Neurocientista analisa onda de empreendedorismo sênior no Brasil

Sebrae afirma que um em cada dez aposentados pretende empreender; Para especialista, tendência é de aumento desse número nos próximos anos

Redação 28/02/2019
Redação 28/02/2019

“Você só consegue ter uma longevidade saudável se for produtiva”. É com base nessa máxima, de viver mais e com o cérebro ativo, que o médico, neurocientista e treinador comportamental Dr. Jô Furlan lançou o programa Empreendedorismo Sênior, que começou em parceria com a Oficina UniversIDADE, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em 2016. Hoje, dá palestras sobre o tema em todo o país, além de oferecer mentoria a quem deseja iniciar um negócio próprio após os 50 anos, aposentado ou não.

A iniciativa é justificada pelos números. Dados recentes publicados pelo Sebrae mostram que ao menos um em cada dez aposentados pretende empreender. Outra pesquisa, realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e divulgada pelo Sebrae nacional, aponta que, em 2016, a faixa etária de 55 a 64 anos representava 29,6% do total de empreendedores no Brasil. Um ano depois, eles já eram 32,3%. Outros levantamentos apontam que, em média, o brasileiro se aposenta aos 59 anos de idade, uma das menores médias de idade para se aposentar do mundo.

Para o especialista, essa é uma tendência e deve apresentar crescimento acentuado nos próximos anos. “Aqueles os quais chamo de VES (Vividos, Experientes e Sábios) estão cada vez mais em plenas condições de continuar produzindo, entregando experiência e resultados. E a expectativa de vida será cada vez maior. O que ocorre é que, muitas vezes, o mercado de trabalho fecha as portas para eles. Então, é hora de abrir as suas próprias portas. Outros aproveitam a fase como uma oportunidade para fazer o que sempre quiseram, algo que lhes dê mais prazer e, de quebra, proporcione uma nova fonte de renda”, explica. “No dia a dia, falamos com quem já trabalhou como empregado durante boa parte da vida e está disponível no mercado, aposentado ou não, e que deseja aplicar seu conhecimento em algo próprio. Para eles, potencializamos suas capacidades conquistadas ao longo do tempo e buscamos eliminar características que podem atrapalhar no processo de empreender”, conta.

Superar medos e combater eventuais resistências ao aprendizado, especialmente quando relacionado a novas tecnologias, são os principais desafios de quem empreende após os 50 anos.

Microempreendedor

De acordo com Paulo Sérgio Souza, de 58 anos, amigo e sócio de Furlan no programa Empreendedorismo Sênior, a ideia não é criar milionários – eventualmente, isso pode até acontecer –, mas fazer com que cinquentões, sessentões, setentões ou até mais experientes possam criar negócios que estejam de acordo com seus valores e propósito de vida. “Seja em São Paulo, Minas, Bahia ou em qualquer outro lugar do Brasil, é possível ensinar a empreender sem colocar em risco o patrimônio adquirido ao longo da vida. Para esse novo nicho é preciso ajudar a sair da inércia, reconhecendo que a tecnologia veio para mudar o mundo. Enfim, não é questão de dinheiro, mas de cérebro”, diz.

Abaixo, Dr. Jô Furlan lista algumas características inerentes ao novo empreendedor com mais de 50 anos de idade:

Vantagens do empreendedor sênior

– Experiência profissional
– Maior foco
– Menos vaidade nas relações interpessoais
– Maior rede de contatos
– Patrimônio adquirido
– Despesas pessoais mais baixas
– Maior tempo livre para criar
– Menos dúvidas sobre atividades que trazem bem-estar

Desafios do empreendedor sênior

– Adaptação às novas tecnologias
– Resistência a adquirir novos conhecimentos
– Vícios obtidos na vida como empregado
– Medo de perder patrimônio
– Certezas e convicções
– Cultura de trabalho antiga
– Compreensão de que a dedicação influencia diretamente no resultado da empresa