“Deixei uma ótima oferta de trabalho para empreender ao lado de minha esposa”

Fabrício Umpierres Rodrigues 27/09/2018
Fabrício Umpierres Rodrigues 27/09/2018

Formado em Sistemas de Informação e gestor de projetos, Pascoal Vernieri lembra de um momento crucial na carreira, ao apostar na Plathanus, uma consultoria que se transformou em ateliê de software

A decisão de empreender muitas vezes é motivada pela vontade, mas também é pela necessidade. Foi o que aconteceu comigo e minha esposa Ana Paula Probst há cinco anos. Nós trabalhávamos em uma grande empresa de software de gestão (ERP) como consultores cooperados – e tínhamos um ótimo relacionamento com nossos clientes.

Nunca nos preocupamos em vender horas de consultoria. Nosso foco era gerar resultado para o cliente, proteger o investimento dele no que estava contratando. Isso, porém, nos gerava alguns desgastes internos, pois não era um comportamento padrão de consultoria.

Ainda assim, constantemente superávamos as metas, o que nos dava a confiança com relação à qualidade do trabalho. Mas quando a empresa passou por uma necessidade de redução de custos, fomos demitidos – às vésperas do aniversário de sete anos da nossa filha, Clara. Saímos praticamente sem nada, porque atuamos muito tempo como cooperados e só tínhamos quatro meses de contrato CLT.

É um momento difícil, mas decidimos criar um negócio próprio em vez de buscar reposicionamento no mercado e enfrentar as mesmas condições de trabalho de antes.

O que a gente fazia quando o cliente vinha com um problema? Usávamos uma metodologia, chamada Project Model Canvas, e tentávamos resolver. E foi com essa mesma ferramenta que decidimos fazer o nosso projeto de vida e de trabalho. Fomos à batalha e conquistamos o primeiro cliente, uma imobiliária da Grande Florianópolis, que deu sustentação para pagar as contas básicas enquanto trabalhavam para estruturar o portfólio de serviços da nossa empresa recém-criada, uma consultoria de projetos chamada Plathanus, que criamos na Pedra Branca, em Palhoça.

Bem neste momento eu recebi uma oferta irrecusável de trabalho em uma grande empresa do Rio de Janeiro. O salário faria uma diferença e tanto para quem estava lutando para fechar as contas do mês. Mas também não havia garantia nenhuma de continuidade naquele trabalho e qualquer decisão poderia definir o futuro da empresa que estávamos começando a construir. Por isso optei por ficar e manter nosso projeto empreendedor.

Deu certo. A demanda por inovação e novos produtos em empresas do setor de tecnologia em Santa Catarina nos abriu um novo mercado. Além da expertise em consultoria, começamos a desenvolver o projeto de um ateliê de software (produção sob medida), com uma metodologia própria mesclando times de desenvolvimento próprio que interagem com a equipe do cliente.

Um dos primeiros projetos foi com o DOT Digital Group, empresa de tecnologia de Florianópolis com atuação em áreas como marketing e educação. Além deles, nós já atuamos com projetos para 30 clientes, como o Grupo Calcard, Brognoli, Neoway, Fundação CERTI, FCDL, entre outros.

A lição é que nenhum projeto empreendedor assim nasce grande, mas se tiver continuidade ele pode se tornar sustentável. Apostamos não só no nosso trabalho em conjunto mas naquilo que acreditamos que gera resultado.

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