Novos hábitos alimentares levam investidores a criar modelos para atrair o consumidor

Faça sol, chuva, calor ou frio, para o brasileiro, cuidar da saúde é uma regra que tem sido incorporada cada vez mais no dia a dia. Quem está atento ao mercado tem surfado nas boas ondas do setor, que segue em alta no franchising. Há anos na liderança, alimentação figura como o segmento mais próspero e fechou 2018 com cerca de 33.895 unidades que faturaram, juntas, mais de R$ 45 bilhões no ano. Logo atrás, Saúde, Beleza e Bem-estar, com 18% do mercado nacional, ante 26% da sucessora, movimentou sozinho R$ 32 bilhões. Os números, mais do que dar dimensão do cenário atual, revelam em si uma tendência que vem sendo sentida há alguns anos: investir em negócios focados em saudabilidade são sim um dos mais vantajosos.

Quem ilustra bem esse movimento são os empresários Victor Giansante, Fernando Bueno e Rodrigo Barros. No Brasil desde 2009 como master franqueados da Salad Creations, rede pioneira a implementar a pista de ingredientes para composição do prato, perceberam logo nos primeiros anos que para prosperar era preciso mais do que vender apenas salada. Conseguiram, no ano seguinte à chegada, autorização da matriz para incorporar os pratos quentes, como crepes e quiches. A iniciativa evitou a queda de 40% no faturamento durante os meses mais frios do ano e equilibrou as vendas. Na sequência, os executivos também investiram numa nova apresentação, uniformes e treinamento, que possibilitou um upgrade de 20% no faturamento.

Se as mudanças parecem muitas, a maior e mais significativa delas foi mesmo em 2015, quando o trio de empresários rompeu o contrato com a rede americana e reformulou todo o layout, explorando mais da regionalidade e adaptando-a ao gosto do consumidor brasileiro. Foram dois anos de transição para, agora, em 2019, lançarem oficialmente a rede Boali, junção das palavras boa e alimentação. “A Boali é uma marca que permite muito mais do que a Salad Creations. Ela traz a boa alimentação num conceito mais amplo e não apenas a salada, embora uma não esteja dissociada da outra. Se nos EUA a pista foi suficiente para gerar resultados, aqui isso não aconteceu e foi preciso ampliar o portfólio no ponto de venda. E, principalmente, mudamos porque sentimos a necessidade de criar uma marca com DNA 100% brasileiro”, afirma Victor Giansante, sócio e diretor de expansão.

Com todas as bandeiras devidamente alteradas, 32 unidades ao todo, o plano para esse ano é expandir, levando adiante a ideia de ser um negócio rentável e capaz de promover o bem por meio da alimentação saudável e acessível ao consumidor. O terreno em que a rede de franquias finca as estruturas é sólido e bastante favorável. O estudo da agência Euromonitor International, The Top 10 Consumer Trends for 2017, revelou que cerca de 79% dos participantes afirmaram substituir os alimentos “convencionais” por versões mais nutritivas. Aqui no Brasil, dados divulgado pelo Ministério do Meio do Ambiente endossam a pesquisa acima: embora a agricultura brasileira seja líder no uso de agrotóxicos, é o mercado de produtos industrializados orgânicos que mais cresce, chegando ao patamar de 25% ao ano desde 2009 em contrapartida aos 6% da média mundial.

Em cifras, o mercado é bilionário! Outra pesquisa também da Euromonitor apontou que o segmento de alimentos e bebidas saudáveis cresceu nos últimos cinco anos 98%, movimentando um montante anual na casa dos US$ 35 bilhões apenas no Brasil. E mesmo durante a crise, que assustou e desacelerou a economia brasileira, muitos deixaram os padrões de consumo de lado e adotaram um estilo mais saudável, incluindo na dieta grãos, cereais e sementes, como chia e linhaça. Razão pela qual a Boali, mesmo em transição e com um novo layout, não totalmente conhecido do consumidor, seguiu crescendo e fechou 2018 com um faturamento de R$ 35 milhões e 34 lojas. A perspectiva, agora, é ir ainda mais longe, com previsão de abertura de mais 100 unidades em três anos.

Os aportes iniciais podem variar entre R$ 60 mil a R$ 500 mil e o plano de expansão prevê a pulverização da marca, instalando os modelos de negócios de acordo com o perfil da cidade. Ao todo, são cinco modelos: delivery, quiosque, loja corporativa, de shopping e de rua. Para cidades menores, como as do interior de São Paulo, a meta é instalar prioritariamente o delivery, que é financeiramente mais em conta, mas atende um raio significativo da população local. Já para as capitais dos estados, além deste, os demais modelos são implementados dependendo da localização do ponto. A perspectiva de retorno do investimento depende do modelo de operação, mas já pode ser sentido entre os 12º a 18º meses. Para uma rede que nasceu com o propósito de fazer a diferença no dia a dia do empreendedor e consumidor, o cenário não deixa mentir: a Boali colherá bons frutos daqui para frente.

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