Startup de vestidos de noiva capta R$ 650 mil em investimentos ao engajar clientes

Redação 03/12/2019
Redação 03/12/2019

Um negócio que há cinco anos teve um investimento inicial de R$ 10 mil e que conseguiu atingir um faturamento de R$1 milhão no ano passado. A projeção para 2025 é ambiciosa: alcançar a marca anual de R$16 milhões. Os números são altos, mas certamente o propósito de transformar uma indústria tão tradicional como a de casamentos em algo mais acessível chamou a atenção dos 233 investidores que aportaram R$ 650 mil na startup “O Amor É Simples”.

O valor foi arrecadado dentro da CapTable, a plataforma de investimentos em startups da StartSe em que qualquer pessoa pode se tornar sócia de uma startup com valores a partir de R$500,00. E o que mais chamou a atenção foi o engajamento e a presença de noivas que compraram seus vestidos pelo site e resolveram se tornar investidoras do empreendimento, fechando um curioso – e inédito – ciclo nesse ecossistema.

Sediada em Porto Alegre (RS), a ideia de criar “O Amor É Simples” surgiu quando uma das fundadoras, Laís Ribeiro, decidiu se casar e se assustou ao encontrar vestidos de noiva com valores elevados e com contratos tão amarrados que chegavam a durar até dois anos. “Tudo nessa indústria era supervalorizado e pensado para um casamento tradicional. Eu estava mudando de cidade, queria fazer uma festa de casamento que fosse uma despedida, bem informal e econômica. Acabei não encontrando um vestido adequado para o meu meu bolso e tipo de cerimônia”, relata a empreendedora gaúcha.

Laís reuniu mais três amigas que passaram por problemas parecidos. Juntas elas começaram um negócio que proporciona a criação, exposição e comércio de vestidos de noiva com foco em cerimônias menos tradicionais, design simples, modernos, leves, confortáveis de usar, com qualidade de atelier e preços atrativos. Esses são alguns dos anseios da chamada Geração Y (ou millenials) que não estão mais dispostos a investir valores que podem se equivaler a um apartamento para um experiência que dura apenas uma noite.

De acordo com dados oficiais, um milhão de casamentos são realizados por ano no Brasil, sendo 45% deles dessa faixa etária que, cada vez mais, tem preferido celebrações menores e mais intimistas. Mas, desde o início, vender online mostrou-se um desafio com muitas barreiras de compra, o que levou as empreendedoras a diversificar suas estratégias. Uma delas foi a aquisição do site “Casando sem grana”, um dos maiores blogs de casamentos do país. Depois, partiram para uma experiência física, percorrendo diversas capitais do Brasil com lojas temporárias. “Só em São Paulo conseguimos vender em três dias tudo o que já havíamos faturado com o e-commerce e a loja de Porto Alegre”, conta Laís. Toda essa experiência de aprendizado foi fundamental para fazer a startup registrar uma taxa de crescimento de 300% ao ano.

O resultado chamou a atenção da CapTable, responsável por captações bem sucedidas de startups com alto potencial de serem os próximos unicórnios em seus ramos como TrashIn (socialtech), Eirene Solutions (agritech) e InBeauty (healthtech). De acordo com Guilherme Enck, co-fundador da plataforma que tem a StartSe (empresa de educação continuada) como sócia, os indicadores de todos os projetos em que qualquer pessoa pode se tornar investidora, estão disponíveis no site para ajudar o futuro investidor em sua decisão.

“Um aspecto que se destaca em ‘O Amor É Simples’, além do crescimento na casa dos três dígitos, é aliar branding, propósito e um claro potencial de lucro. É hora d’O Amor é Simples ganhar marketshare e sabemos por experiência que quanto maior a escala, maior a tendência de que a margem cresça ainda mais”, aponta Guilherme. Outro fato que chamou a atenção – e até então não visto neste tipo de plataforma no Brasil – foi o engajamento de clientes que foram convidadas para se tornarem sócias e atenderam ao chamado.

A engenheira paulista Aline Veronese Silva, 34 anos, é uma dessas pessoas. Quando quis se casar, resolveu adquirir um vestido de noiva da marca logo quando “O Amor é Simples” começou a sua operação. “A proposta da empresa é incrível, e nunca tive dúvidas de que o negócio tinha tudo para dar certo. Quando tive a oportunidade de investir, não pensei duas vezes! Fico muito feliz em poder fazer parte dessa história de alguma forma”, relata Aline.

A movimentação de noivas atendidas pela startup e o engajamento que tiveram durante a divulgação foram fundamentais para que a captação de investimentos se encerrasse em apenas duas semanas. Isso fez com que 28% dos investidores que fizeram algum aporte dentro da CapTable fossem mulheres, um número 300% maior do que a rodada anterior realizada entre julho e outubro deste ano.

“O Amor É Simples” comprova um cenário de alto desempenho por startups comandadas por mulheres apontado em relatórios do The Boston Consulting Group. De acordo com dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups),  apenas 12,4% dos empreendimentos digitais são comandados por gestoras. Já o SEBRAE mostra que são 9,3 milhões de mulheres que comandam uma empresa, um índice que representa 34% de todos os negócios formais e informais brasileiros.

A startup foi acelerada pela Ventiur e recebeu investimentos de nomes como Camila Costa (CEO da ID\TBWA  e investidora de startups lideradas por mulheres) e Renato Mendes, que não poupa elogios às empreendedoras.  “Elas são as mais geniais com as quais eu já tive oportunidade de trabalhar. Conseguiram transformar meu investimento de R$80mil em um faturamento de R$1mi em 2018. Elas vão fazer o que for necessário para esse negócio virar”, disse o ex-head de Marketing da Netshoes e autor do best seller “Mude ou Morra”.

Sobre a CapTable 

Sediada na capital gaúcha, a CapTable é uma plataforma de investimentos em startups em que, com valores a partir de R$500,00, qualquer pessoa pode se tornar investidora de uma das iniciativas do portfólio. A CapTable é uma joint venture entre a StartSe e a holding CFG (Crowdfunding Group), que abriga também a fintech Cap Rate, plataforma de investimentos no mercado imobiliário. Os cofundadores da CapTable, Guilherme Enck e Paulo Deitos, participaram ativamente da atividades e discussões que culminaram na publicação da Instrução CVM-588 que regulamentou o setor no país.