Participação feminina em cargos de liderança cresce em cenários predominantemente masculinos

Redação 03/12/2019
Redação 03/12/2019

Seja na liderança de grandes equipes ou até mesmo na fiscalização de canteiros de obras. O fato é que a participação feminina em cenários predominantemente masculinos está crescendo nas últimas décadas. Segundo dados levantados pela consultoria Great Place to Work (GPTW), a fatia de mulheres em cargos de chefia nas 150 melhores empresas para trabalhar no Brasil cresceu de 11%, em 2007, para 42%, em 2018. Em 2016, o percentual era de 33%, o que revela um salto de quase 10 pontos percentuais nos últimos três anos.

O mesmo movimento acontece, por exemplo, no setor de arquitetura e construção, que passa a apresentar mais mulheres na liderança de projetos grandiosos. É o caso do escritório ARTO Arquitetura, com foco em saúde. Para realizar a reestruturação e expansão do Hospital di Camp, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a empresa conta com uma equipe 100% feminina na liderança, que acompanha todas os processos, desde a fase de orçamento até o acompanhamento da obra.

“Precisamos quebrar esse preconceito de que existem profissões e ambientes de trabalho distintos para cada gênero. Como mulher e sócia de um escritório de arquitetura no Rio de Janeiro, onde encontramos poucas mulheres acompanhando projetos e obras dessa magnitude, me sinto no dever de incentivar esse movimento e fomentar equipes femininas. Ao todo, somos dez mulheres capacitadas, mostrando ao mercado de que somos capazes de liderar um projeto inteiro, inclusive toda a obra”, conta a arquiteta e urbanista Moema Loures, sócia do escritório ARTO Arquitetura.

Com a equipe 100% feminina da ARTO Arquitetura, o Hospital Di Camp se prepara para levar à região de Campo Grande serviços e infraestrutura de ponta, reformulando totalmente a sua unidade com uma grande expansão e reestruturação, que vai do térreo do seu edifício até o solarium. Com as melhorias finalizadas até o momento, o hospital vai oferecer um aumento no número de leitos, de 35 para 45, e já conta com um crescimento de 30% nas internações mensais, devido aos ambientes mais modernos, convidativos e humanizados.

Moema é a profissional à frente de toda a reestruturação do Hospital Di Camp. Professora da PUC-Rio, a arquiteta também é doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com doutorado sanduiche pela École Nationale Supérieure de Paris, na França. Como coordenadora do novo curso de “Arquitetura para Saúde” da PUC-Rio, Moema afirma que o principal objetivo do projeto é permitir que o hospital cresça de forma flexível e que no futuro novos conceitos e tecnologias possam ser adicionados.

 “Nossos espaços são leves, livres e abertos à imaginação. Trabalhamos com muito rigor e afeto na construção de um mundo melhor. Mergulhamos a fundo no dia a dia da equipe médica, dos pacientes e de toda a logística necessária para que aquele hospital funcione. E é exatamente isso que estamos fazendo aqui na Zona Oeste do Rio de Janeiro”, afirma.