Potencial de consumo da periferia é aposta do Outdoor Social

Zelândia Silva 22/09/2020
Zelândia Silva 22/09/2020

A pandemia causou uma crise econômica mundial, trouxe demissões em massa, prejuízos gigantescos e falência para muitas empresas. Mas, para o Outdoor Social®, o ano é de lançamentos e um plano de expansão promissor. A empresa faturou até agosto 80% do valor em comparação a 2019 e está aumentando seu time comercial.

“Nossa previsão de crescimento anual varia entre 10% e 15%. Esse ano tivemos receio de não alcançar esse número, mas hoje já projetamos uma expansão em torno de 22% em relação a 2019”, comenta Emília Rabello, fundadora do Outdoor Social®.

O Outdoor Social® foi criado para realizar transferência de renda através da publicidade, baseado na percepção de que o mercado publicitário não tinha acesso a canais de comunicação legítimos para se comunicar com a periferia. A empresa conta com coordenadores locais que são responsáveis pela análise dos melhores espaços para a veiculação, cadastramento e contato junto aos moradores e empresários das comunidades que cedem seus muros de forma remunerada para a colocação de painéis publicitários. O ciclo se completa com a retirada do anúncio e envio do material para um centro de reciclagem.

Ao longo de 8 anos, já foram impressos 68.941 painéis, conquistou abrangência nacional de 31 mil pontos de exibição, presentes em 6.200 comunidades e mais de 30 mil famílias beneficiadas. Mas o negócio ainda enfrenta o grande desafio de convencer empresários que a favela é uma potência. Por isso, além dos painéis publicitários, passou a investir também em outras linhas de atuação, como as pesquisas de consumo.

Projetos

Outdoor Social Inteligência® fornece dados para mostrar às marcas esse cenário e como ganhar relevância no mercado. Segundo os números apurados nessas pesquisas, o potencial de consumo anual gira em torno de R$ 159 bilhões nesses territórios, que normalmente são negligenciados nos planos de comunicação e marketing de grande parte das companhias. “Estamos oferecendo este serviço também para empresas que precisam compreender a abrangência desse público. São 12 milhões de pessoas que vivem nas comunidades e periferias. Se incluirmos classes C, D e E, representam 76% da população brasileira. Uma empresa que desconsidera esse público, perde uma fatia importante de market share”, diz Emilia.

Durante o auge da pandemia, foram produzidas duas pesquisas com foco em compreender como a doença estava afetando moradores e negócios locais das maiores favelas do país. Os dados revelaram que a maior parte dos moradores que não estavam cumprindo a quarentena, precisavam sair para trabalhar. Outra informação relevante é que apesar do fechamento, os empresários dessas comunidades não demitiram seus funcionários.

Por ser um negócio de impacto, um dos grandes objetivos do Outdoor Social® é sempre aumentar o número de pessoas beneficiadas com seus serviços. Neste ano, a empresa lançou o NoFluxxo®, um projeto que oferece wi-fi gratuito de qualidade em pontos estratégicos nas favelas, mantido por meio de anúncios publicitários. Para implantar o piloto em Heliópolis, lançado em maio, a empresa investiu recursos próprios e contou com a parceria da Associação de Moradores. Nos primeiros 90 dias, aproximadamente 80 mil pessoas passaram pelo raio de alcance da rede, mostrando o potencial desse projeto.

O plano de expansão do NoFluxxo® já tem a previsão para mais dois pontos em São Paulo e no Rio de Janeiro nos próximos meses. “Estamos trabalhando com rodadas de investidor e captando 2 milhões de reais para poder montar uma rede nacional que seja relevante tanto para os anunciantes, quanto para os usuários”, revela a fundadora.

Outra frente de atuação é o Bora Testar®, que tem o objetivo de fazer testagem gratuita em massa nas favelas para o novo coronavírus. O projeto, que além de crowdfunding e doações do próprio Outdoor Social®, prevê exposição de publicidade para captação de recursos, foi lançado em agosto em Paraisópolis.

“Quando criei o Outdoor Social® em 2012, esse modelo de negócio era muito novo no Brasil, ou me confundiam com ONG ou diziam que eu não podia ser social porque tinha lucro na operação. Hoje, os negócios de impacto já estão mais difundidos, mas a concentração de renda no país ainda é uma das maiores do mundo e ficou ainda mais evidente esse ano. Por isso, precisamos investir em empreendimentos que possibilitem essa transferência de renda”, finaliza Emília.

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