Minha trajetória profissional me ajudou a empreender

Goldwasser Pereira Neto 13/02/2019
Goldwasser Pereira Neto 13/02/2019

Estudei no segundo grau Técnico em Contabilidade no SENAC, no Rio, entre 1997 e 1999. Neste ano, prestei vestibular para Economia e fui aprovado para este curso na Universidade Federal Fluminense.

Logo no primeiro período, ingressei na empresa júnior da faculdade de Economia. Não era comum aprovarem alguém do primeiro período, mas saí na frente em função do meu conhecimento contábil (algo raro entre os alunos). Desenvolvi alguns projetos de consultoria pela empresa júnior onde fiquei por dois anos. Nos últimos meses, passei a ser diretor financeiro da empresa.

Durante esse período, tiver o prazer, com muito orgulho, de desenvolver um curso pré-vestibular comunitário para pessoas carentes na cidade de Niterói. Utilizávamos os próprios alunos de outros cursos da universidade para lecionar. Já no primeiro ano de curso, obtivemos sucesso de aprovação de candidatos do curso para universidades públicas. Atendemos 30 pessoas no primeiro semestre e já no segundo ano, subimos para 60. As aulas eram dadas nas dependências cedidas pela UFF.
Após dois anos, no início de 2002, deixei a empresa júnior e entrei na empresa Casa & Vídeo, importante rede varejista do Rio de Janeiro. No primeiro momento, era estagiário da área de tecnologia (alocado em Projetos Especiais) onde desenvolvi o projeto para gerar aumento de produtividade nas reuniões. Após três meses nessa posição, fui convidado para integrar o time comercial como analista de compras para os departamentos de brinquedos, videogame além de esporte e lazer.

No final de 2013, ingressei na área que realmente tinha mais aptidão: passei no processo de trainee na Ernst & Young para ser auditor externo. Foi um período de muitos aprendizados e consolidação do conhecimento contábil. Tive o prazer de participar de auditorias de grandes empresas de diversos setores como: financeiro, telefonia etc.

Em 2015, ingressei no Grupo Suzano como analista de planejamento financeiro no braço Petroquímico do grupo. Ainda era uma holding no Rio de Janeiro mas já havia se tornado uma empresa operacional após a compra de 100% da Polibrasil, maior produtora de polipropileno da América Latina. Eu ajudava a cuidar dos investimentos do grupo. No ano seguinte, me mudei para São Paulo para estruturar a área de planejamento financeiro. Desenvolvi o modelo financeiro, ajudei a estruturar instrumentos derivativos e suportava a tesouraria e RI da empresa com informações gerenciais. Participava ativamente dos projetos de M&A da empresa. Em meados de 2017, a companhia foi vendida para a Petrobrás e, na sequência, entrei em um dos projetos mais incríveis da minha carreira, a Breno.

Quando saí da Suzano, recebi   propostas de diversas empresas, quase todas muito bem estruturadas e tradicionais. Contrariando as opções tradicionais, optei por um projeto incrível para ganhar menos e sem função específica. A Brenco era um projeto ambicioso de ser a maior produtora de etanol do mundo. Construímos a empresa do zero. Arrendamos as terras, construímos as usinas, contratamos os times, levantamos os recursos, etc, construímos uma empresa enorme em muito pouco tempo. No início, desenvolvi com outros colegas o business plan de um alcoolduto entre a região que plantávamos até o porto de Santos ou Paranaguá. Após esse projeto, passei três meses em Mineiros-GO liderando a montagem do centro de convivência para os mais de três mil rurículas que vinham de outras partes do Brasil para plantar a cana. Mudamos o padrão do setor. Na Brenco não tinha boia fria mas sim rurícola… nos refeitórios, a comida era sempre de muita qualidade. Tratávamos nosso profissionais com respeito. Quando retornei do período em Goiás fui promovido para minha primeira experiência como gestor. Virei coordenador financeiro. Tive que montar o time e cuidar das áreas de back-office financeiro e tesouraria. Durante a grave crise de 2008 que afetou todo o mundo, estávamos no meio do processo de captação dos recursos do projeto.

Mais de 1 bilhão de reais. Não foi fácil. Todo tipo de dificuldade enfrentávamos durante aquela crise: derrubada do preço do etanol, crise global, falta de recursos em função do atraso na captação, bancos desistindo de participar do sindicato. Precisamos contratar um seguro garantia de 600 milhões no meio da crise de 2018. No final conseguimos, mas a empresa já havia se machucado muito e o mercado já não era o mesmo. A companhia foi vendida e o sonho transferido para outro grupo. Durante esse período o aprendizado foi imensurável, aprendi coisas na Brenco que nunca vou esquecer.
O mais interessante é que minha grande referência como CFO foi justamente o Alfredo Freitas ex-CFO da Suzano e da Brenco. Hoje ele é meu sócio e diretor da Accountfy.

Após a Brenco, fui convidado por um ex-colega dessa empresa para ajudar em um processo de turn-around em uma empresa têxtil familiar, a Ledervin. Fiquei pouco menos de um ano até receber o convite para ser CFO. Tinha apenas 28 anos e seria uma grande oportunidade profissional e financeira. Admirava demais o executivo que estava tocando o negócio e o CEO, representante da família dona da empresa. Curiosamente, no mesmo momento em que recebi o convite para ser CFO dessa incrível indústria, recebi um convite para ir para uma empresa investida da GP Investimentos. Foi amor a primeira vista.

Porém a proposta da Allis, umas das maiores empresas de outsourcing do Brasil, era para ser gerente de back-office e o salário era a metade do que receberia como CFO da Ledervin. Foi dura a decisão pois havia acabado de comprar um apartamento e iria pagar a prestação às duras penas. No entanto, a oportunidade de trabalhar no fundo de investimentos que eu mais admirava era única. Embarquei de corpo e alma no projeto. Logo no início, encarei a fase final de implantação de um grande ERP e a necessidade de organizar a área de back-office. Trabalhei duro e em seis meses fui convidado para ser o CFO. A empresa estava em um momento conturbado, necessitando reorganizar o fluxo de caixa, dívidas, time, contabilidade, etc, um grande desafio. Felizmente tive um grande professor como falado anteriormente. Chegamos a ter 42 ressalvas no balanço (non-opinion de uma big four), extremamente alavancado financeiramente e com resultados em declínio. Nos unimos na diretoria e após três anos de intenso trabalho, deixamos a empresa com resultados recorde, balanços sem ressalvas e entregues para a CVM no prazo e com posição de caixa confortável bem como as dívidas reperfiladas.

Após esse bom trabalho na Allis, a GP me deu a honra de ser o CFO de outra empresa investida. Esta foi a EBAM, empresa de mineração recém criada para explorar o mercado de agregados minerais. Em 2013, esse mercado estava em franca expansão impulsionado pela construção Civil. Criamos uma empresa de dezenas de milhões de reais em apenas dois anos. Criamos e organizamos os processo financeiros, compramos empresas e desenvolvemos projetos green-fields, apostamos mesmo no Brasil. No entanto, após as eleições de 2014 o Brasil entrou na sua pior crise econômica. O setor mais sentiu foi justamente o da EBAM. Entramos então em uma fase de renegociação de dívidas, corte de custos etc. A EBAM possui ativos incríveis e está pronta para deslanchar assim que o mercado da construção civil retomar os investimentos.

Após três anos como CFO da EBAM decidi empreender e montar meu próprio negócio. Montei com mais dois sócios um butique de M&A chamada São Conrado Capital. Um dos sócios fundadores trabalhava comigo na EBAM e era brilhante, o João Pedro Mano. Na São Conrado ajudávamos empresas a levantarem capital, especialmente equity, advindos de fundos de venture capital e private equity. Tínhamos como lema não ser apenas um broker, mas oferecer um trabalho consultivo para ajudar as empresas a se organizarem do ponto de vista contábil e antecipar problemas de uma eventual due-diligence. Alfredo entrou como sócio investidor desde o início e sempre nos apoiou muito. Tivemos relativo sucesso e conseguimos levantar capital para algumas empresas, entre elas, a Órama Dtvm. Nesta tive o prazer de conhecer seu fundador, o Selmo Nissenbaum, que viria a ser nosso sócio no futuro na Accountfy. Durante nossa prestação de serviço, acabamos sem querer desenvolvendo um produto – o que viria a ser a Accountfy.

Quando percebemos que havíamos criado um produto (software) e este precisaria ganhar “vida própria” recebemos o investimento do Pedro Moll – este um grande amigo e sócio. Quando concebemos o Accountfy, imaginávamos que atenderíamos as pequenas empresas e com o tempo percebemos que nosso cliente eram as grandes e médias empresas. Aos poucos deixamos a atividade de consultoria e passamos a focar exclusivamente no Accountfy. Nesse momento, o Alfredo Freitas passou a trabalhar conosco nos ajudando na prospecção comercial. Logo no início fomos convidados para ir para o Cubo, em São Paulo. Passei um ano na ponte aérea entre o Rio e São Paulo. Nossa sede era no Rio e tínhamos essa base no CUBO.

Em meados de 2018, decidi mudar novamente para São Paulo com toda a família. Recebemos no final do último ano um aporte da RedPoint, co-fundador do CUBO. Temos na Redpoint e em todos os sócios uma grande relação de confiança e parceria. Hoje foco totalmente meu tempo no Accountfy.

www.accountfy.com.br