Os desafios da mulher que empreende no Brasil

Dia 19 de novembro foi oficializado, pela ONU, como o Dia do Empreendedorismo Feminino. Esse movimento ganha cada vez mais força, mas as empreendedoras ainda passam por situações difíceis no país

Maria Gabriela Ortiz 19/11/2020
Maria Gabriela Ortiz 19/11/2020

Os desafios para qualquer pessoa empreender são inúmeros. Porém, para as empreendedoras mulheres, este cenário de dificuldades é ainda maior, pois, além das barreiras de gerenciamento de negócios, outros fatores como percepções sociais e pautas sexistas têm grande influência no dia a dia.

Por mais que as mulheres tenham começado a ganhar espaço no mercado de trabalho, sobretudo na segunda metade do século XX, é somente agora, no século XXI que as mulheres têm a oportunidade de criar e planejar suas carreiras.

Para exemplificar, é possível destacar alguns dos principais desafios vivenciados pelas mulheres empreendedoras brasileiras:

MÚLTIPLA JORNADA

Mesmo com o passar dos anos e a evolução do que se entende por sociedade, até hoje as mulheres continuam sendo as maiores responsáveis pelas tarefas domésticas, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. Contudo, dados do estudo realizado pelo Instituto apontam que mais de 40% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres, que, em sua maioria, tem níveis escolares mais altos do que a dos homens.

Esse comportamento demonstra que, além de administrarem empresas, as mulheres ainda são responsáveis pela execução das tarefas domésticas, cuidado com os filhos, além de terem que encontrar espaço para os estudos. Esse tipo dupla ou até mesmo tripla jornada traz malefícios, como sobrecarga física e psicológica, por exemplo.

SEXISMO

Não é surpresa para ninguém que a realidade feminina no mundo dos negócios ainda é muito diferente da masculina, afinal, em uma boa quantidade de casos, o simples fato de ser mulher faz com que acionistas e investidores desacreditem e diminuam a credibilidade do negócio, além de duvidarem da capacidade de gestão da empreendedora.

Cenários como estes são bastante comuns e reflete a imagem construída ao longo dos anos de que os homens são os melhores preparados e os únicos capazes de garantir a sobrevivência das famílias.

FALTA DE INCENTIVO

Há quem diga que este seja um dos piores desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras, que na grande maioria dos casos não contam nem com o suporte dos próprios familiares. Atualmente, não é difícil encontrar relatos de mulheres já bem-sucedidas, mas que passaram por situações desconfortáveis e desafiadoras no início de suas jornadas

Em momentos como estes, vale a pena buscar apoio em pessoas que talvez estejam até mesmo mais distantes e também é importante aproveitar o período para fazer novas amizades e até mesmo conexões que podem vir a beneficiar os negócios.

LIMITAÇÃO DE CRÉDITO

Conseguir crédito no mercado é sempre uma tarefa difícil para todo empreendedor. Porém, para as mulheres esse processo pode ser ainda pior. Influenciados por questões sexistas, muitos credores trabalham com linhas de crédito financeiro menores e com taxas de juros mais elevadas.

Além disso, menos de 2% de 2% dos recursos de crédito mundiais são direcionados para empresas que contam com liderança feminina, segundo dados da Rede Mulher Empreendedora – organização da sociedade civil de apoio a projetos de empreendedorismo feminino.

De acordo com pesquisa realizada pela organização, 59% das mulheres empreendedoras afirmam que investiriam mais em suas empresas se tivessem a oportunidade de negociar linhas e taxas de crédito mais atrativas, enquanto 38% garantem que precisam de crédito, mas não têm acesso.

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