Roupa infantil com design

Salézio Martins ergueu a indústria Kyly que conquista o Brasil e a Europa com peças coloridas da cultura brasileira de um país tropical

Por Redação 24/10/2019
Por Redação 24/10/2019

Santa Catarina é reconhecida em todo o país como um celeiro de empreendedores que possuem algo em comum: começaram pequenos e construíram impérios. O caso do Grupo Kyly, uma das maiores indústrias de moda infantil do país, não foi diferente. Quando o jornalista e professor Salézio Martins decidiu abandonar a carreira para levar adiante seu sonho, o país recém saía de uma ditadura militar e convivia com os altos e baixos de uma economia titubeante. Mas nada disso foi empecilho para o jovem empresário dar início ao negócio, na garagem de casa, em Blumenau.

O ano de 1985 foi um marco para Salézio e sua família, que deram início ao negócio que pouco mais de três décadas depois iria render um faturamento de meio bilhão por ano, com a produção de nada menos que 18 milhões de peças de suas cinco marcas: Kyly, Nanai, Milon, Amora e Lemon. Salézio Martins recorda que tudo começou como uma maneira de complementar a renda familiar. Mas como sua esposa tinha habilidades para costura, logo ele adquiriu alguns teares usados e passou a produzir tecidos de malha de algodão para as pequenas confecções de Blumenau. Aos poucos a empresa começou a crescer e logo depois deixou de ser apenas uma tecelagem para se tornar uma confecção de roupas reconhecida na cidade. Era o primeiro passo para tornar a Kyly uma das empresas mais verticalizadas do setor. Com a boa recepção e o crescimento acelerado, Martins mudou-se para Pomerode, onde se instalou em um espaço maior. Na época, o empreendedor ainda trabalhava produzindo peças com marcas de terceiros, tanto para o público adulto como infantil. “Chegou um momento que precisávamos nos reinventar. Como minha filha, Taciane, gostava de criar coleções infantis, vimos que esse seria um mercado interessante, que poderíamos explorar uma marca própria. Assim nasceu a Kyly”, lembra.

Mas com as turbulências da economia brasileira, Salézio Martins enfrentaria muitos desafios e, em certos momentos, precisou adotar novas estratégias para o negócio. “Tinha uma época que nós dependíamos da tinturaria de terceiros, mas não estávamos satisfeitos com esse modelo. Decidimos, então, dar continuidade ao nosso processo de verticalização da empresa, fazendo esse processo internamente, montando uma tinturaria”, revela Martins. A mudança se expandiu para processo criativo também. Segundo Martins, o mercado da moda evolui todo dia e se as empresas não estão de olho nas novidades, o público começa a achar que as coleções estão repetitivas e não há variedade.

Hoje, a empresa conta com cerca de 1,8 mil colaboradores, sendo uma das indústrias de maior representatividade no segmento. Só a marca Milon conta com 35 lojas franqueadas e 15 unidades próprias. Até o final de 2020, a projeção é de que a marca conte com 100 lojas em operação no país. Além dessas lojas, as coleções das marcas do Grupo Kyly podem ser encontradas em 9 mil lojas multimarcas e no e-commerce.

Rumo a novos países

O sucesso no mercado nacional abriu também as portas da marca para o consumidor europeu. De olho no mercado internacional, a Kyly já conta com a presença de representantes em diferentes países da Europa, como Itália, Inglaterra, Portugal e Bélgica. “Realizamos alguns showroons em cidades como Roma, Calábria e Madrid”, revela Claudinei Martins, diretor executivo comercial e de marketing. Segundo ele, o objetivo da empresa é promover principalmente as marcas Kyly, Nanai e Milon, com ações focadas em um outro atrativo que é tendência de mercado nos últimos tempos: o design da peça. “As peças passam a ideia de um produto mais tropical, colorido, que remete à cultura brasileira. Enxergamos uma demanda crescente por estes aspectos na Europa”, afirma.

Recentemente o grupo anunciou o início de um processo que se completará em dezembro, com um investimento de R$ 55 milhões para incrementar o aumento da capacidade produtiva. Serão investidos R$ 40 milhões para a aquisição de maquinários para a fiação, enquanto outros R$ 15 milhões ficarão destinados à ampliação da infraestrutura da planta matriz. “Antigamente, iniciávamos o processo na tecelagem, mas agora recebemos o algodão e produzimos o fio. Com isso, obtivemos um ganho significativo na produtividade e qualidade no produto”, avalia Salézio Martins. Entre 2014 e 2018, a empresa investiu aproximadamente R$ 60 milhões na melhoria dos processos produtivos da fábrica e deve fechar o ano com 22 novas franquias da Milon, a marca de roupas infantis de inspiração francesa, que além de vendida em estabelecimentos multimarcas, tem lojas exclusivas distribuídas entre os principais estados do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina.

Melhor empresa para trabalhar

Graças a uma série de programas corporativos voltados à melhoria do ambiente de trabalho e condições laborais, a Kyly foi reconhecida como uma das 150 melhores empresas do país para trabalhar em 2018. “Ficamos muito felizes e orgulhosos com este reconhecimento, e agradecemos a todos os nossos colaboradores pelo trabalho e dedicação. Esta conquista é de todos, além disso prova que a empresa vive o que diz o nosso propósito, encantar e facilitar a vida das pessoas”, comemora Robson Heidemann, diretor de operações e recursos humanos.

Práticas diferenciadas de RH

Dentre as políticas diferenciadas de RH, incluem-se 30 programas de Gestão Humana oferecidos aos cerca de 1600 colaboradores do Grupo, como a disponibilidade de um corpo clínico que conta com profissionais médicos, ergonomistas e otorrinos, além de psicóloga. Destaque também para um programa de saúde voltado especificamente às funcionárias gestantes. A cultura do feedback também está presente, com avaliações de desempenho trimestrais entre os colaboradores, além de pesquisas para que possam avaliar seus superiores imediatos. Por meio de totens instalados na fábrica, os funcionários avaliam semanalmente o clima organizacional. Por outro lado, o programa Semear consiste em uma integração dos novos colaboradores da empresa durante seus primeiros 90 dias de experiência. Desta forma, as equipes se mantêm integradas, produtivas. Outro destaque é a remuneração variável aos colaboradores frente aos resultados obtidos. Também o Projeto Legal Trabalhar Aqui complementa uma série de ações que consistem em iniciativas nas quais algumas datas incomuns como, por exemplo, o Dia do Abraço, são aproveitadas para incentivar a união da equipe por meio de atividades divertidas e inclusivas. Outro ponto alto é a comemoração de Dia das Crianças, quando os colaboradores trabalham fantasiados, trazendo para a empresa o universo infantil – a base do modelo de negócio do Grupo.