Ousei sonhar e criei uma marca de bolsas modernas e artesanais

Marina Sartori 17/05/2019
Marina Sartori 17/05/2019

Resolvi sonhar. Ou melhor, resolvi trabalhar para o meu sonho. Sou Marina, natural de Florianópolis, formada em Psicologia, História e Especialista em Gestão de Negócios. A liberdade criativa que empreender proporciona foi o que me motivou a criar a Donatelo Eco. Uma marca de bolsas veganas e artesanais, produzidas com materiais sustentáveis e tecidos descartados pela indústria têxtil. Comecei, com a ajuda do meu pai, fazendo alguns protótipos com madeira, porém acabamos criando algo mais conceitual do que comercial. Era preciso lapidar a nossa obra. Foi quando, ao procurar materiais locais, encontrei o vime, naturalmente resistente e produzido aqui em Santa Catarina. Uma segunda leva de protótipos foi feita e o resultado me agradou muito.

O vime passou a ser o carro chefe da marca, lançada em agosto de 2018, cheia de propósito e vontade de dar certo. Um artesão, de Lages/SC, produz o vime e eu mesma confecciono as bolsas. A produção é feita em pequena escala, conforme a demanda.

Comecei com apenas 2 modelos. Não deram certo, mas empreender é isso. É tentar, falhar, pesquisar, refazer até se adequar às necessidades do público. Aos poucos fui percebendo o que funciona, fui encontrando o meu público e expandindo de forma consciente e orgânica.

A marca ainda é muito nova e as dificuldades são diárias. Florianópolis ainda está iniciando o processo de valorização de marcas locais/artesanais quando comparada com cidades como São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre. Cada vez mais vem sendo criadas feiras que buscam incentivar produtos locais e fomentar discussões acerca do consumo moderno.

Não possuo loja física e nem pretendo. Acredito que as lojas colaborativas têm mais o perfil da marca. A união e a coletividade são essenciais para o crescimento desse novo tipo de consumo. Acho importante vincular meus produtos a ideias próximas às minhas e não desviar do meu propósito quando criei a Donatelo.

Apesar das dificuldades próprias de quem tem uma marca pequena – desde o alto custo da produção até encontrar fornecedores alinhados com a proposta da empresa – penso que estou inserida em um processo em crescimento e de acordo com os valores que imprimo em minha marca. Priorizo produtos brasileiros e de pequenas empresas, pois assim consigo olhar mais de perto toda a cadeia de produção. Isso para mim é importante, pois prezo pelo trabalho ético, envolvendo cada peça que escolho. Atualmente, o único material que trago de fora do Brasil é a cortiça, que importo de Portugal, de uma empresa confiável com selo PETA vegan approved, comprovando a inexistência de qualquer material de origem animal.

O vime natural e orgânico, cortiça, madeira, corda feita com garrafas PET recicladas, tecidos naturais ou descartados pela indústria têxtil são os principais materiais utilizados na confecção das nossas bolsas. Procuro sempre pesquisar novas opções menos nocivas ao meio ambiente para crescer apoiando empresas que buscam soluções para fomentar o uso de materiais veganos e sustentáveis.

A maior parte das vendas ocorrem pela internet, no nosso site. Em Florianópolis, é possível encontrar as bolsas Donatelo em três lojas colaborativas (Desapegue, Local Colab e Lilled). Também fechei recentemente uma parceria com uma loja em SP, a Casa Reviva, ligada à ONG Reviva, em que todo o lucro da Casa é destinado ao desenvolvimento de projetos que constroem casas e oferecem água potável para comunidades carentes no Brasil e em países africanos.

Esse tipo de iniciativa faz com que o meu trabalho vá além de vendas de bolsas, abraçando ideias que fazem a diferença socialmente. Eu ainda estou no início da caminhada, mas andar de mãos dadas com nossos sonhos fazem o caminho ser mais verdadeiro e enriquecedor.