Mercado de produtos naturais é um dos mais promissores no Brasil

O consumo de alimentos saudáveis cresce ano a ano e atrai a atenção de emprésarios de sucesso e grandes players mundiais do setor

Raquel Rezende 23/12/2014
Raquel Rezende 23/12/2014

O mercado de alimentos e produtos naturais no Brasil vem crescendo ano a ano, impulsionado pelo desejo dos consumidores de querer se alimentar de maneira mais saudável. Além disso, existe a grande tendência de buscar itens que não agridem o meio ambiente. Assim, esses novos hábitos favorecem o mercado de alimentos naturais e as empresas do setor trabalham para atender ao gosto do público oferecendo inúmeras opções para se alimentar de forma mais natural.

As oportunidades deste nicho apareceram para todo tipo de empreendedor, desde aquele que estava apenas começando de forma artesanal em casa até para aqueles que já tinham uma marca fortemente construída. Como exemplo disso, destaca-se o empresário Carlos Wizard, um dos maiores casos de sucesso do franchising brasileiro, que vendeu o maior grupo de educação do mundo no segmento, para depois comprar o Mundo Verde, uma das mais importantes empresas do ramo nacional de produtos naturais.

Loja Mundo Verde_Cred_Divulgação

As perspectivas de Wizard para o Mundo Verde é chegar a mil unidades franqueadas e faturar R$ 1 bilhão em 2018. Montante que não será muito difícil atingir, basta olhar para os números do mercado de alimentos no Brasil que correspondem a US$ 126,05 bi, sendo que os produtos de saúde e bem-estar equivalem a 20% deste valor, chegando a US$ 25,21 bi, segundo o Euromonitor 2014.

Inseridos nesse negócio que apresenta demanda crescente, está a marca catarinense Da Magrinha que foi umas das empresas que começou de forma artesanal com o casal Celso e Maura Dutra, na década de 90, na praia da Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC). Maura sabia fazer granola e biscoitos de amendoim com açúcar mascavo. E Celso sabia vender os produtos. Na época, ele criava as etiquetas na máquina de escrever para colocar nos produtos e todo o processo de produção era rústico e artesanal.

O nome Da magrinha surgiu por causa de Maura, pois Celso a chamava de magrinha. “Depois esse nome fez ainda mais sentido, pois as pessoas buscam alimentos naturais para sua saúde, bem-estar e beleza, enfim para ser mais magras”, acrescenta Celso. O nome da empresa foi registrado e patenteado e, só depois de quase 10 anos, Celso e Maura puderam dizer que eram donos da marca.

Os 23 anos da Da Magrinha no mercado foram marcados por muita perseverança do casal. No começo, para acelerar o negócio, eles tiveram que pedir empréstimos nos bancos, financiar a compra de máquinas e investir significativas quantias para colocar o seu principal produto, a granola, para vender nos supermercados. “Levamos 10 anos para chegar no zero, pois estávamos no zero à esquerda”, ironiza Celso. Entretanto, com mais 10 anos, foi possível expandir para várias partes de Santa Catarina e avançar para os estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A empresa iniciou com a venda de um tipo de granola e agora oferece mais três sabores de granolas, cookies integrais e complementos alimentares.

Celso e Maura sempre se preocuparam muito com a qualidade do produto, por isso quiseram manter a produção artesanal em uma escala industrial em uma fábrica de 400 metros quadrados na Barra da Lagoa. “A qualidade está acima de tudo, o cliente tem que comprar seu produto e acreditar que ele é bom”, enfatiza Celso. Foi nesse ritmo de fé e trabalho que eles conseguiram fazer o faturamento da empresa triplicar. Paralelo a isso, Celso avalia que a cada dia que passa o mercado está evoluindo e melhorando. “Quando vem concorrentes é bom, pois é mais uma empresa que pode conscientizar as pessoas de que comer bem melhora a saúde”, afirma.

magrinha

No final de 2011, uma multinacional da Europa ficou sabendo do trabalho de Celso e Maura e fez uma proposta para comprar a empresa. Assim, a Da magrinha foi vendida. A multinacional investiu R$ 1 milhão para comprar uma máquina de cookies e produz 20 toneladas de granola por mês em um espaço de 30 mil metros quadrados, em Tijucas (SC). Celso se tornou diretor comercial da empresa. “A multinacional comprou o know-how e eu fico muito feliz que a marca desenvolva e prospere”, diz Celso.

O plano agora, segundo Celso, é faturar cada vez mais e colocar os produtos Da Magrinha em todo o Brasil e, se possível, internacionalizar a marca. Hoje, Celso faz o que mais gosta de fazer: contatos e a negociação dos produtos. Antes, ele tinha que fazer tudo. E, agora, tem o dia todo para fazer uma reunião. E Maura é uma espécie de consultora, quando precisam dela para opinar, ela é chamada na empresa. Além disso, Maura dá palestras e ensina a fazer alimentos saudáveis. Ela só não pode ensinar a receita da granola. Afinal, essa receita da família é o ativo mais valioso da empresa.

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