, um engenheiro mecânico, criaria uma fábrica brasileira de bicicletas elétricas, eu provavelmente não acreditaria. Isso porque bikes elétricas são um assunto novo na minha vida: ouvi falar delas em 2012, no último semestre da graduação, no Centro Universitário Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Na época, comecei a estudar o assunto e o interesse aumentou quando percebi que eu mesmo precisava de uma bike. Eu sofria com o trânsito para chegar na empresa onde fazia trainee, enquanto observava uma ciclovia livre ao lado da faixa cheia de carros. Comecei a pesquisar, a participar de fóruns, até que decidi criar a minha própria bicicleta elétrica, do zero.

Em 2014, fiz um protótipo e mostrei a um amigo. Ele me sugeriu criar uma campanha de financiamento coletivo para construir a bike e foi o que fiz: pedi pouco mais de R$ 35 mil para o projeto e, para minha surpresa, recebi R$ 45.240 de 90 pessoas. Foi assim que nasceu a startup Vela, que produz bikes elétricas para rodar em centros urbanos.

A produção começou num pequeno galpão, no fundo de uma galeria em um espaço de 30 m². Mas, antes mesmo de entregar a primeira bicicleta, a empresa recém-criada já possuía 80 unidades reservadas. Por causa da demanda explosiva tive que profissionalizar o processo de produção.

Em 2015, fomos para uma loja de 200 m², depois nos mudamos para um galpão de 400 m² e, no fim de 2018, nos instalamos em uma fábrica de 2 mil m² em Diadema, no ABC paulista. Passamos de 12 colaboradores para 30 na linha de produção. No total são 50 funcionários que participam do processo, passando pela produção, venda e manutenção das bikes.

O negócio também chamou a atenção dos investidores e, em 2018, captamos R$ 500 mil pela Rede Dinheiro Consciência, plataforma que conecta investidores a negócios de impacto socioambiental positivo. A Vela foi uma das três empresas aprovadas entre 34 projetos analisados. Nesse mesmo ano faturamos R$ 5,3 milhões e vendemos 720 bikes. Para 2019, a previsão é vender cerca de 1500 unidades.