Reforma Tributária entra em fase decisiva e empresas já aceleram ajustes em diferentes setores

Com a transição já em andamento, setores como agronegócio, cultura e logística revisam estratégias para se adaptar ao novo modelo de tributação

Reforma Tributária já entrou em sua fase de transição e começa a produzir efeitos concretos no ambiente de negócios. A convivência entre o sistema atual e o novo modelo de tributação sobre o consumo tem levado empresas de diferentes setores a revisar preços, contratos, processos internos e estratégias de investimento, em um movimento que busca reduzir riscos e ganhar previsibilidade.

Levantamento da Qive, plataforma de contas a pagar que integra a gestão de pagamentos, documentos e fornecedores ao ERP, mostra que a adaptação ainda ocorre em ritmos distintos. A pesquisa, realizada com 406 profissionais de empresas de diferentes portes em todo o Brasil, aponta que 40% das companhias ainda não iniciaram o mapeamento dos impactos da reforma, embora 25% afirmem que pretendem começar, apenas 38% já deram início às análises e ajustes necessários.

Para o advogado tributarista Rafael Pandolfo, sócio-fundador do escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados, o período de transição é determinante para evitar riscos no médio prazo. “A reforma tributária do consumo deixou de ser uma discussão futura e passou a integrar a rotina das empresas, em um cenário ainda mais complexo após o avanço das reformas da renda e do patrimônio em 2025. Quem se antecipa tende a ganhar previsibilidade e eficiência à medida que o novo sistema avança”, afirma.

1. Agro
No agronegócio, o processo de adaptação à Reforma Tributária já está em curso e tem exigido reavaliações estratégicas em diferentes elos da cadeia. Segundo Rafael Pandolfo, a implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) representa uma das maiores reestruturações fiscais do setor em décadas.

Apesar do impacto, o desenho do novo sistema preserva pontos centrais, como a desoneração das exportações, a redução ou isenção de alíquotas para insumos e produtos essenciais, além do tratamento diferenciado ao cooperativismo e à agricultura familiar, fatores que contribuem para a manutenção da competitividade do segmento.

2. Logística
No setor logístico, os impactos da transição já começam a ser mensurados. A TruckPag, startup de meios de pagamentos com soluções completas para frotas pesadas, simulou os efeitos das novas alíquotas da CBS e do IBS e apontou que a carga tributária da empresa pode triplicar.

“O diagnóstico reforça que não se trata apenas de aumento tributário, mas de uma oportunidade para inovar e otimizar processos. Estamos trabalhando para transformar a complexidade em eficiência, garantindo que nossos clientes continuem a ter soluções competitivas e confiáveis”, afirma Kássio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag.

A avaliação é compartilhada por Vasco Oliveira, CEO e fundador da nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina. Segundo o executivo, a Reforma Tributária já impacta decisões relacionadas ao fluxo de caixa, à precificação de serviços e à emissão de documentos fiscais eletrônicos.

“A preparação começa agora e vai até 2033 — por isso, é fundamental que as empresas construam desde já uma base sólida, com dados fiscais consistentes, processos padronizados e equipes capacitadas. Isso deve estar aliado a uma infraestrutura tecnológica capaz de integrar diferentes sistemas, automatizar a emissão de documentos fiscais eletrônicos e garantir conformidade em tempo real com as novas exigências”, finaliza Oliveira.

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