Vim da roça para ganhar São Paulo

Elidio Biazini 26/11/2018
Elidio Biazini 26/11/2018

Até os oito anos de idade, trabalhei na roça de café com seus pais no
interior de São Paulo. Fugimos da seca na década de 60, viemos para a capital
e mesmo criança dei um jeito de vender sovertes nas ruas do bairro para
ajudar meus pais com uns trocados. Assim comecei a “empreender”.

Mais tarde, aos 12 anos, consegui um emprego em uma padaria e um
ano depois trabalhei como lavador de carros – emprego onde evoluí até chegar
a  manobrista. Aos 17 anos, me tornei office boy de um escritório de advocacia
e, de lá, fui contratado numa empresa multinacional. Somente aos 35 anos, já
casado com dois filhos, consegui montar meu primeiro negócio. Durante toda a
minha vida, olhava para os empreendimentos dos outros e sonhava ter o meu.

A primeira pizzaria abrimos em 1993 no bairro da Lapa – SP. A escolha
pelo setor se deu por um desejo de profissionalizar as pizzarias delivery que eu
via por aí. Minha família tinha uma pizzaria na época e eu vi que poderia tornar
aquele negócio melhorar muito. Investi em processos, treinamento de pessoas
e tudo o que pudesse criar um padrão de qualidade para o delivery de pizzas.
Quando iniciamos a expansão com a venda de franquias, vieram os grandes
erros e também muito sucesso. Afinal, hoje vencemos mais de 400 mil pizzas
por ano na Dídio Pizza. Listei alguns dos meus erros e acertos nessa jornada
que trilhamos na Dídio Pizza.

Erros:

Não busquei informações mais detalhadas sobre o negócio e, por isso, tive ações trabalhistas, fiscalizações da ANVISA, prefeitura, entre outras.

Como franqueador um dos grandes erros que cometi no início foi vender unidades para os amigos e, assim, misturar as coisas. Perdi amizades e negócios.

Outro grande erro era achar que eu conhecia tudo e que jamais a tecnologia seria minha aliada, mesmo com formação na área. Era preso às tradições e conceitos que nem sempre são as melhores soluções e que, muitas vezes, te impedem de evoluir, produzir e faturar mais.

Um exemplo disso são os fornos à lenha, que foram substituídos por fornos de alta tecnologia para otimizar as entregas e conseguir padronização e melhoria na qualidade.

Também errei ao acreditar muito que funcionários antigos seria a melhor solução, mesmo quando eles já não rendiam mais tão bem. Eu não tinha o costume de renovar a equipe.

Acertos:

Acertei quando assumi que eu não tinha todas as informações e contratei especialistas e consultorias para me auxiliar em setores do negócio que eu ainda não dominava. Eu sabia fazer pizza e achava que sabia tudo. Aprendi a me cercar de bons profissionais especialistas no que eu preciso.

Também aprendi a me render à tecnologia. Por muito tempo, eu não acreditei que novas tecnologias poderiam me ajudar no negócio. Hoje os principais ingredientes na Dídio Pizza são farinha, mussarela e tecnologia. Nos últimos anos, temos focado mais nisso, em agregar mais e mais tecnologia aos nossos processos, melhorando muito nossos serviços. E eu não me refiro somente aos equipamentos, máquinas e fornos, mas também à melhoria de processos e gestão, utilizando coisas novas.

Outro grande acerto é investir cada vez mais em pessoas e em gestão. Lembra dos especialistas? Nós trouxemos ferramentas que nos apoiam, trazendo para o negócio profissional com perfil certo para cada função e também apoio ao treinamento de  franqueados. Continuaremos sempre em busca da melhoria de nossos processos, entendendo melhor o comportamento das pessoas.

Hoje a Dídio Pizza é considerada uma das redes unicamente delivery
mais profissionais do mercado e a franquia só tem bons exemplos de
empresários que aderiram e multiplicaram nosso sucesso. Já são 24 lojas em
operação e uma venda anual de 420 mil pizzas, com um faturamento de R$ 30
milhões.

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