WEG prepara entrega dos primeiros respiradores pulmonares a pacientes do Coronavírus

 

Valor de cada aparelho da empresa catarinense será de R$ 65 mil, bem inferior aos R$ 165 mil e até R$ 198 mil pagos à China por governos estaduais de Santa Catarina e do Rio de Janeiro  

Redação 21/05/2020
Redação 21/05/2020

Nas próximas semanas, a WEG, de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, líder mundial na produção de eletromotores, começa a entregar os primeiros respiradores pulmonares para atender aos pacientes da pandemia do Coronavírus em todo o país e assim reduzir a dependência da compra desses equipamentos da China. A WEG fechou um acordo para produzir respiradores pulmonares com a Leistung Equipamentos, empresa de origem argentina, mas que também tem unidade fabril na mesma cidade de Jaraguá do Sul, desde o ano 2.000, e é especializada em ventilação mecânica para UTIs e emergências de hospitais.

A primeira entrega da WEG será de 50 respiradores. A empresa pretende alcançar de imediato uma produção diária de 50 respiradores e entregar num curto prazo 500 aparelhos. O custo unitário de cada ventilador será em torno de R$ 65 mil. Esse é um valor bem inferior a compra de 200 respiradores feita pelo governo estadual catarinense da China, no início de março, ao custo unitário de R$ 165 mil, com valor total se R$ 33 milhões, pagamento à vista e que ainda não foram entregues. Por essa operação foram afastados dois secretários, o da Saúde, Helton Severino, e o da Casa Civil, Douglas Borba. Está aberta uma CPI na Assembleia Legislativa para apurar os fatos. No Rio de Janeiro, com a prisão de empresários, demissão de sub secretário e troca do  secretário de saúde, Edmar Santos, cada aparelho teria o custo de até R$ 198 mil e o valor da compra ultrapassa a R$ 180 milhões, em três contratos, com três empresas diferentes. Só uma empresa entregou 52 aparelhos, quando era para entregar 400 unidades.

Amplo acordo

O diretor superintendente da WEG, Manfred Peter Johann, explica que a empresa está fazendo todo o esforço de adaptar uma planta industrial em Jaraguá do Sul (tem 10 plantas em diferentes países) para atender a essa necessidade urgente do país. “Só dependemos do recebimento de alguns eletrônicos e pneumáticos, muitos deles importados da China. Vamos resolver isso e entregar os aparelhos”, sustenta.

O acordo entre a WEG e a Leistung teve a participação da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e da Associação Catarinense de Medicina (ACM), com o objetivo de ampliar a disponibilidade nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do estado e do país de ventiladores pulmonares, aparelhos considerados cruciais nos casos graves da doença causada pelo Novo Coronavírus.

O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, destaca que a iniciativa mostra a capacidade técnica e o engajamento social da indústria catarinense. “A Fiesc e os Institutos Senai de Inovação, ao lado da ACM, fazem um papel de articulação. Identificamos que existem produtores nacionais, com capacidade de produção limitada, adequada ao mercado existente antes do surgimento do novo Coronavírus, e que existem empresas com capacidade de realizar a produção em grandes escalas”, explica. Ele informa que outros projetos do gênero estão em negociação. “Cada ventilador pode salvar de 10 a 20 vidas”, acrescenta.

Pelo contrato assinado entre as empresas, a WEG passa a ter a licença para produzir o respirador com base técnica no aparelho de ventilação mecânica pulmonar “Luft-3” da Leistung. Conforme o anúncio da Weg, a empresa vai utilizar a estrutura das suas fábricas de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, para produzir os respiradores e trabalha com a possibilidade de fazer ajustes ao projeto para agilizar a produção. “A implantação da linha de produção seguirá todos os protocolos sanitários de higienização e demais medidas recomendadas pelas autoridades de saúde para as indústrias”, destaca o diretor superintende da WEG.

Esta é uma das frentes de ação para a ampliação do número de respiradores nos hospitais do país, intitulada “Mais Respiradores” e coordenada em âmbito nacional pela Fiesc e Senai-SC. As outras são a importação, a adaptação de produtos similares e o conserto de máquinas que estavam danificadas. No âmbito da importação, a Fiesc e a ACM articularam, na semana passada, a aquisição, pelo governo catarinense, de 200 aparelhos chineses. O trabalho contou com parceria da Intelbras, empresa também catarinense com forte atuação nas telecomunicações.

A frente voltada à adaptação de produtos similares atua para adequar aparelhos veterinários ao uso humano. Técnicos dos institutos Senai, com apoio de médicos indicados pela ACM, estão pesquisando soluções a serem agregadas por uma indústria do estado de São Paulo e pode vir a produzir mil máquinas por mês. Mas estes aparelhos seriam indicados para casos menos graves.

A quarta frente de ação consiste no conserto de máquinas danificadas. Na semana passada, equipe do Instituto Senai em Joinville, reforçada por técnicos da Whirpool e da GM, iniciou a manutenção de 17 aparelhos recebidos da rede pública catarinense.

O desenvolvimento dos projetos de incremento da produção nacional, de adequação de produtos similares e de consertos de máquinas foram contemplados pelo Edital de Inovação na Indústria, mantido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No total foram destinados R$ 10 milhões a essas iniciativas focadas no enfrentamento do Coronavírus.

 

 

 

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