Startup detecta distanciamento social dentro dos lares, lança alerta e oferece soluções

As incertezas e inseguranças em decorrência do distanciamento social por conta da pandemia do novo coronavírus fez com que o ano de 2020 tivesse um caráter extremamente complexo e diferente de tudo. E ao contrário do que muitos imaginavam, 2021 seguiu no mesmo ritmo. O tempo em casa trouxe à tona diversas mudanças de rotina e psicológicas, afinal, em pouco tempo as pessoas deixaram de sair de suas residências, readaptando quase todos os seus afazeres para dentro do ambiente doméstico. Com isso, famílias inteiras se veem convivendo diariamente, 24 horas por dia, e isso fez com que novas questões fossem discutidas e em alguns casos, até o distanciamento dessas pessoas, por excesso de contato.

Ansiedade, depressão, divórcios, casos de violência doméstica, excesso de trabalho e muitos outros problemas como esses, aumentaram drasticamente nesse período. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a pandemia está causando uma crise de saúde mental nas Américas e ela atinge pessoas de todas as idades, desde crianças a idosos. Já uma pesquisa da Hibou, empresa especializada em pesquisa e monitoramento de mercado e consumo, escancarou uma realidade enfrentada por milhares de mulheres mundo afora durante a pandemia: a violência doméstica. Só no Brasil, 81% das brasileiras ouviram relatos de pessoas próximas que já foram vítimas do crime durante o período.

Diretor da Cadmo Clínica Médica, o médico psiquiatra Gustavo Sehnem afirma que, assim como o corpo, a saúde mental também é afetada pela pandemia. Situações como o distanciamento social, a incerteza e a insegurança modificaram a rotina e o planejamento de muitas pessoas, afetando os seus hábitos, o que pode refletir na saúde mental. “O estresse prolongado pode ser motivador para situações de ansiedade, depressão, entre outros quadros”, diz. O home office fez com que muitas pessoas não consigam definir os horários para se desconectar. Em muitos casos, no início da pandemia, as pessoas se tornaram até mais produtivas, mas não é algo sustentável. “O organismo é interligado. A criação de hábitos, uma rotina de sono, uma alimentação equilibrada e horários de atividade física interferem no dia a dia. Na clínica, observamos como a rotina é importante para as pessoas com os mais diversos quadros”, explica Sehnem.

Percebendo essa tendência destrutiva nos lares brasileiros, a startup MCities, especializada em comunicação inovadora e experiências urbanas, passou a trabalhar com iniciativas que têm a disposição de cuidar da saúde emocional das pessoas e prepará-las para a retomada da vida social no ambiente urbano. “Curiosamente, o maior desafio para o momento, diz respeito a reaproximar as pessoas dentro de suas próprias casas”, explica Paulo Hansted, CEO da startup MCities. “Observamos que ao adaptar rotinas de atividades que antes sugerimos fazer em espaços urbanos, tais quais acampamento e selfies com crianças e pets em parques e ruas, para a sala ou o quintal, estávamos auxiliando as pessoas a terem estímulos positivos para quebrar as más rotinas. Mostramos que a impossibilidade de um banho no cachorro em um pet da cidade podia virar uma atividade divertida em família em casa. Esta e muitas outras, rotinas sempre inspiradas no mundo exterior, começaram a ajudar a minimizar o problema da desconexão e suas consequências. Qualquer simples estímulo positivo de uso do tempo, tem poder de criar um ambiente mais favorável para o enfrentamento dos maus hábitos”, detalha Hansted.

Com os ótimos resultados atingidos, contabilizando mais de 6 milhões de visualizações na plataforma no primeiro mês, a startup resolveu dar um passo a mais para ajudar as pessoas que sofrem em silêncio com a “pandemia dentro da pandemia”, criando o movimento “O Que Conecta Você às Pessoas”, que tem por objetivo mostrar como a Tecnologia e a Inovação têm o poder de transformar adversidade em oportunidade. Em sua primeira fase, lançado no final de 2020, o movimento ganhou forma com a disposição de chamar a participação de empresas parceiras para, junto com o MCities, ampliar o conjunto de estímulos de atividades que gerassem por bons hábitos fortalecendo vínculos familiares e destacando a percepção de que o que conecta as pessoas é a empatia, o amor e o carinho.

“As empresas Unimed Curitiba, a rede de farmácias Nissei e HiperZoo assumiram imediatamente uma posição de suporte a causa, compartilhando profissionais para oferecer maior embasamento técnico e auxiliar a equipe MCities na elaboração das atividades de estímulo. Assim, ampliamos considerando atividades no ambiente interno (casa) e externo (cidade) com segurança. Diante das novas restrições e da perspectiva que está se desenhando, vamos buscar convocar a participação de mais empresas e apoio de pessoas que desejem contribuir com a causa. As pessoas podem acessar os estímulos pelo portal MCities.com.br ou pelo aplicativo disponível nas plataformas iOS e Android”, complementa o especialista.

Segundo Hansted, a startup permanece fiel a causa de sistematizar as cidades em forma de experiências, porém agora deixando que os usuários decidam como querem viver a cidade, nas ruas ou dentro de casa. Em meio aos estímulos que começamos a reorganizar, percebemos que mais e mais usuários, de diversas cidades do Brasil, começaram a chegar em massa, dando origem aos “gritos de alerta”. “As pessoas começaram a nos pedir ajuda para lidar com o ‘caos’ que estava se materializando dentro dos lares. Pedidos de informações sobre como lidar com crianças dentro do lar e, até mesmo, de como lidar com a violência física e psicológica. Sentimos que todos estavam sofrendo um verdadeiro esgotamento nos relacionamentos. Foi assim que percebemos a dimensão do problema e de sua representatividade. Nitidamente, percebemos que as pessoas estavam se isolando nos cômodos de casa ou, até mesmo, evitando voltar para casa quando saiam por conta dos riscos desta exposição demasiada, pautada por insegurança e incertezas sobre o amanhã”, explica o CEO da MCities.

Na sequência, assim que a pandemia permitir, o movimento vai promover intervenções urbanas para fazer as pessoas redescobrirem a cidade de forma segura, reconectando-as com os ambientes e, também, com as pessoas que estão ao seu redor. Enquanto isso não acontece, a MCities continuará trabalhando a saúde mental das pessoas com dicas e propostas em suas redes sociais e, também, com uma solução de tecnologia 3D que possibilitará que as pessoas visitem os espaços importantes das cidades, entre eles parques e museus, interagindo com o mundo real mesmo à distância.

“O primeiro espaço trabalhado com a tecnologia 3D será o Parque Gomm, em Curitiba. As pessoas terão o controle absoluto da navegação, podendo caminhar e interagir com as atrações que existem no mundo real e, também, interagir com experiências que só existem no mundo virtual”, explica o CEO da startup. A ideia é mostrar como a tecnologia e a inovação podem transformar adversidade em oportunidade para todos saírem mais fortes desse momento. “Não estamos falando apenas de confinamento, medo, insegurança, incertezas, mas de uma revisão na relação de pessoas e cidades. MCities e seus parceiros querem estimular uma revisão de valores, princípios, civilidade, coisas de nos fazem mais felizes, nos tornam mais humanos”, reforça Hansted.

Cidades inteligentes, inclusivas e humanizadas

Percebendo que a revolução digital aproxima pessoas no mundo virtual, mas tende a afastar no mundo real, a MCities nasceu com a disposição de humanizar a tecnologia. A partir da sistematização das cidades em forma de experiências, o sistema busca criar estímulos imediatos para que as pessoas possam tomar decisões rápidas, além de expandir suas fronteiras de relacionamento com a cidade e se reencontrarem nos ambientes urbanos. Inicialmente, a startup foi pensada “da porta de casa para fora”, trazendo estímulos coordenados de conexão com o ambiente urbano.

Mas com a chegada da pandemia e as limitações geradas pelo confinamento e pelo distanciamento social, a startup viu o acesso em suas plataformas explodirem. “As pessoas passaram a utilizar nosso sistema como uma ‘janela’ de conexão com o mundo exterior, com as coisas boas da cidade. Passamos a ser uma forma para que as pessoas se desconectassem das más notícias. Com isso, passamos a ver novos usuários chegando, conhecendo, permanecendo por muito mais tempo em nosso sistema. Muitas pessoas começaram a passar muito tempo em nossas rotas, ruas interativas, entre ouros ambientes, passeando virtualmente para reviver a situação urbana”, destaca Hansted.

Para os próximos meses, a MCities vai direcionar seus esforços para o desenvolvimento de um pacote de soluções que será aplicado em Curitiba e outras grandes cidades brasileiras, entre elas São Paulo. “O cenário que se materializou vai exigir reinventar a relação entre pessoas e cidades. Vamos apresentar uma engenharia de estímulos no mundo físico e virtual para auxiliar na retomada da economia e na autoestima das pessoas. Queremos, acima de tudo, transformar a cidade em uma grande sala de aula, além de criar conexões de valor entre produtos, serviços e consumidores. Já estamos buscando alinhar iniciativas pública, privada e educacionais para serem protagonistas desta importante revolução”, completa Paulo Hansted.

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