É hora de virar o jogo

Fundador de um grupo de empresas de tecnologia e de relacionamento com clientes, que estão entre as que mais empregam hoje no país, Topázio Silveira Neto mobiliza especialistas de renome nacional em diversas áreas em busca de ideias práticas para enfrentar a pandemia, manter empregos e a renda no país

Redação 30/07/2020
Redação 30/07/2020

 Enquanto alguns gestores públicos se digladiam em meio à pandemia, tem gestor da iniciativa privada que se mobiliza para reduzir o prejuízo a todos, em especial as famílias mais carentes. É o caso de Topázio Neto, que, após deixar o comando de uma das maiores empregadoras do país (Grupo Connvert) – com mais de 11 mil funcionários, sendo 5 mil só em Santa Catarina – e seguir ativo no conselho de administração, resolveu que o momento exige mais. Além de colocar a estrutura de tecnologia da sua empresa à disposição de ongs de Florianópolis para prestar serviços sociais, criou no YouTube o Canal do Topázio, onde reúne especialistas de todo o Brasil para falar de ideias para virar o jogo da atual crise.

O canal começou com o ex-ministro das Telecomunicações, jornalista e senador Helio Costa, com quem Topázio conversou sobre o futuro do trabalho na internet. Também já passaram por lá o professore empreendedor Octavio Lebarbechon, que falou sobre mentoria; o diretor executivo da Junior Achievement, Evandro Badin, numa conversa sobre educação para empreender; a psicóloga e administradora Luciana Zabot, que fala sobre recolocação no novo mercado; o especialista em finanças pessoais Jurandir Sell, com dicas para quem está sem renda fixa; o secretário de Educação de Florianópolis, Maurício Pereira, e o diretor de tecnologia do Colégio Bandeirantes de São Paulo, premiado por Google e Microsoft, Emerson Bento.

“Estamos abrindo discussões sobre emprego, internet, educação para quem está começando e para quem precisa recomeçar. Planejamos entrevistas ao vivo também. A adesão dos convidados está muito boa e teremos outros grandes nomes vindo aí. A ideia é que as pessoas assistam, comentem, sugiram temas, enviem para quem precisa de insights”, diz.

 

O que leva um empreendedor bem-sucedido a não apenas buscar recuperar as perdas de seu negócio com a crise, mas ajudar quem mais precisa?

Acredito que é o espírito público. A consciência de que não se chega a nenhum lugar sozinho. Se alcançamos um momento em que podemos olhar para trás e ver uma carreira, uma trajetória construída, é porque tivemos ajuda das pessoas, da cidade. Retribuir é necessário sempre, mas ainda mais em momentos de depressão econômica como o que estamos vivendo. Nasci, me criei e tive oportunidade de gerar muitos empregos em Florianópolis, Xanxerê, Lages e em São Paulo. Sou grato por isso. Agora tudo indica que o desemprego virá como uma avalanche. Quem já tinha dificuldades de ingressar no mercado de trabalho precisará de ainda mais ajuda. Aqui temos potencial nos serviços, no turismo, nas startups. As empresas desses e de outros setores podem contribuir muito para virar o jogo, dentro das suas especialidades. Todos aqueles que já foram voluntários ou que sentem vontade de ajudar com seu ofício têm nesse momento uma grande oportunidade de fazer a diferença ao ajudar outras pessoas.

 

Na sua empresa algo está sendo feito nesse sentido?

Temos as ferramentas tecnológicas disponíveis para serviços como aconselhamento profissional  e uma central de doações por telefone, por exemplo. Outras possibilidades podem surgir. Tenho conversado com organizações do terceiro setor e conselhos profissionais para colocar as ideias em prática. Vejo que existe essa boa vontade entre outros empreendedores. Temos feito o possível também para manter as pessoas empregadas. Em abril, no auge do isolamento social, acabamos perdendo alguns postos, mas esses já foram recolocados e, como trabalhamos com relacionamento entre marcas e consumidores, o serviço acabou por ser ainda mais procurado e novos empregos foram criados. Acredito que, se cada grande empresa colocar sua expertise a serviço da população fragilizada em Florianópolis pelos impactos da pandemia, mais rapidamente sairemos dessa crise.

Por que um canal no YouTube?

A iniciativa causa um certo estranhamento. Respondo que o melhor que podemos fazer é fazer o que podemos. Nesse momento, a internet tem sido o ponto de encontro dos que estão em casa, o lugar onde se busca ajuda, ideias para se recolocar nesse novo normal.  Muitos têm o espírito empreendedor, mas não sabem por onde começar. Por que não usar esse espaço para fomentar informações úteis e ajudar de alguma forma? Nesse espaço têm surgido dicas valiosas para quem está buscando novos rumos, sejam os iniciantes ou os experientes. O mercado de trabalho já mudou e as pessoas precisam se adaptar.

Você aposta que o futuro do trabalho está na internet?

Não somente, mas essencialmente. Hoje, quem não tem uma boa conexão está muito mais isolado, excluído. Veja que desde o negócio mais simples, como o da boleira do bairro, até as marcas de luxo, precisam da internet para vender. Aprender também passa cada vez mais pela rede. Das buscas no Google sobre como elaborar um bom currículo até aprender um novo idioma ou fazer uma faculdade. Até para receber o auxílio emergencial do Governo Federal é preciso ter algum conhecimento básico. Logicamente continuarão existindo os trabalhos físicos, braçais. Mas é urgente educarmos nossos jovens e adultos para o trabalho digital.

O que esperar do futuro pós-pandemia?

Não esperar. Agir agora. O que estamos vivendo não foi previsto e mudou muitos planos. Mas precisamos buscar otimismo e nos preparar agora para o que ainda virá. O poder público tem um papel fundamental nessa hora, mas não podemos deixar tudo nas costas do governo e aguardar passivamente. Costumo dizer que a melhor ideia não é a minha nem a sua, mas aquela que construiremos juntos. Cada empreendedor, quando começou seu negócio, tinha um sonho. Empreender significa decidir realizar. É uma travessia arriscada. Mas depois que estamos no mar revolto, as alternativas são vencer a tempestade ou afundar. De uma forma ou de outra, levaremos quem estiver no nosso barco. Tudo isso vai passar e será mais rápido se remarmos juntos.

 

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